Brasileiros suspeitos de atentado contra senador paraguaio moravam na região, diz procuradora

Carlos Iavelberg
Do UOL Notícias*

Em São Paulo

Os dois brasileiros presos acusados de serem os autores do atentado que matou dois guarda-costas e feriu o senador paraguaio Robert Acevedo na noite de segunda-feira (26) moravam na região do crime.

Em entrevista ao UOL Notícias, a procuradora responsável pelo caso, Lourdes Peña, afirmou que o acusado Marcos Cordeiro Pereira, 34, morava na cidade de Pedro Juan Caballero, capital do departamento de Amambay (Paraguai), há três meses.

Segundo a procuradora, o brasileiro não tinha trabalho conhecido e residia em uma casa “suspeita” de abrigar narcotraficantes.

Senador deve deixar hospital nesta quarta-feira

O senador paraguaio Robert Acevedo deve ter alta nesta quarta-feira do hospital onde está internado em Pedro Juan Caballero, na fronteira do Brasil com o Paraguai.

"Ele está estável, só está em estado de observação porque tem uma lesão na retina do lado direito, mas não corre qualquer risco de morte. Creio que amanhã estará em sua casa", informou por telefone à Folha o médico Eduardo Franco, da clínica San Lucas.

Já o outro acusado, Eduardo da Silva, 27, teria se mudado para Pedro Juan Caballero há seis ou sete meses e morava com uma mulher brasileira, segundo Peña.

De acordo com a procuradora, os dois suspeitos não responderam às perguntas feitas no interrogatório desta terça-feira.

Questionada sobre quais fatos levaram à polícia aos suspeitos, Peña disse que não poderia entrar em detalhes para não prejudicar as investigações e apenas se limitou a dizer que “diversos indícios” apontam para a participação dos dois brasileiros no crime.

Peña também informou que a polícia brasileira já passou os antecedentes criminais dos suspeitos à polícia do Paraguai. Pereira teria antecedentes por roubo e tráfico de drogas. Já sobre Silva, Peña disse que ainda não havia sido informada sobre o conteúdo da ficha criminal, mas confirmou que já estava em mãos das autoridades locais.

A imprensa paraguaia tem especulado que os brasileiros seriam integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital). A informação, porém, não foi confirmada pelas autoridades brasileiras e paraguaias.

O chefe de polícia da cidade de Pedro Juan Caballero, o comissário Francisco González, informou à “Folha Online” que o carro utilizado no atentado era de origem brasileira, com placa de São Paulo, e que se tratava de um veículo clonado.

"Já sabemos que o modelo Ford Ranger, com placa de São Paulo-SP, é um veículo clonado. A Polícia Civil de São Paulo nos informou que há outro carro circulando no Brasil com a mesma placa", disse González.

Senador diz que fica na região
Contrariando pedidos de colegas, o senador paraguaio Robert Acevedo se recusou a ser transferido para a capital Assunção.

Segundo a imprensa paraguaia, o senador liberal Alfredo Luis Jaeggli ofereceu seu avião particular para transferir o colega, que se encontra em uma clínica na cidade de Pedro Juan Caballero. Acevedo, entretanto, teria preferido ficar na região com seus familiares.

O presidente do Congresso paraguaio, o senador Miguel Carrizosa, esteve na clínica para tentar convencê-lo a ir para Assunção, mas não teve sem sucesso.

“Fico [em Juan Caballero] para que não seja uma vitória do narcotráfico. Para a tranquilidade da minha família. Logo vou me recuperar bem e, um pouco depois, vou até a capital [Assunção] para voltar ao meu trabalho no Senado”, declarou Acevedo a rádio paraguaia 780 AM.

Embora a polícia paraguaia tenha informado que os suspeitos do atentado moram na região há alguns meses, o senador disse acreditar que os assassinos foram até lá apenas para matá-lo. “Desci da caminhonete e, ferido, passei na frente deles [criminosos] e não me reconheceram. Fiquei no chão ferido até que uma pessoa me auxiliou”, contou Acevedo.

O senador acusa narcotraficantes brasileiros e paraguaios pela ação. "Os responsáveis são narcotraficantes paraguaios associados com os brasileiros. Eles estão infiltrados na sociedade e são donos da vida e da morte. Eu me salvei por um milagre", relatou à imprensa local.

Em uma gravação da Rádio Amambay feita horas antes do atentado, Acevedo desafiou os narcotraficantes da região. “Se são machos, que venham a minha casa. Eu recebo eles, bandidos”, declarou. “A mim não me agarram esses traficantes de merda.”

*Com informações de agências e do ABC Digital e ultimahora.com

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos