Eleição britânica está indefinida, mas conservadores levam vantagem, dizem pesquisas

Maurício Savarese
Do UOL Notícias

Em Londres

Parlamento a céu aberto rechaça conservadores; brasileiros temem mudanças

As pesquisas de véspera de eleição no Reino Unido indicaram nesta quarta-feira (5) que o Partido Conservador deve ter a maior bancada no Parlamento de 650 assentos, mas em número insuficiente para que o líder David Cameron garanta o cargo de próximo primeiro-ministro – uma vez que os trabalhistas do premiê Gordon Brown ainda poderiam tentar uma coalizão com os liberais-democratas de Nick Clegg.

De acordo com a pesquisa YouGov, os conservadores devem ter entre 300 e 310 assentos na Câmara dos Comuns (análoga à Câmara dos Deputados). Os trabalhistas ficaram entre 230 e 240 cadeiras, enquanto os liberal-democratas obteriam entre 75 e 85 parlamentares. Outros partidos –que se dividem entre os temáticos, como o verde e a extrema-direita, e os nacionalistas galeses, escoceses e norte-irlandeses– teriam cerca de 30 representantes eleitos na votação desta quinta-feira (6).


Os números dessa sondagem embolaram a disputa ontem, já que os liberal-democratas, que na quarta-feira somaram 28% das intenções, despencaram para 24%. Os trabalhistas, que ocupam o poder desde 1997, apareceram com 28%, dois pontos percentuais a menos que na véspera. Os conservadores, diz a YouGov, somavam 35% e avançaram para 37%. As principais pesquisas eleitorais britânicas são feitas por telefone, um método controvertido para antecipar resultados com precisão.

“Se isso estiver certo, David Cameron deverá ser o primeiro-ministro na noite de sexta-feira, na chefia de um governo de minoria”, disse o presidente da YouGov, Peter Kellner, em seu site. No Reino Unido, não há um governo de minoria desde a década de 70, quando os trabalhistas governavam com apoio tácito de um dos partidos que fundou os liberais-democratas. A expectativa de analistas políticos e do mercado financeiro é que o mesmo aconteça desta vez –se os números forem mesmo confirmados.

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A pesquisa ComRes apontou resultado semelhante: 37% para os conservadores e 28% tanto para trabalhistas como para liberal-democratas. A sondagem Guardian/ICM indica 36% para o partido de Cameron, 28% para o de Brown e 26% para o de Clegg. Por conta do sistema eleitoral distrital do Reino Unido, apenas os dois partidos mais tradicionais têm chances de indicar um de seus membros como primeiro-ministro.

A divulgação dos números surge depois de Cameron passar as últimas 24 horas percorrendo o país. Brown, que começou sua jornada junto do conservador, deve fazer o mesmo até o início desta quinta-feira. Mesmo que seu partido evite uma maioria qualificada da oposição no Parlamento, a tendência é que ele deixe a liderança dos trabalhistas logo depois das eleições – abrindo espaço para um novo dirigente que negociaria com os liberal-democratas ou conduziria a oposição dali em diante.

 

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