Carro usado em atentado contra senador paraguaio tinha placa de SP, diz promotora

Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias
Em São Paulo

O governo do Paraguai confirmou na tarde desta terça-feira (27) que dois brasileiros --Nevailton Marcos Cordeiro Pereira e Eduardo da Silva -- foram presos na noite de ontem, na cidade de Pedro Juan Caballero, capital do departamento de Amambay (Paraguai), suspeitos de tentar matar o senador paraguaio Robert Acevedo. Segundo a secretaria de Comunicação da Presidência do Paraguai, os detidos "vieram de lugares distantes" de Pedro Juan, mas viviam em uma casa alugada no bairro de Obrero, na cidade. No local, foram encontrados sete veículos "de origem duvidosa", alguns com placas de São Paulo.

"Nós fizemos incursões em duas casas [de Pedro Juan], onde encontramos estes dois brasileiros. Ao lado da casa, estavam sete veículos, alguns com chapa de São Paulo. Três das chapas foram adulteradas do Paraguai", disse a promotora do caso, Lourdes Peña.

Segundo a Polícia Nacional do Paraguai, não consta qualquer registro de furtou ou roubo da Ford Ranger encontrada perto de uma creche, em Pedro Juan Caballero. O carro foi queimado, mas a polícia encontrou resquícios de projéteis de alto calibre.

Departamentos em estado de exceção

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A Polícia Federal (PF) brasileira disse que ainda não foi informada das prisões, mas que vai dar todo o apoio e as informações necessárias à polícia paraguaia. A imprensa paraguaia afirma que os brasileiros pertencem à facção criminosa paulista PCC (Primeiro Comando da Capital).

Segundo a PF, há cerca de dez anos o PCC ocupa áreas do Paraguai, que foram transformadas em pontos de fuga para criminosos brasileiros.

A polícia local continua com as investigações em Pedro Juan Caballero e diversas buscas e apreensões foram realizadas. O ministro do Interior paraguaio, Rafael Filizola, o vice-ministro de Segurança, Carmelo Caballero, e o ministro de Obras, Efraín Alegre, estão na cidade para acompanhar o caso.

Em entrevista à TV Telefuturo, da clínica onde está internado, Acevedo contou que “por um milagre de Deus não estou como os companheiros que estavam comigo, executados em pleno centro”. O motorista Floriano Alonso e o policial Richard Martinez, que protegiam o parlamentar, morreram no ataque.

O senador afirmou que um motociclista o ajudou a chegar até uma farmácia, em frente à clínica San Lucas, onde ele ficou escondido até que os criminosos fossem embora. Só então, cruzou a rua e foi atendido no hospital. Ele foi ferido no braço e no rosto.

Para o parlamentar, o ataque foi uma resposta do tráfico às constantes denúncias que ele faz contra o narcotráfico e a venda ilegal de madeira. "Se quero continuar vivo, tenho que deixar esta cidade. Aqui vão continuar com esse tipo de coisa. É pouco para poder enfrentá-los. Estamos parecendo uma cidade do México", falou.

José Carlos Acevedo, prefeito da cidade e irmão do senador, afirmou à rádio Nandutí AM que grupos ligados ao tráfico de drogas ofereceram entre US$ 300 mil e US$ 500 mil pela cabeça de Robert. O atentado, segundo ele, deveria acontecer durante a viagem do senador a Assunção ou a Pedro Juan.

“A informação que temos é de que um grupo se reuniu e pagou pelo crime”, disse. Ele lembrou ainda que os traficantes tentaram matar, em dezembro do ano passado, Ramon Cataluppi, diretor de Trânsito de Pedro Juan e homem de confiança da família Acevedo. No atentado, o funcionário foi atingido por 14 tiros, perdeu um dedo e uma perna.

Segundo ele, cada pessoa envolvida teria entrado com uma parte do dinheiro para pagar os criminosos, que usaram uma caminhonete prata Ford Ranger para atirar contra o carro do senador.

O prefeito afirmou ainda que por pouco seu irmão não foi vítima de criminosos que operam em Amambay, na fronteira com o Mato Grosso do Sul, e no Brasil. “Não se controla nada. A fronteira terrestre é permeável. Muita gente de fora se esconde ali”, disse.

O atentato aconteceu dias depois que o governo do Paraguai decretou estado de exceção em algumas regiões do país. A medida de segurança foi adotada depois que quatro assassinatos foram registrados em Horqueta, no dia 21. O grupo Exército do Povo Paraguaio (EPP) é apontado como responsável pelos homicídios.

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