Amorim se encontra com Ahmadinejad para discutir questão nuclear

Do UOL Notícias
Em São Paulo

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, se reúne nesta terça-feira (27) com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, em Teerã, para discutir a questão nuclear na República Islâmica e preparar o terreno para a visita do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, agendada para maio.

Raio-x do Irã

  • Nome oficial: República Islâmica do Irã

  • Capital: Teerã

  • Tipo de governo: República Teocrática

  • População: 66.429.284

  • Idiomas: Persa e dialetos persas (58%), turcomano e dialetos turcos (26%), curdo (9%),  outros

  • Grupos étnicos: Persas (51%), azeris (24%), gilakis mazandaranis (8%), curdos (7%), árabes (3%), outros

  • Religiões: 98% muçulmanos (xiitas 89% e sunitas 9%)

  • Fonte: CIA Factbook

Segundo a agenda divulgada pelo Itamaraty, os primeiros compromissos de Amorim nesta terça são no ministério dos Negócios Estrangeiros do Irã, onde se encontra com seu homólogo iraniano, Manouchehr Mottaki.

No final da tarde (no horário local), Amorim será recebido por Ahmadinjead no Palácio Presidencial. Entre os temas que serão abordados nessa conversa está o plano de desenvolvimento nuclear iraniano, cuja falta de transparência é criticada pelas potências Ocidentais.

Amorim já se manifestou sobre o assunto ontem, em seu primeiro dia de visita, ao lado de Said Jalili, Secretário-Geral do Conselho Supremo de Segurança Nacional e principal negociador iraniano para a questão nuclear. “Queremos para o povo iraniano o mesmo que queremos para nosso próprio país: expandir as atividades nucleares pacíficas”, afirmou Amorim, segundo a agência de notícias iraniana ISNA.

Amorim também foi recebido ontem pelo Presidente do Parlamento, Ali Larijani, que voltou a declarar durante o encontro que “a expedição de resoluções e a imposição de sanções não são a linguagem correta para o diálogo e interação com o Irã”.

O Irã resiste a abrir completamente suas instalações nucleares à inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o que motiva os Estados Unidos e Israel a desconfiarem que a República Islâmica tenha interesses em desenvolver tecnologia nuclear bélica. O Irã responde que é país soberano, tem direito de usar energia nuclear na área civil e não deve satisfações aos Estados Unidos.

A questão, que deve ser levada ao Conselho de Segurança da ONU em breve, opõe Estados Unidos e Brasil, já que Washington pede a aplicações de sanções para obrigar o Irã a “falar francamente”, enquanto Brasília alerta que a repressão contra a República Islâmica não trará resultados construtivos nesse terreno.

Amorim, que já tratou da questão com a chanceler norte-americana, Hillary Clinton, durante visita dela a Brasília este ano, deverá pedir a Ahmadinejad a flexibilização da posição iraniana, tendo em vista a visita de Lula a Teerã nos dias 16 e 17 de maio.

Conseguir o retorno do líder iraniano à mesa de negociações seria uma vitória diplomática de peso para a política externa de Lula, que já prometeu tratar do assunto “olho no olho” com Ahmadinejad.

O Brasil é atualmente um dos membros não permanentes do Conselho de Segurança e, assim como a Turquia, pede que os demais membros não coloquem o Irã “contra a parede”.

Marco Aurélio Garcia: Brasil não defende o Irã, Brasil defende o diálogo

  • O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, negou nesta segunda-feira (26) a "amizade" entre Brasil e Irã.

    “Quem lhe disse que estamos defendendo o Irã? Isso é uma versão que vocês [da imprensa] estão tentando passar”, disse Garcia, após ser questionado sobre a divergência entre a posição de Brasília e de Washington.

    “Estamos defendendo o Irã coisa alguma. Temos dito que queremos negociar com o Irã uma solução pacífica para esse impasse. Outros países querem satanizar o Irã, excluindo-o através de uma série de sanções que não vão ter nenhum efeito senão o de solidificar mais o Irã contra uma suposta ameaça externa”.

    “O mais importante é que há a disposição do presidente Ahmadinejad de reatar o diálogo com a AIEA. A nossa preocupação é uma só: queremos que o Irã se submeta às inspeções da AIEA. Se fizer isso, estaremos muito satisfeitos”, afirmou Garcia.

 

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