Polícia paraguaia prende mais dois brasileiros suspeitos de envolvimento em atentado a senador

Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias
Em São Paulo

A Prefeitura de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, município que faz divisa com a cidade de Pedro Juan Caballero, capital do departamento de Amambay (Paraguai), informou nesta quarta-feira (28) que mais dois brasileiros foram presos pela polícia paraguaia por suspeita de envolvimento no atentado contra o senador Robert Acevedo. O nome dos brasileiros ainda não foi divulgado.

Departamentos em estado de exceção*

Segundo o secretário municipal de Turismo e Integração, Marcelino Nunes, os dois detidos estão sendo interrogados pela polícia de Pedro Juan Caballero. "Estamos acompanhando o caso, porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai se encontrar com o presidente Fernando Lugo no próximo dia 3, aqui na região", explicou ele.

De acordo com informações do jornal paraguaio ABC, os brasileiros tentavam chegar à casa de um suposto traficante de drogas, no bairro de Maria Victoria, usando um Gol branco, e há suspeitas de que eles são integrantes da facção criminosa paulista PCC (Primeiro Comando da Capital).

Investigação
Ontem, o governo do Paraguai confirmou que outros dois brasileiros --Marcos Cordeiro Pereira, 34, e Eduardo da Silva, 27 --foram presos em Pedro Juan Caballero, suspeitos de tentar matar o senador. Eles estavam em uma casa do bairro de Obrero e vivam há alguns meses na região.

Segundo a promotora Lourdes Peña, que investiga o atentado, os peritos criminalistas trabalham para descobrir os números originais do chassi da caminhonete Ford Ranger prata, usada pelos criminosos para atirar contra o senador. “Já temos três ou quatro números do chassi original”, disse ela à rádio local 650 AM. Ontem, ela havia dito que a caminhonete usada no crime foi abandonada perto de uma creche da cidade e queimada. Ela tinha placa de São Paulo e, segundo a polícia civil brasileira, foi clonada, porque o carro com o código original circulava no dia do crime pela capital paulista.

A promotora afirmou que não descarta nenhuma hipótese, mas está investigando a ligação dos dois brasileiros presos na noite de segunda-feira (26) com a caminhonete, o tráfico de drogas e o PCC. 

Em entrevista ao UOL Notícias ontem, ela explicou que “diversos indícios” apontam para a participação dos dois brasileiros no crime. De acordo com ela, Pereira morava na cidade há três meses, não tinha trabalho conhecido e residia em uma casa “suspeita” de abrigar narcotraficantes. Segundo a polícia brasileira, ele tinha antecedentes por roubo e tráfico de drogas. Já Silva teria se mudado para Pedro Juan Caballero há seis ou sete meses e morava com uma mulher brasileira.

Com eles, foram encontrados sete veículos "de origem duvidosa", alguns com placas de São Paulo e três com chapas adulteradas.

A polícia local também apreendeu hoje novas evidências do crime, que foram apresentadas ao Ministério Público de Pedro Juan. Segundo o jornal ABC, na casa de uma pessoa identificada como Marcos Lugo foram encontrados umas pistola 9 mm, dois carregadores, duas caixas de munições e três motos de origem brasileira. Lugo não foi localizado pela polícia, porque estaria em São Paulo.

À imprensa paraguaia, o senador disse acreditar que traficantes brasileiros e paraguaios se uniram para matá-lo e, embora a polícia tenha informado que os suspeitos moram na região há alguns meses, defendeu que os criminosos foram até o Paraguai apenas para matá-lo.

Visita de Lugo
As prisões acontecem no momento em que o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, visita a cidade e o senador. Ele chegou à clínica onde Acevedo está internado por volta de 11h30 e estava acompanhado de uma comitiva de ministros. As informações são do Última Hora.

Antes, o presidente passou pela cidade de Concepción, no distrito vizinho de mesmo nome, onde, segundo o jornal ABC, reuniu-se com o governador da região, Emilio Pavón, para discutir a adoção do estado de exceção no distrito. Depois de passar por Pedro Juan, Lugo segue para o distrito de San Pedro. 

O presidente tentou acalmar os governantes locais, dizendo que o estado de exceção não é igual ao estado de sítio que foi adotado durante a ditadura. "Os direitos humanos serão respeitados", afirmou.

Já o ministro do Interior, Rafael Filizzola, que acompanha a comitiva, afirmou ainda que o atentado ao senador "é um ataque da máfia contra o Estado paraguaio" e que a guerrilha EPP (Exército do Povo do Paraguai) "não é a única ameaça ao país". Para ele, o crime é "um chamado de atenção" e reforça as medidas de segurança adotadas.

No último sábado, o presidente Lugo promulgou a medida que determina a suspensão do estado de direito por 30 dias em cinco departamentos (estados) do Paraguai (veja mapa). A decisão veio depois que supostos membros do EPP mataram quatro pessoas, entre as quais dois brasileiros, em uma fazenda no nordeste do país, região próxima da fronteira com o Brasil.

A medida de exceção dá mais liberdade de ação para militares, suprime direito de livre associação e permite prisões arbitrárias e foi utilizada de modo traumático pelo governo ditatorial de Alfredo Stroessner (1954-1989), durante o qual foram registrados sequestros e desaparecimento de opositores políticos. 

Ontem, o chefe do Gabinete Civil da Presidência do Paraguai, Miguel López Perito, afirmou que o esquema de segurança na cidade de Pedro Juan Caballero foi redobrado depois do atentado contra o senador Acevedo.

Ligação com outro crime
A polícia do Paraguai aguarda o resultado de um teste de parafina, que produz moldes de vestígios encontrados na cena do crime, para saber se o assassinato de dois jovens em Yby Yau, no distrito de Concepción, também na fronteira com o Mato Grosso do Sul, está relacionado com o atentado contra o senador Robert Acevedo, na mesma região. 

Nesta terça-feira (27), os corpos de Domingo Achar, conhecido como "Mingo", e Brígido Achar , chamado de "Kiko", foram encontrados na colônia de Ñepytyvô, em Yby Yau. Eles eram primos, tinham 22 anos e foram mortos com tiros nas costas. Mingo recebeu oito tiros e Kiko, 5. As informações são do portal paraguaio Última Hora.

A procuradora Filomena Benítez, responsável pelo caso, acredita que as provas podem revelar se os crimes foram encomendados pelo mesmo grupo. "Até o momento não temos dados sobre os autores da execução de ontem, mas esperamos o depoimento dos familiares para obter mais informações", disse ela à rádio 780 AM.

Um dos mortos tinha uma máscara de esqui no bolso da calça. A polícia acredita que eles seriam matadores da máfia local, que estariam planejando um atentado por encomenda em Concepción, mas foram delatados e assassinados antes.

 

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