Mais de mil pessoas são retiradas dos escombros após terremoto na China

Do UOL Notícias*
Em Sâo Paulo

Mais de mil pessoas foram retiradas com vida dos escombros após o terremoto de quarta-feira (14) que deixou mais de 600 mortos na província de Qinghai, no noroeste da China, segundo um novo balanço divulgado hoje no país.

As equipes de resgate conseguiram retirar com vida 1.045 pessoas que estavam soterradas, além de 107 corpos, informou uma agência de notícias chinesa, que noticiou ainda que 2.038 feridos recebem atendimento médico.

O terremoto - de magnitude 6,9 segundo o Instituto de Geofísica dos Estados Unidos (USGS) e de 7,1 segundo Pequim - aconteceu às 7h49 de quarta-feira (20h49 de Brasília de terça-feira) e foi seguido por três fortes réplicas.

O balanço mais recente anunciado pelo canal estatal CCTV registra 617 mortes e mais de 9.000 feridos.

Menina é resgatada de escombros 12
horas após tremor que abalou a China

Muitos integrantes das equipes de resgate trabalham apenas com as mãos para retirar os escombros.

Os trabalhos de resgate prosseguiam nesta quinta-feira (15) em busca de sobreviventes, ao mesmo tempo que milhares de desabrigados passaram a noite ao relento, com temperaturas próximas de zero grau.

Estragos
A cidade de Jiegu (Gyegu, em tibetano), com uma população de 100 mil pessoas e sede do governo do distrito, é uma das áreas mais prejudicadas pelo terremoto. "Muita gente segue debaixo dos escombros das casas derrubadas no povoado Gyegu", explicou Huang Limin, subsecretário-geral do governo provincial.

A rede de TV estatal CCTV afirmou que as condições geográficas da região, que fica em área montanhosa, dificultam os trabalhos de apoio às milhares de pessoas afetadas pelos tremores.

O governo informou que pelo menos mil soldados do Exército e 5.000 socorristas serão enviados aos pontos atingidos pelo abalo. Os hospitais da província estão superlotados e com número insuficiente de médicos.

Um porta-voz da secretaria de emergência da província de Qinghai afirma que autoridades ainda avaliam o tamanho real da tragédia e temem que o número de vítimas possa ser muito maior, em virtude do horário dos abalos.

Entre os desaparecidos estão pelo menos 20 crianças que podem estar sob os destroços de uma escola, e dezenas pessoas foram presas dentro do prédio público que abriga o Departamento de Comércio e Indústria regional, parcialmente destruído.

“Estamos trabalhando para resgatar os estudantes. Estamos correndo para salvá-los”, Kang Zifu, um bombeiro local, informou a CCTV na tarde de quarta-feira, segundo o jornal norte-americano The New York Times.

A província de Yushu é uma região montanhosa, de difícil acesso e baixa densidade populacional. É habitada principalmente por fazendeiros e criadores de animais, em sua maioria de etnia tibetana, e trabalhadores ligados às minas de cobre e carvão.

O sismólogo Gu Guohua, entrevistado pela rede chinesa de televisão CCTV, afirmou que a destruição causada por um terremoto de cerca de 7 pontos na escala Richter pode ser muito severa, em função das condições ruins da construção civil na região.

"Muitas pessoas ainda estavam na cama pela manhã [quando o terremoto aconteceu]. As casas são de má qualidade", afirmou Gu, explicando as condições que aumentam as chances de mortes.

O tremor e a sequência de réplicas derrubou casas, postos de gasolina e postes elétricos, afetando diversos serviços civis básicos. Também há relatos de deslizamentos de terra, bloqueios de estradas e cortes nas comunicações.

“Estamos usando nossas mãos para tirar os escombros, porque não temos grandes máquinas”, declarou Shi Huajie, representante policial responsável pelas operações de socorro. “Também não temos equipamentos médicos.”

O governo chinês afirmou ter destinado US$ 29,3 milhões (cerca de R$ 51 milhões) para financiar a evacuação das pessoas desalojadas, cuidados médicos de emergência e prevenção de surtos de doenças, segundo informações do ministério de Finanças, citado pela Xinhua.

Francis Markus, da Cruz Vermelha Internacional, confirmou à CNN que os esforços de resgate serão "desafiadores".

"Mas a China tem muita experiência e muitos recursos", acrescentou em entrevista à rede norte-americana. "É só uma questão de conseguir chegar nesse ponto remoto".

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