Polícia paraguaia investiga chassi de carro usado no atentado e ligação dos envolvidos com o PCC

Do UOL Notícias
Em São Paulo

A promotora Lourdes Peña, que investiga o atentado contra o senador paraguaio Robert Acevedo, na cidade de Pedro Juan Caballero, capital do departamento de Amambay, na fronteira com o Mato Grosso do Sul, informou nesta quarta-feira (28) que os peritos criminalistas trabalham para descobrir os números originais do chassi da caminhonete Ford Ranger prata, usada pelos criminosos para atirar contra o senador. “Já temos três ou quatro números do chassi original”, disse ela à rádio local 650 AM.

Ontem, Peña havia dito que a caminhonete usada no crime foi abandonada perto de uma creche da cidade e queimada. Ela tinha placa de São Paulo e, segundo a polícia civil brasileira, foi clonada, porque o carro com o código original circulava no dia do crime pela capital paulista.

A promotora afirmou que não descarta nenhuma hipótese, mas está investigando a ligação dos dois brasileiros presos na noite de segunda-feira (26) com a caminhonete, o tráfico de drogas e a facção criminosa paulista PCC (Primeiro Comando da Capital). Marcos Cordeiro Pereira, 34, e Eduardo da Silva, 27, moravam a pouco tempo na cidade e foram acusados de tentar matar o senador paraguaio.

Em entrevista ao UOL Notícias ontem, ela explicou que “diversos indícios” apontam para a participação dos dois brasileiros no crime. De acordo com ela, Pereira morava na cidade há três meses, não tinha trabalho conhecido e residia em uma casa “suspeita” de abrigar narcotraficantes. Segundo a polícia brasileira, ele tinha antecedentes por roubo e tráfico de drogas. Já Silva teria se mudado para Pedro Juan Caballero há seis ou sete meses e morava com uma mulher brasileira.

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Com eles, foram encontrados sete veículos "de origem duvidosa", alguns com placas de São Paulo e três com chapas adulteradas.

A polícia local também apreendeu hoje novas evidências do crime, que foram apresentadas ao Ministério Público de Pedro Juan. Segundo o jornal ABC, na casa de uma pessoa identificada como Marcos Lugo foram encontrados umas pistola 9 mm, dois carregadores, duas caixas de munições e três motos de origem brasileira. Lugo não foi localizado pela polícia, porque estaria em São Paulo.

À imprensa paraguaia, o senador disse acreditar que traficantes brasileiros e paraguaios se uniram para matá-lo e, embora a polícia tenha informado que os suspeitos moram na região há alguns meses, defendeu que os criminosos foram até o Paraguai apenas para matá-lo.

Horas antes de sofrer um atentado e sobreviver a mais de 40 tiros de fuzil, Acevedo havia desafiado os traficantes da cidade. Em entrevista à rádio Amambay, ele chegou a dizer: “Se são machos, que venham a minha casa, eu os vou receber, bandidos. Se tentarem fazer algo, eu tenho os nomes dos que podem tentar isso. A mim não me agarram esses traficantes de merda.”

Segundo a imprensa paraguaia, o senador se recusa a deixar a região e ser transferido para uma clínica na capital paraguaia Assunção.

“Fico [em Juan Caballero] para que não seja uma vitória do narcotráfico. Para a tranquilidade da minha família. Logo vou me recuperar bem e, um pouco depois, vou até a capital [Assunção] para voltar ao meu trabalho no Senado”, declarou Acevedo a rádio paraguaia 780 AM.

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