Bancada conservadora supera 300 no Reino Unido e fortalece Cameron como premiê

Maurício Savarese

Do UOL Notícias<br>Em Londres

  • Ian Nicholson/AP

    Conservador David Cameron faz "ampla oferta" para atrair o apoio dos liberais-democratas

    Conservador David Cameron faz "ampla oferta" para atrair o apoio dos liberais-democratas

O resultado final das eleições britânicas, anunciado por volta das 14h (horário de Brasília) desta sexta-feira (7) indica que o Partido Conservador do líder David Cameron terá 307 cadeiras (306 cadeiras já confirmadas e mais uma dada como certa pelos conservadores, mas que será decidida somente em 27 de maio), no Parlamento – menos que o necessário para ser maioria absoluta, mas em um nível que fortalece seu argumento para ser primeiro-ministro.

Análise

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Especialistas políticos afirmaram nas últimas horas que os trabalhistas do premiê Gordon Brown, com 258 assentos, saem enfraquecidos em seu argumento de formar coalizão com os liberais-democratas de Nick Clegg porque perderam 91 cadeiras para os oposicionistas. Os conservadores estão fora do poder desde 1997.

Apesar da frustração com o resultado, o partido de Clegg, que perdeu cinco cadeiras e ficou com 58 parlamentares, definirá quem será o próximo primeiro-ministro britânico. Cameron e Brown assediaram o rival ao longo do dia para formar um governo que conte com seu apoio oficial ou tácito.

Uma aliança entre conservadores e liberais-democratas bastaria para que seja alcançada a maioria de 326 cadeiras no Parlamento – são 650 em disputa e apenas uma delas será definida daqui algumas semanas, por conta da morte de um dos candidatos. Para Brown se manter, tem de somar o grupo de Clegg e partidos pequenos mais à esquerda. Ainda assim faltarão pelo menos 10 cadeiras.

“Com os conservadores acima dos 300 parlamentares, ficará difícil explicar ao público se Brown seguir no governo. É uma derrota muito clara dos trabalhistas, embora tenha havido uma recuperação nas últimas semanas”, disse o analista político Herbet Walkinshaw, da "Sky News". “Se o resultado fosse menos favorável, talvez o primeiro-ministro parecesse mais sedutor. Mas perdendo 90 cadeiras, não parece.”

Cameron e Clegg conversaram por 10 minutos depois do almoço desta sexta-feira e prometeram manter contato, de acordo com fontes de ambos os partidos. A expectativa é que assessores deles tratem de uma agenda comum e das diferenças entre eles para saber se há perspectiva de coalizão ou de um governo de minoria conservador, sem interferência pesada dos liberais-democratas.

A expectativa de um Parlamento dividido ajudava a derrubar o mercado financeiro londrino, um dos principais do mundo. Também por conta da crise na Grécia – ameaçando a integração dos países da União Europeia -, fecharam em baixa as bolsas de valores de todo o continente, incluindo a britânica FTSE.

Em busca de um aliado decisivo

Ameaçado de perder o cargo após as eleições parlamentares, Brown não renunciou e mais cedo afirmou que o país precisa de uma reforma eleitoral imediata, a ser decidida pelo povo em um referendo. Essa é a principal demanda dos liberais-democratas, que se sentem prejudicados pelo sistema distrital de voto.

Pouco depois, Cameron fez uma oferta “grande, aberta e ampla” aos liberais-democratas, mas evitou dizer se quer o partido em uma coalizão formal ou em um tácito apoio no Parlamento, que seria concedido através da defesa de pontos em comum entre o seu partido, de centro-direita, e os do rival, centrista. O conservador falou em reforma eleitoral, mas evitou fazer compromissos públicos.

Clegg afirmou durante a manhã que os conservadores teriam direito de tentar formar seu governo, já que elegeram a maior bancada – embora minoritária. No entanto, o grupo de Cameron refuta a principal exigência dos liberais-democratas: uma ampla reforma eleitoral que viabilize a eleição de mais membros do partido, que esperava contar com 80 parlamentares no fim da eleição e deve ficar com cerca de 60.

Conservadores esperavam que Brown se pronunciasse no dia seguinte à eleição apenas para renunciar ao cargo. Como membros do governo esperavam uma derrota ainda maior, por conta do desgaste do grupo que tentava seu quarto mandato consecutivo, o premiê nem cogitou a saída.

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