Assessor de Lula nega "condescendência" do Brasil com Cuba ou Irã

Do UOL Notícias
Em São Paulo

  • Brizza Cavalcante/Agência Câmara

    Marco Aurélio Garcia, assessor para assuntos internacionais da Presidência da República

    Marco Aurélio Garcia, assessor para assuntos internacionais da Presidência da República

Marco Aurélio Garcia, assessor para assuntos internacionais da Presidência da República, negou nesta terça-feira (27) que o Brasil seja condescendente com os governos de Cuba ou do Irã, e defendeu que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva acredita na efetividade das “negociações discretas”.

Questão "Irã"

Durante seu depoimento à comissão, o assessor mencionou a visita do chanceler Celso Amorim à Teerã, onde se encontrou hoje com o presidente, Mahmoud Ahmadinejad. Para Garcia, a visita é um exemplo de ação da política externa brasileira das “ações discretas”.

Segundo o assessor de Lula, a intenção do Itamaraty era convencer a República Islâmica a adotar o comportamento do Brasil, ou seja, obedecer as regras da Agência Internacional de Energia Atômica e renunciar ao uso bélico das armas atômicas

“O Brasil não tem nenhuma afinidade com o Irã diferente da que tem com qualquer outro país”, acrescentou. “Muito pelo contrário, é um governo de caráter religioso, uma religião com a qual a maioria dos brasileiros não tem afinidade, ocupa posições no âmbito internacional distintas das nossas”.

Contudo, explicou Garcia, Irã está evolvido em questões globais e não pode ser ignorado pelo governo se o Brasil tem ambição de fazer “política externa de verdade”.

As afirmações de Garcia foram feitas em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional na Câmara, que cobrou explicações sobre uma declaração do assessor a respeito da morte do dissidente cubano Orlando Zapata Tamayo.

Segundo o autor do requerimento, deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), Garcia teria afirmado que “em todos os países há desrespeito a direitos humanos” ao comentar a greve de fome que levou Tamayo à morte.

“Não podemos admitir essa afirmação feita por alguém em cargo importante, sob pena de acharmos que o desrespeito aos direitos humanos é algo normal”, justificou Thames em sua convocação.

“Não lhe concedo o monopólio da consciência cívica. O respeito aos direitos humanos é compartilhado por muitos”, afirmou Garcia à comissão, em resposta ao deputado, defendendo que ele próprio é um defensor da liberdade de expressão, com experiência pessoal de prisão e exílio.

“O Itamaraty tem informações sobre os direitos humanos em todos os países, posso lhe dizer que essas informações são em muitas circunstâncias contraditórias”, afirmou.

“O que eu disse é que em todos os países, ou quase todos os países, há denúncias de violações dos direitos humanos. Na Suécia talvez não, mas na Suíça há”, respondeu Garcia, citando a restrição contra mesquitas neste país europeu, norma acusada de violar a liberdade religiosa individual.

Garcia mencionou ainda repressão contra a mulher em países árabes, violência contra imigrantes na Europa e as denúncias contra Israel nas ações sobre a Faixa de Gaza. O assessor lembrou que tais denúncias não impediram que o Brasil visitasse Israel e assinasse acordos com o país.

“[A situação dos direitos humanos no mundo] é uma questão complexa, muito fácil de atacar”, acrescentou, lembrando que ele próprio criticou a presidência de Fernando Henrique Cardoso quando o Brasil reconheceu a eleição do peruano Alberto Fujimori, acusada de irregularidades.

Sobre a política concreta do Brasil para defender os direitos humanos e a estabilidade mundial, Garcia respondeu que as ações se baseiam em duas linhas: em primeiro lugar, as “ações discretas”, de convencimento, que segundo ele seriam mais eficientes que as “denúncias borbulhantes”; e, em segundo lugar, o encaminhamento das questões comprovadas aos fóruns multilaterais competentes.

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