Candidatos votam nas eleições britânicas; até bares e castelo recebem zonas eleitorais

Maurício Savarese

Do UOL Notícias<br>Em Londres

Candidatos britânicos são alvos de descrença e chacota nos tabloides e em jogos na web

Os três principais candidatos a primeiro-ministro britânico votaram até as 11h30 (7h30 no horário de Brasília) desta quinta-feira (6) na mais acirrada eleição da história recente do Reino Unido. Em um estilo bastante diferente das votações brasileiras, saíram sem dar declarações nem exibiram hordas de seguidores gritando seus nomes.

O primeiro a votar, pouco depois da abertura das urnas às 7h00, foi o líder conservador David Cameron, que aparece nas pesquisas como favorito na disputa contra o premiê trabalhista Gordon Brown e o liberal-democrata Nick Clegg. Em Oxfordshire, a 70 km de Londres, dois manifestantes gritaram contra ele.

Pouco depois votou o primeiro-ministro Brown, que pode deixar o governo na sexta-feira e a liderança de seu partido – necessária para comandar Downing Street 10, sede do Poder Executivo britânico. O trabalhista votou em West Fife, na Escócia, a mais de 500 km da capital do Reino Unido.

Mais assediado, embora tenha poucas chances de ser o próximo primeiro-ministro, Clegg votou em Sheffield, a cerca de 200 km de Londres, acompanhado de sua mulher espanhola, que está entre os mais de 44 milhões de britânicos aptos a votar.

No Reino Unido o sufrágio não é obrigatório, o que levou as campanhas a comemorarem o dia agradável na maior parte do país, incentivando o alto comparecimento que esperam. Há poucas semanas, os partidos temiam que o desinteresse gerasse presença de apenas 60% da população, mas os números foram revisados depois do acirramento da disputa.

A pesquisa YouGov divulgada na quarta-feira (5) indicou que os conservadores devem ter entre 300 e 310 assentos. Os trabalhistas teriam entre 230 e 240 cadeiras, enquanto os liberal-democratas obteriam entre 75 e 85 parlamentares. Outros partidos –que se dividem entre os temáticos, como o verde e a extrema-direita, e os nacionalistas galeses, escoceses e norte-irlandeses– teriam cerca de 30 representantes.

“Se isso estiver certo, David Cameron deverá ser o primeiro-ministro na noite de sexta-feira, na chefia de um governo de minoria”, disse o presidente da YouGov, Peter Kellner, em seu site.

Bares eleitorais

Mais de 50 mil zonas de votação estarão abertas até as 22h (horário local). Muitas delas, especialmente em cidades menores, são bares, salões de beleza e até castelos. Não há lei seca no Reino Unido, mas nesses bares-eleitorais o funcionamento será permitido apenas depois da votação.

O sistema de voto britânico também permite voto por correio. Os candidatos não recebem votos individualmente, exceto pelos distritos onde concorreu diretamente. Cada votante pertence a uma região eleitoral, de acordo com uma divisão feita pelo governo, e elege um representante para o Parlamento, composto por 650 assentos. É ali, na Câmara dos Comuns (análoga à Câmara dos Deputados), que o líder do partido vitorioso recebe o convite para formar seu gabinete de governo.

A expectativa é de que os resultados saiam por volta da meia-noite em Londres. Caso Brown saia derrotado, Cameron daria fim ao governo de 13 anos do Partido Trabalhista já na sexta-feira (7). Um Parlamento dividido pode gerar negociações que durariam vários dias – o que causa temor de paralisia administrativa.

Se um dos candidatos não tiver maioria clara, há a opção de um governo de coalizão – raramente exercida pelos políticos britânicos – e a de um governo de minoria, com apoio tácito de um dos partidos. Se isso acontecer nas eleições de 2010, o endosso não oficial provavelmente virá de Clegg.

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