Conservadores vencem eleições britânicas, mas não garantem maioria, apontam pesquisas boca de urna

Maurício Savarese*
Do UOL Notícias

Em Londres

Entenda como funciona um Parlamento sem maioria

Desde a Segunda Guerra, houve apenas uma exceção à regra de que no Reino Unido não se elege parlamentos sem maioria clara.

Atualizada às 23h11

As primeiras pesquisas de boca de urna sobre as eleições britânicas apontam que o Parlamento não terá uma maioria decisiva para indicar o próximo primeiro-ministro, mas os conservadores terão a principal bancada.

Segundo a última sondagem Ipsos/Mori, o partido do líder David Cameron deve ter 305 assentos, enquanto os trabalhistas do premiê Gordon Brown ficarão com 255 cadeiras. Se confirmado, o resultado deixaria os conservadores com 21 cadeiras a menos que as 326 necessárias para ter maioria na Câmara dos Comuns (análoga à Câmara dos Deputados brasileira).

Projeções da emissora de TV americana CNN e da BBC também apontam a liderança dos conservadores.

Conheça o perfil dos candidatos

  • Gordow Brown, do partido trabalhista

  • David Cameron, do partido conservador

  • Nick Clegg, do partido liberal-democrata

A maior surpresa da pesquisa Ipsos, feita com eleitores de mil pontos do país, é o resultado dos liberal-democratas, do líder Nick Clegg, que esperavam eleger quase 90 parlamentares, mas ficariam com apenas 61. Outros partidos, ligados a temas como meio ambiente e imigração ou a questões nacionalistas, somariam 29 cadeiras.

Candidatos se manifestam
Em seguida a sua reeleição como membro do Parlamento, Cameron disse que “os trabalhistas claramente perderam seu mandato para governar”, mas evitou declarar vitória, usando expressões como “o que quer que aconteça” e “o que quer que o futuro reserva”. “O país quer mudança. Isso exigirá nova liderança. E o que quer que aconteça faremos de tudo para trazer um governo estável e bom para o nosso país”, disse o conservador.

Já Brown, também com reeleição garantida, fez um discurso moderado e sem ar de triunfalismo, como aconteceu nas votações anteriores. “O resultado não é sabido ainda, mas é meu dever cumprir minha parte e desempenhar o meu papel para que o Reino Unido tenha um governo digno”, afirmou em pronunciamento.

O resultado, se confirmado, acaba com a maioria dos trabalhistas nos últimos 13 anos, o que pode dar fim ao governo de Brown e colocar Cameron em seu lugar já na sexta-feira em uma chamada gestão de minoria. Ainda há a possibilidade de os trabalhistas seguirem no comando -possivelmente sem o atual premiê - no caso de uma aliança com os liberal-democratas.

Mais de 50 mil zonas de votação fecharam às 22h do horário local (18h de Brasília). Muitas delas, especialmente em cidades menores, são bares, salões de beleza, casas de chá e até castelos. Não há lei seca no Reino Unido, mas nesses bares-eleitorais o funcionamento é permitido apenas depois da votação. Na capital, centros comunitários de bairro concentram o trabalho.

Segundo integrantes de locais de votação na zona oeste de Londres, a maioria das pessoas votou cedo ou esperou para fazer isso depois do trabalho.

As casas de apostas, que muitas vezes funcionam como termômetros melhores do que os institutos de pesquisa, também indicaram o maior comparecimento. A Ladbrokes indicou que a maior mudança nas suas apostas se deu nesse caso: antes pagava 15 libras (cerca de R$ 45) para cada 8 investidas. À tarde, o número mudou para 5 libras para cada 4 investidas.

O sistema de voto britânico também permite voto por correio. Os candidatos não recebem votos individualmente, exceto pelos distritos onde concorreu diretamente. Cada votante pertence a uma região eleitoral, de acordo com uma divisão feita pelo governo, e elege um representante para o Parlamento, composto por 650 assentos.

Quadro da disputa
Com o atual resultado, sem maioria definida, o primeiro-ministro Gordon Brown, trabalhista, teria a primazia de tentar montar uma coalizão, mas analistas acham que o cenário mais provável será um governo minoritário liderado pelo conservador David Cameron.

"Cameron vai tentar aprovar programas de políticas públicas, demonstrar sua competência e então convocar uma segunda eleição neste outono ou na próxima primavera (boreais)", disse Mark Mark Wickham-Jones, professor de ciência política da Universidade de Bristol.

Fontes ligadas ao premiê, no entanto, disseram a agências de notícias e à BBC que Brown tentará formar uma coalizão anti-conservadora com os liberais-democratas.

Campanha
A campanha foi marcada por algo inédito na política britânica: uma série de três debates televisionados entre os principais candidatos a primeiro-ministro, algo comum em regimes presidencialistas. Os debates injetaram vibração na campanha e contribuíram com um elevado comparecimento às urnas.

Cameron passou anos à frente nas pesquisas, mas teve sua vantagem reduzida desde o começo do ano, já que o eleitorado aparentemente hesitou em aceitar as mudanças que ele prometia após 13 anos de governo trabalhista.

Brown, que substituiu Tony Blair como primeiro-ministro em 2007, teve uma breve lua de mel com o eleitorado, mas viu sua popularidade afinal ser atingida pelos efeitos da recessão e da desgastante guerra do Afeganistão.

A equação eleitoral ficou ainda mais complicada com a aparente ascensão do Partido Liberal-Democrata, depois do bom desempenho de seu líder Nick Clegg nas pesquisas.

*Com informações das agências internacionais

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