Corte de gastos é foco dos candidatos favoritos nas eleições britânicas

Maurício Savarese
Do UOL Notícias

Em São Paulo

Eleição foi anunciada na semana passada

Em meio à maior crise econômica dos tempos modernos, corte de custos. É assim que os principais candidatos a primeiro-ministro do Reino Unido planejam conquistar o eleitorado nas próximas semanas. As plataformas de governo terminaram de ser apresentadas nesta quarta-feira (14), com os centristas do Partido Liberal Democrata, que não prometeram nada muito diferente em relação a trabalhistas e conservadores.

As eleições de 6 de maio apontavam para a vitória de David Cameron, do Partido Conservador, que retornaria ao poder depois de 13 anos. Mas as mais recentes pesquisas de intenção de voto equilibraram o jogo com o Partido Trabalhista do premiê Gordon Brown e a formação do próximo governo pode depender dos liberais-democratas, do líder Nick Clegg. São 650 cadeiras em disputa no Parlamento.

No domingo (11), no lançamento da sua plataforma eleitoral, Brown prometeu cortes no orçamento, sem citar números, em meio à maior crise econômica. Comprometeu-se ainda a não abandonar serviços públicos essenciais e aumentar alguns impostos. Na terça-feira (13), Cameron prometeu redução agressiva, que chegaria a cerca de US$ 9 bilhões, mas sem elevar impostos.

Os liberais democratas, de Nick Clegg, ficaram no meio do caminho: podem tesourar recursos da saúde, por exemplo, e ainda assim exigirem uma reforma tributária para cobrar mais dos ricos. É nessa ambiguidade que Brown ou Cameron terá de surfar para governar, caso vença as eleições. Os conservadores, que passaram quase toda a pré-campanha na liderança, e os trabalhistas têm entre 33 e 38% das intenções de voto. Os liberais-democratas ficam entre 16 e 20%, dizem as sondagens.

A plataforma dos governistas se compromete com menos investimento, mas não cita quanto é necessário reduzir no déficit orçamentário para tirar o Reino Unido da pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). “Há menos dinheiro por aí. Terá de haver reduções, cortes em programas menos prioritários”, disse à mídia inglesa o ministro de Energia, Ed Miliband, que redigiu o documento.

Já os conservadores, acusados pelos rivais de exibirem mais estilo do que substância, preferiram dizer que os cortes serão “uma plataforma para um novo tipo de política”. Fazem previsão de cortes bilionários e urgentes, mas evitam citar onde eles serão feitos, gerando incertezas. “Dar poder ao povo, não tornar o Estado poderoso", repetiu o líder Cameron na apresentação de sua plataforma de governo.

Tudo isso deve ser mais bem explicado nesta quinta-feira, quando os principais candidatos fazem o primeiro debate televisivo às 16h30h (horário de Brasília). Além das questões econômicas, a imigração e o relacionamento com a União Europeia provavelmente vão concentrar a atenção dos eleitores. Uma pesquisa indicou que 65% dos eleitores assistirão os três debates previstos – cerca de 30 milhões de pessoas.

Metade delas, segundo o jornal "The Independent", pode ser influenciada para as eleições.

Temor além do orçamento
A preocupação com os cortes orçamentários vai além da economia: trata-se também de como a política reagirá dependendo do resultado das eleições gerais. Sem maioria definida, a tendência é de arrastadas negociações até a formação de um instável gabinete.

Por conta dessa possibilidade, o mercado financeiro londrino oscilou nos últimos dias, temeroso de que saia das urnas um governo de coalizão com dificuldades para diminuir o déficit no orçamento, que neste ano deve atingir cerca de US$ 270 bilhões. Esse número, dizem levantamentos britânicos, supera os 12% do PIB (Produto Interno Bruto).

Caso a votação termine sem uma vantagem clara para conservadores ou para trabalhistas, a tendência, de acordo com líderes locais, é de um governo de união nacional, nos moldes do exercido na Alemanha no primeiro mandato da chanceler Angela Merkel. Nesse período, a alemã reforçou sua liderança política, que mais tarde daria a ela uma vitória clara nas eleições gerais.

Caso os conservadores vençam, impedirão que os trabalhistas pela primeira vez na história consigam quatro mandatos sucessivos em Downing Street, sede do governo britânico. Se houver impasse, sem nenhum partido com maioria clara, o país terá um governo de coalizão pela primeira vez desde 1974. No ano passado, a vantagem do grupo de Cameron sobre o de Brown nas sondagens superava os 20%.

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