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Protestos espantam turistas brasileiros de Bancoc e provocam prejuízo de US$ 4 milhões por dia na Tailândia

Cerca de 90 mil opositores do primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva, conhecidos como "camisas vermelhas", protestam nas ruas de Bancoc pela renúncia do premiê; veja fotos - Damir Sagolj/Reuters
Cerca de 90 mil opositores do primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva, conhecidos como "camisas vermelhas", protestam nas ruas de Bancoc pela renúncia do premiê; veja fotos Imagem: Damir Sagolj/Reuters

Fabiana Uchinaka<br> Do UOL Notícias<br> Em São Paulo

01/05/2010 07h00

Protestos violentos e tingidos com sangue, barricadas e arames farpados, explosões e mortes, centenas de feridos. As imagens das enormes marchas organizadas pelos "camisas vermelhas", manifestantes de oposição ao atual governo da Tailândia, assustaram os turistas.

Segundo dados da embaixada da Tailândia no Brasil, houve uma redução de 10% na receita gerada pelos viajantes no país e a indústria do turismo está perdendo cerca de US$ 4,2 milhões por dia com os protestos, que já provocaram 26 mortes e deixaram mais de 1.000 feridos, além de fechar shoppings e hotéis.

Raio-x da Tailândia:

  • Nome oficial: Reino da Tailândia
    Capital: Bancoc
    Tipo de Governo: Monarquia Constitucional
    População: 65.998,436
    Idiomas: Tailandês, inglês, dialetos étnicos e regionais
    Grupos étnicos: Tailandeses 75%, chineses 14% e outros 11%
    Religiões: Budistas 94.6%, muçulmanos 4.6%, cristãos 0.7%, outros 0.1%
    Fonte: CIA Factbook

Para a Autoridade do Turismo da Tailândia (ATT), os prejuízos acumulados com a crise política, que já dura mais de um mês, poderão ser amenizados com o sólido aumento na procura do país por turistas europeus, que fogem do inverno no hemisfério norte. Mas, a falta de viajantes certamente provocará impacto na economia local.

Na Tailândia, a indústria do turismo corresponde a 6% do Produto Interno Bruto (PIB) e emprega cerca de 31,5 milhões de pessoas. Além de ser ponto turístico, a capital Bancoc centraliza os voos para outros lugares do sudeste asiático, como Camboja, Laos, Vietnã e Malásia e, por isso, o medo de passar por ali afetaria também outros destinos.

“Em dezembro de 2008, quando os manifestantes tomaram os aeroportos de Bancoc, o Camboja deixou de receber 30% do turismo previsto para aquele ano”, lembrou a gerente de destinos especiais da agência de turismo Queensberry, Marcia Sztajn.

No Brasil, as agências de turismo recomendam atenção, mas dizem que a situação está sob controle e não é o caso de desmarcar as viagens.

“As manifestações são quase diárias, mas se restringem a Bancoc e a áreas não turísticas. Por isso, os passeios não têm sido afetados. Os nossos passageiros voltaram de lá dizendo não ter visto nada”, afirmou Eliane Barzilay, consultora para Ásia da operadora Designer Tours. “No entanto, os desdobramentos e o futuro da insatisfação [dos manifestantes] são completamente desconhecidos”, completou.

Na Queensberry, a procura por viagens à Tailândia é grande e corresponde a cerca de 20% dos cerca de 300 grupos que visitam o sudeste asiático todos os anos. A agência informou que ainda não foram registrados cancelamentos. Segundo Sztajn, a empresa considera que o momento é tenso e requer atenção, mas não é uma situação de “banning” (recomendação para que as viagens aos países sejam suspensas).

“A questão da segurança dentro da indústria do turismo é um tópico que acompanhamos atentamente. Hoje, os principais focos dos "camisas vermelhas" estão no centro financeiro e próximos ao skytrain [trem elevado de Bancoc]. Nos últimos dias, o rei [Bhumibol Adulyadej] se manifestou e acreditamos que há uma tendência de voltar à normalidade. Por isso, não colocamos nenhuma restrição”, afirmou.

No entanto, a operadora Raidho, especializada em destinos "exóticos", foi mais radical. “Estamos tirando os nossos turistas de Bancoc e levando para outras cidades, como Ayuthaya [a 78 km ao norte da capital]. E para quem tem conexão no aeroporto de Bancoc pedimos que não visitem a cidade”, contou a coordenadora de projetos da operadora, Caroline Nedelciu.

A recomendação da Embaixada do Brasil na Tailândia é de que os brasileiros evitem passar por Bancoc nos próximos dias “em virtude da crise política no país e do potencial de violência, especialmente na capital".

A representação informou que granadas, bombas e tiros foram registrados nos recentes ataques contra prédios governamentais na capital e em algumas províncias da região. “Não se pode descartar a possibilidade de que venham a ocorrer eventos que ponham em risco a segurança física da população e de visitantes”, disse, em nota, após atentado próximo a estação do skytrain, no dia 22, que deixou um morto e 86 feridos.

No dia seguinte à explosão, o rei Adulyadej, 82, que está hospitalizado desde setembro do ano passado, falou pela primeira vez sobre a crise e afirmou que todos devem desempenhar suas funções fielmente e ajudar a manter o país estável.

Já o governo tailandês afirmou que esperava resolver o problema pacificamente, mas que não pode permitir que os protestos continuem sem prazo para terminar.

A Tailândia está imersa em uma profunda crise política, fruto da luta entre os detratores e seguidores de Thaksin Shinawatra, deposto no levante de 2006 após governar por quase seis anos.

Os “camisas vermelhas” são formados principalmente de membros das camadas mais baixas, camponeses, apoiadores do ex-primeiro-ministro Shinawatra e ativistas pró-democracia que se opunham ao golpe militar que o derrubou em 2006. Eles acreditam que o governo do primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva é apoiado pela elite urbana e ilegítimo.

Exilado e foragido da Justiça tailandesa, o milionário Shinawatra, condenado na Tailândia a dois anos de prisão por corrupção e abuso de poder, dirige e financia os protestos.

Tradutor: Agências ignoram violência na Tailândia

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