Senador paraguaio baleado recusa traslado a Assunção e permanece na região do atentado

UOL Notícias*

Em São Paulo

O senador paraguaio Robert Acevedo, que sobreviveu a um atentado a balas na segunda-feira (26) que deixou dois guarda-costas mortos, se recusou a ser transferido para a capital Assunção.

Segundo a imprensa paraguaia, o senador liberal Alfredo Luis Jaeggli ofereceu seu avião particular para transferir o colega, que se encontra na cidade de Pedro Juan Caballero, capital do departamento de Amambay (Paraguai), local da ação. Acevedo, entretanto, teria preferido ficar na região com seus familiares.

Departamentos em estado de exceção

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O presidente do Congresso paraguaio, o senador Miguel Carrizosa, esteve na clínica onde Acevedo está internado para tentar convencê-lo a ir para Assunção, mas não teve sem sucesso.

 

“Fico [em Juan Caballero] para que não seja uma vitória do narcotráfico. Para a tranquilidade da minha família. Logo vou me recuperar bem e, um pouco depois, vou até a capital [Assunção] para voltar ao meu trabalho no Senado”, declarou Acevedo a rádio paraguaia 780 AM.

O senador disse que os bandidos que participaram da ação não são da região e foram até lá apenas para matá-lo. “Desci da caminhonete e, ferido, passei na frente deles [criminosos] e não me reconheceram. Fiquei no chão ferido até que uma pessoa me auxiliou”, contou Acevedo.

O governo do Paraguai confirmou que dois brasileiros -Nevailton Marcos Cordeiro Pereira e Eduardo da Silva- foram presos na noite de ontem, em Pedro Juan Caballero, suspeitos de tentar matar o senador. Eles estavam em uma casa do bairro de Obrero e serão interrogados pela polícia local.

O próprio Acevedo acusa narcotraficantes brasileiros e paraguaios pela ação. "Os responsáveis são narcotraficantes paraguaios associados com os brasileiros. Eles estão infiltrados na sociedade e são donos da vida e da morte. Eu me salvei por um milagre", relatou à imprensa local.

Em uma gravação da Rádio Amambay feita horas antes do atentado, Acevedo desafiou os narcotraficantes da região. “Se são machos, que venham a minha casa. Eu recebo eles, bandidos”, declarou. “A mim não me agarram esses traficantes de merda.”

Estado de exceção
Amambay foi declarado em estado de exceção no sábado (24) assim como outros quatro departamentos (Estados) do norte, nos quais foram mobilizados cerca de 3.000 policiais e militares para rastrear a existência de focos de supostos rebeldes autodenominados Exército do Povo Paraguaio (EPP), de esquerda.

A eles foi atribuído o assassinato, há uma semana, de quatro policiais no departamento de Concepción, vizinho de Amambay.

Para Acevedo, no entanto, o EPP não constitui nem um décimo dos bandos de narcotraficantes. "É algo internacional. Sua força é superior à da polícia. Eles têm armas poderosas para defender o poderoso movimento fronteiriço ilegal", relatou.

"Eles transformaram a cidade de Pedro Juan Caballero numa sociedade dominada pelo tráfico. Há políticos locais que estão associados a eles. A maioria dos candidatos políticos são pagos por eles", continuou.

"Para ocultar sua verdadeira atividade no submundo do narcotráfico, dedicam-se à venda de eletrônicos, móveis - comércios de fachada - e até a entidades beneficentes".

"Eu os denunciava todos os dias, mas agora vejo que é impossível lutar contra eles. São extremadamente poderosos", enfatizou.

Acevedo é um empresário que atua com postos de gasolina e também é proprietário da rádio Amambay AM.

O furgão em que estava no momento do atentado era utilizado nas coberturas diárias da emissora

*Com informações de agências e do ABC Digital e ultimahora.com

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