Crise econômica ofusca agenda de verdes e antiguerra nas eleições britânicas

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em Londres

O plano era incomodar os partidos tradicionais com sua falta de agenda para o meio-ambiente e para dar fim às guerras no Iraque e no Afeganistão. Até que a crise econômica acabou com as agendas do Partido Verde e do movimento Respect nas eleições britânicas de 2010. Na quinta-feira (6), o objetivo de ambos será eleger ao menos um parlamentar – o que já será excelente dadas as escassas chances. 

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A disputa pelo controle do Parlamento, composto por 650 assentos, deixou em evidência os três principais partidos. Nas pesquisas, a liderança é do conservador David Cameron, com os trabalhistas de Gordon Brown e os liberais-democratas de Nick Clegg dividindo a segunda posição no voto geral.

Os verdes somam cerca de 6%, talvez insuficientes para eleger representantes no complexo sistema eleitoral britânico. O anti-guerra e esquerdista Respect, focado em Londres, tem ainda menos percentual nas sondagens, mas tem mais chances de reeleger seu único parlamentar: o ex-trabalhista George Galloway.

Pela primeira vez, os verdes lançaram sua plataforma de governo em um grande evento – os principais partidos britânicos chamam esse ato de “lançamento do manifesto”. O Respect, ligado à esquerda, se esforçou para manter em pé a bandeira anti-guerra, por ser crítico tanto da invasão do Iraque como da guerra do Afeganistão.

Os eleitores, no entanto, indicam que desaguarão seu desejo de mudança até o momento no Partido Liberal-Democrata, do popular líder Nick Clegg, que é a terceira via entre o conservador Cameron e o trabalhista Brown.

Sem espaço

Cerca de 15 assentos no Parlamento devem ficar com candidatos de grupos nacionalistas do País de Gales, da Escócia e da Irlanda do Norte – o que diminui as chances de vitória de partidos fundados em torno de agendas sociais, de acordo com o professor Simon Hix, cientista político da London School of Economics (LSE).

“A crise econômica prejudicou a chance de eles discutirem seus assuntos preferidos. Em um sistema que privilegia os partidos de abrangência nacional e os que têm questões nacionalistas muito fortes, será difícil que eles consigam qualquer coisa representativa neste ano”, disse ele ao UOL Notícias.

Para tentar refrescar a imagem e oferecer novidades, tanto os verdes como o Respect indicaram mulheres como suas principais líderes. No lado do Partido Verde britânico, Caroline Lucas, eleita três vezes seguidas para o Parlamento europeu, recebeu a incumbência. No Respect, uma das primeiras vereadoras muçulmanas do país ocupa a função: Salma Yaqoob. “É muito pouco para ofuscar a questão econômica”, diz Hix.

Se na França e na Alemanha os verdes e a esquerda mais dura estão na moda, nas ilhas britânicas a estratégia desses grupos é apenas não desaparecer até as próximas eleições, que podem demorar meses – caso não haja um governo com maioria clara – ou até cinco anos.

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