Britânicos comparecem em massa às urnas na mais disputada eleição em décadas

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em Londres

O início da campanha eleitoral, há pouco mais de um mês, indicava que os britânicos não estavam interessados em política. Mas nesta quinta-feira (6) as filas se alongavam por todo o país para eleger seu novo líder, cargo disputado pelo conservador David Cameron, o trabalhista Gordon Brown e o liberal-democrata Nick Clegg.

CONHEÇA O PERFIL DOS CANDIDATOS

  • Gordow Brown, do partido trabalhista

  • David Cameron, do partido conservador

  • Nick Clegg, do partido liberal-democrata

Antes do primeiro debate dos líderes partidários na televisão – o que aconteceu pela primeira vez na história do país – a expectativa era de que menos de 60% dos 44 milhões aptos a irem às urnas comparecessem, já que no Reino Unido o voto não é obrigatório. Perto do fechamento das urnas, no entanto, a expectativa era de comparecimento na faixa dos 70%.

Mais de 50 mil zonas de votação estarão abertas até as 22h do horário local (18h de Brasília). Muitas delas, especialmente em cidades menores, são bares, salões de beleza, casas de chá e até castelos. Não há lei seca no Reino Unido, mas nesses bares-eleitorais o funcionamento será permitido apenas depois da votação. Na capital, centros comunitários de bairro concentram o trabalho.

Segundo integrantes de locais de votação na zona oeste de Londres, a maioria das pessoas votou cedo ou espera para votar depois do trabalho.

As casas de apostas, que muitas vezes funcionam como termômetros melhores do que os institutos de pesquisa, também indicaram o maior comparecimento. A Ladbrokes indicou que a maior mudança nas suas apostas se deu nesse caso: antes pagava 15 libras (cerca de R$ 45) para cada 8 investidas. À tarde, o número mudou para 5 libras para cada 4 investidas.

Quadro da disputa
Cameron é o favorito na disputa. Uma pesquisa YouGov divulgada na quarta-feira (5) indicou que os conservadores devem ter entre 300 e 310 assentos. Os trabalhistas teriam entre 230 e 240 cadeiras, enquanto os liberal-democratas obteriam entre 75 e 85 parlamentares. Esses números, entretanto, são insuficientes para dar ao potencial vitorioso a maioria necessária para governar.

Outros partidos –que se dividem entre os temáticos, como o verde e a extrema-direita, e os nacionalistas galeses, escoceses e norte-irlandeses– teriam cerca de 30 representantes. Nessas regiões, por conta da divisão entre separatistas e unionistas, o comparecimento sempre tende a ser maior do que na Inglaterra.

O sistema de voto britânico também permite voto por correio. Os candidatos não recebem votos individualmente, exceto pelos distritos onde concorreu diretamente. Cada votante pertence a uma região eleitoral, de acordo com uma divisão feita pelo governo, e elege um representante para o Parlamento, composto por 650 assentos.

É ali, na Câmara dos Comuns (análoga à Câmara dos Deputados), que o líder do partido vitorioso recebe o convite para formar seu gabinete de governo. Se houver maioria clara no Parlamento, um novo primeiro-ministro assumiria já na sexta-feira (7). Brown, mesmo se tiver minoria, teria direito constitucional de tentar formar seu governo, mas pode se ver obrigado a desistir de uma manobra desse tipo.

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