Após atentado, segurança no encontro entre Lula e Lugo será reforçada

Thiago Chaves-Scarelli
Do UOL Notícias
Em São Paulo

*Atualizada às 18h01

Serão reforçadas as operações para garantir a segurança na reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega paraguaio, Fernando Lugo, na próxima segunda-feira (3), em uma operação conjunta entre polícias e militares dos dois países, segundo confirmou um secretário da cidade de Ponta Porã, que sediará o encontro.

Lula promete medidas contra violência

  • O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou hoje que o encontro com o presidente do Paraguai, na próxima semana, também abordará questão da segurança nas fronteiras.

    A reunião, que deveria ter como ponto principal questões da hidrelétrica binacional de Itaipu, chega dias depois do atentado contra um político paraguaio.

    De acordo com o presidente, é uma “insanidade” usar a violência para tentar “colocar medo no Estado brasileiro e no Estado paraguaio”.

    Lula também avisou que as medidas concretas serão decididas em parceria com o governo paraguaio.

“A segurança foi repensada. Hoje temos um plano A, um plano B e um plano C. Do lado paraguaio, 250 militares já foram enviados a Pedro Juan Caballero, que é capital do Estado de Amambay. O governo brasileiro também vai tomar as medidas necessárias para garantir a segurança do encontro”, afirmou Marcelino Nunes, secretário de Integração, Turismo e Desenvolvimento Sustentável de Ponta Porã.

“Os presidentes não vão cancelar o encontro. Isso seria se curvar ao crime organizado”, acrescentou o secretário, em entrevista por telefone ao UOL Notícias.

Nessa mesma fronteira, no lado paraguaio, o senador paraguaio Robert Acevedo foi alvo de um atentado a tiros que matou o segurança e o motorista que estavam no carro com ele, na noite da última segunda-feira.

Consultado pelo UOL Notícias, o Planalto também confirmou que os recentes atos de violência na região não alteraram o cronograma do encontro, que estava previsto há meses. Os mandatários devem se encontrar na fronteira dos dois países por volta das 9h e têm agenda conjunta em Ponta Porã até o começo da tarde, incluindo uma reunião bilateral e um evento com empresários.

A equipe que coordena a segurança do presidente foi procurada pela reportagem, mas informou que os detalhes sobre os preparativos para do encontro são confidenciais.

Imagem de satélite mostra conurbação das duas cidades na fronteira binacional

  • Google Earth/UOL Arte

Atentado durante estado de exceção

O senador Acevedo, que foi alvejado no braço e no rosto sem gravidade durante o tiroteio, afirmou no hospital que os assassinos estariam a serviço de narcotraficantes paraguaios e brasileiros, e chegou a mencionar o grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC), que já cometeu atentados em São Paulo.

Pelos menos dos brasileiros foram presos no Paraguai por suspeita de participação no caso. O carro de onde foram feitos os disparos tem placa de São Paulo, segundo a procuradoria do Paraguai.

Departamentos em estado de exceção

  • UOL Arte

O atentado acontece em um momento de tensão no país, já que no último sábado o presidente Lugo promulgou a medida que determina a suspensão do estado de direito por 30 dias em cinco departamentos (Estados) do Paraguai (veja mapa ao lado).

A medida excepcional foi solicitada por Lugo depois que supostos membros da guerrilha Exército do Povo do Paraguai (EPP) mataram quatro pessoas, entre as quais dois brasileiros, em uma fazenda no nordeste do país, região próxima da fronteira com o Brasil.

A medida de exceção, que dá mais liberdade de ação para militares, suprime direito de livre associação e permite prisões arbitrárias, foi utilizada de modo traumático pelo governo ditatorial de Alfredo Stroessner (1954-1989), durante o qual foram registrados sequestros e desaparecimento de opositores políticos. A última vez em que o recurso tinha sido utilizado no país foi em 2002, para reprimir manifestações contra o governo de Luis González Macchi.

A questão é delicada para Lugo, que tem forte apoio popular nessas regiões, especialmente em San Pedro, onde foi bispo católico durante vários anos. Essa proximidade com movimentos sociais desperta críticas de setores conservadores de que o presidente estaria agindo com tolerância em relação a ações criminosas nessa área, tradicionalmente palco de conflitos agrários.

 

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