Após atentado, Lugo visita senador baleado e distritos que fazem fronteira com o Brasil

Do UOL Notícias
Em São Paulo

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, visitou nesta quarta-feira (28) o senador liberal Robert Acevedo, que sofreu um atentado na noite desta segunda-feira na cidade de Pedro Juan Caballero, capital do departamento de Amambay, na fronteira com o Mato Grosso do Sul. Lugo chegou à clínica onde Acevedo está internado por volta de 11h30 e estava acompanhado de uma comitiva de ministros. As informações são do Última Hora.

Departamentos em estado de exceção

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Antes, o presidente passou pela cidade de Concepción, no distrito vizinho de mesmo nome, onde, segundo o jornal ABC, reuniu-se com o governador da região, Emilio Pavón, para discutir a adoção do estado de exceção no distrito. Depois de passar por Pedro Juan, Lugo segue para o distrito de San Pedro. 

O presidente tentou acalmar os governantes locais, dizendo que o estado de exceção não é igual ao estado de sítio que foi adotado durante a ditadura. "Os direitos humanos serão respeitados", afirmou.

Já o ministro do Interior, Rafael Filizzola, que acompanha a comitiva, afirmou ainda que o atentado ao senador "é um ataque da máfia contra o Estado paraguaio" e que a guerrilha EPP (Exército do Povo do Paraguai) "não é a única ameaça ao país". Para ele, o crime é "um chamado de atenção" e reforça as medidas de segurança adotadas.

No último sábado, o presidente Lugo promulgou a medida que determina a suspensão do estado de direito por 30 dias em cinco departamentos (estados) do Paraguai (veja mapa). A decisão veio depois que supostos membros do EPP mataram quatro pessoas, entre as quais dois brasileiros, em uma fazenda no nordeste do país, região próxima da fronteira com o Brasil.

A medida de exceção dá mais liberdade de ação para militares, suprime direito de livre associação e permite prisões arbitrárias e foi utilizada de modo traumático pelo governo ditatorial de Alfredo Stroessner (1954-1989), durante o qual foram registrados sequestros e desaparecimento de opositores políticos. 

Ontem, o chefe do Gabinete Civil da Presidência do Paraguai, Miguel López Perito, afirmou que o esquema de segurança na cidade de Pedro Juan Caballero foi redobrado depois do atentado contra o senador Acevedo.

Investigação
A polícia do Paraguai aguarda o resultado de um teste de parafina, que produz moldes de vestígios encontrados na cena do crime, para saber se o assassinato de dois jovens em Yby Yau, no distrito de Concepción, também na fronteira com o Mato Grosso do Sul, está relacionado com o atentado contra o senador Robert Acevedo, na mesma região. 

Nesta terça-feira (27), os corpos de Domingo Achar, conhecido como "Mingo", e Brígido Achar , chamado de "Kiko", foram encontrados na colônia de Ñepytyvô, em Yby Yau. Eles eram primos, tinham 22 anos e foram mortos com tiros nas costas. Mingo recebeu oito tiros e Kiko, 5. As informações são do portal paraguaio Última Hora.

A procuradora Filomena Benítez, responsável pelo caso, acredita que as provas podem revelar se os crimes foram encomendados pelo mesmo grupo. "Até o momento não temos dados sobre os autores da execução de ontem, mas esperamos o depoimento dos familiares para obter mais informações", disse ela à rádio 780 AM.

Um dos mortos tinha uma máscara de esqui no bolso da calça. A polícia acredita que eles seriam matadores da máfia local, que estariam planejando um atentado por encomenda em Concepción, mas foram delatados e assassinados antes.

Já a promotora Lourdes Peña, que investiga o atentado contra o senador, na cidade de Pedro Juan Caballero, informou hoje que os peritos criminalistas trabalham para descobrir os números originais do chassi da caminhonete Ford Ranger prata, usada pelos criminosos para atirar contra o senador. “Já temos três ou quatro números do chassi original”, disse ela à rádio local 650 AM.

Ontem, Peña havia dito que a caminhonete usada no crime foi abandonada perto de uma creche da cidade e queimada. Ela tinha placa de São Paulo e, segundo a polícia civil brasileira, foi clonada, porque o carro com o código original circulava no dia do crime pela capital paulista.

A promotora afirmou que não descarta nenhuma hipótese, mas está investigando a ligação dos dois brasileiros presos na noite de segunda-feira (26) com a caminhonete, o tráfico de drogas e a facção criminosa paulista PCC (Primeiro Comando da Capital). Marcos Cordeiro Pereira, 34, e Eduardo da Silva, 27, moravam a pouco tempo na cidade e foram acusados de tentar matar o senador paraguaio.

Em entrevista ao UOL Notícias ontem, ela explicou que “diversos indícios” apontam para a participação dos dois brasileiros no crime. De acordo com ela, Pereira morava na cidade há três meses, não tinha trabalho conhecido e residia em uma casa “suspeita” de abrigar narcotraficantes. Segundo a polícia brasileira, ele tinha antecedentes por roubo e tráfico de drogas. Já Silva teria se mudado para Pedro Juan Caballero há seis ou sete meses e morava com uma mulher brasileira.

Com eles, foram encontrados sete veículos "de origem duvidosa", alguns com placas de São Paulo e três com chapas adulteradas.

A polícia local também apreendeu hoje novas evidências do crime, que foram apresentadas ao Ministério Público de Pedro Juan. Segundo o jornal ABC, na casa de uma pessoa identificada como Marcos Lugo foram encontrados umas pistola 9 mm, dois carregadores, duas caixas de munições e três motos de origem brasileira. Lugo não foi localizado pela polícia, porque estaria em São Paulo.

À imprensa paraguaia, o senador disse acreditar que traficantes brasileiros e paraguaios se uniram para matá-lo e, embora a polícia tenha informado que os suspeitos moram na região há alguns meses, defendeu que os criminosos foram até o Paraguai apenas para matá-lo.

Horas antes de sofrer um atentado e sobreviver a mais de 40 tiros de fuzil, Acevedo havia desafiado os traficantes da cidade. Em entrevista à rádio Amambay, ele chegou a dizer: “Se são machos, que venham a minha casa, eu os vou receber, bandidos. Se tentarem fazer algo, eu tenho os nomes dos que podem tentar isso. A mim não me agarram esses traficantes de merda.”

Segundo a imprensa paraguaia, o senador se recusa a deixar a região e ser transferido para uma clínica na capital paraguaia Assunção.

“Fico [em Juan Caballero] para que não seja uma vitória do narcotráfico. Para a tranquilidade da minha família. Logo vou me recuperar bem e, um pouco depois, vou até a capital [Assunção] para voltar ao meu trabalho no Senado”, declarou Acevedo a rádio paraguaia 780 AM.

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