"Lula terá sucessor; Venezuela, não", diz Hugo Chávez em visita ao Brasil

Camila Campanerut *
Do UOL Notícias

Em Brasília

  • Fernando Bizerra Jr/Efe

    Lula e Chávez se encontram em Brasília durante visita oficial do presidente venezuelano

    Lula e Chávez se encontram em Brasília durante visita oficial do presidente venezuelano

Atualizada às 19h30

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou na tarde desta quarta-feira (28), em Brasília, que, diferentemente do Brasil, não há previsão de quem o sucederá no cargo venezuelano. Chávez está no poder há 11 anos.

“Na Venezuela, não. Não estou com isso previsto. Não está previsto. Eu não tenho sucessor (...) Vamos ver o que acontece se o povo e o partido socialista decidirem, se for, veremos isso”, respondeu Chávez em coletiva de imprensa após assinatura de 22 acordos bilaterais nas áreas de agropecuária, alimentos, petroquímica, construção civil e acordo financeiros com o Brasil.

Chávez evita criticar demora dos paraguaios em aprovar a entrada da Venezuela no Mercosul

À espera da aprovação do ingresso da Venezuela como membro permanente do Mercosul pelo Congresso do Paraguai, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, evitou criticar a demora na discussão do tema pelos paraguaios.

Para Chávez, são fundamentais a unidade e o fortalecimento das parcerias na América Latina. “Agora estamos à espera do tempo político do Paraguai”, disse ele, referindo-se ao fato de não haver previsão para a votação do assunto no parlamento paraguaio.

Dirigindo-se ao presidente Lula, Chávez elogiou os esforços do Brasil para fortalecer o Mercosul. “Se não fosse você, Lula, ter chegado à Presidência da República do Brasil, hoje o Mercosul estaria pulverizado”, disse o presidente venezuelano, que passou o dia em Brasília.

Ele assinou 21 acordos de cooperação entre Venezuela e Brasil. Em seguida, Chávez e Lula almoçaram no Palácio do Itamaraty.

Para o presidente venezuelano, a falta de alternância no poder não é sinônimo de falta de democracia. Chávez ressaltou que, em dez anos, aconteceram 11 eleições no país e que já há um novo pleito marcado para definir novos nomes no Parlamento, em setembro deste ano.

Já sobre as relações com o Brasil, Chávez frisou que “independentemente” de quem ganhar as eleições em outubro deste ano, as relações entre os dois países não serão afetadas.

No momento da declaração, o presidente venezuelano não citou sua preferência pela candidata petista, Dilma Rousseff, ao contrário do que disse mais cedo, ao sair do hotel a caminho do Palácio do Itamaraty, quando afirmou que o “coração dele” era da pré-candidata Dilma. “Não quero me meter em coisas internas do Brasil, como o Brasil não se mete em coisas internas da Venezuela, mas o meu coração está aqui: Dilma Rousseff", afirmou na ocasião.

Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a dizer que continuará na vida política e que tentará fortalecer a Unasul (União das Nações Sul-americanas) que, segundo ele, é uma instituição consolidada e com condições de ter representatividade semelhante a da União Europeia.

“Eu vou continuar fazendo política, porque sou político e com mais experiência do que eu fazia, com a experiência de presidente da República”, destacou.

Financiamento

Um dos principais assuntos tratados entre os presidentes Lula e Hugo Chávez, hoje (28), no Palácio do Itamaraty, foi o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de US$ 1 bilhão para que uma empresa brasileira construa um estaleiro na Venezuela.

Segundo o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, o estaleiro produzirá navios para atender à grande demanda que surgirá a partir da entrada em funcionamento da exploração de petróleo na camada pré-sal do litoral brasileiro.

"A demanda de navios para atender às inúmeras necessidades desse trabalho", disse Garcia, "será de tal ordem que hoje o conjunto da produção mundial não tem capacidade para atender". O projeto do pré-sal, segundo o assessor de Lula, dará grande impulso à indústria naval brasileira que, nos últimos sete anos, cresceu cerca de dez vezes.

Garcia disse que será possível, a partir do futuro estaleiro venezuelano, estimular a indústria naval na América Latina. "Isso é muito importante", disse "porque demonstra que o desenvolvimento do Brasil 'puxa' o dos outros países da região".

Segundo o assessor da Presidência da República, o Brasil não quer ser uma ilha de prosperidade - "uma ilha industrializada" - cercada de países com dificuldades econômicas. Garcia também disse que ainda não é possível saber qual será a empresa responsável pela construção do estaleiro na Venezuela.

"O Brasil", afirmou, "não tem preferência por nenhuma empresa. Os projetos são decididos pelo governo venezuelano, que tem seus próprios critérios em relação ao assunto".

Camiseta da seleção

Durante a visita do colega venezuelano, Lula presenteou Chávez com uma camisa da seleção brasileira de futebol autografada pelos jogadores. Bem-humorado, Chávez afirmou que a sorte do Brasil era que a seleção venezuelana não havia se classificado para a Copa do Mundo.

“O Brasil teve sorte porque a Venezuela não se classificou para a Copa do Mundo”, brincou Chávez, agradecendo a camisa e dirigindo-se a Lula. “Amanhã as seleções da Venezuela e da Bolívia vão jogar. Vou vestir esta camisa”.

Demonstrando acompanhar o futebol, Chávez ao ver o número 6, lembrou que no passado foi o utilizado pelo jogador Roberto Carlos (do Corinthians).

A reunião entre Lula e Chávez atrasou mais de quatro horas. Com isso, o almoço que ocorreria ao meio-dia foi realizado por volta das 16 horas. Demonstrando estar com fome, o presidente brasileiro brincou: “Hoje me dei conta que saí sem relógio e a gente ainda nem almoçou”. O venezuelano, que é conhecido por seus longos discursos e entrevistas, não se fez de rogado. “[O problema] é que você [Lula] fala muito e perde a hora”.

*Com informações da Agência Brasil

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