Conservador pode ter apoio de ex-azarão para ser novo premiê britânico

Maurício Savarese

Do UOL Notícias<br>Em Londres

Com menos de 30 assentos no Parlamento britânico ainda em disputa, os conservadores garantiam mais de 290 cadeiras após a eleição de quinta-feira (6), um número que já impede o partido de ter a maioria absoluta para indicar o próximo primeiro-ministro. No entanto, o terceiro colocado na disputa, o liberal-democrata Nick Clegg, indicou que pode apoiá-lo contra o premiê trabalhista Gordon Brown.

Entenda como funciona um Parlamento sem maioria

Desde a Segunda Guerra, houve apenas uma exceção à regra de que no Reino Unido não se elege parlamentos sem maioria clara.

Atuais ocupantes de Downing Street 10, a sede do governo britânico, os trabalhistas somavam mais de 250 cadeiras no Parlamento – formado por 650 membros. O grupo que busca um quarto mandato consecutivo esperava abrir negociações com Clegg, líder de mais de 50 representantes liberal-democratas eleitos, para compor a primeira gestão de coalizão no Reino Unido em décadas.

Foi então que Clegg, cujo partido tem maior proximidade histórica com os trabalhistas, sinalizou que pode se alinhar com o oposicionista David Cameron. “Parece que é o Partido Conservador que teve mais votos e mais assentos, mas não uma maioria absoluta. E é por isso que acho que agora o Partido Conservador tem de provar que é capaz de buscar governar pelo interesse nacional”, afirmou.

CONHEÇA O PERFIL DOS CANDIDATOS

  • Gordow Brown, do partido trabalhista

  • David Cameron, do partido conservador

  • Nick Clegg, do partido liberal-democrata

A declaração frustra uma série de trabalhistas, que ocupam o poder no Reino Unido desde 1997. Vários deles se pronunciaram ao longo da noite em favor de uma aliança anticonservadora para evitar a chegada de Cameron ao poder.

Ainda na madrugada, Brown retornou da Escócia, onde votou, para negociar um novo gabinete em Londres. Se Clegg se alinhar com os conservadores, o bloco terá bem mais que os 326 necessários para compor uma maioria qualificada.

Em seguida a sua reeleição como membro do Parlamento, Cameron disse que “os trabalhistas claramente perderam seu mandato para governar”, mas evitou declarar vitória, usando expressões como “o que quer que aconteça” e “o que quer que o futuro reserve”.

“O país quer mudança. Isso exigirá nova liderança. E o que quer que aconteça faremos de tudo para trazer um governo estável e bom para o nosso país”, disse o conservador. Mais cedo, ele disse que os números indicados na pesquisa de boca de urna, apontando 305 parlamentares de seu partido, bastariam para governar.

Já Brown, também com reeleição garantida, fez um discurso moderado e sem ar de triunfalismo, como aconteceu nas votações anteriores. “O resultado não é sabido ainda, mas é meu dever cumprir minha parte e desempenhar o meu papel para que o Reino Unido tenha um governo digno”, afirmou em pronunciamento.

Mais de 50 mil zonas de votação fecharam às 22h do horário local (18h de Brasília). Muitas delas, especialmente em cidades menores, são bares, salões de beleza, casas de chá e até castelos. Não há lei seca no Reino Unido, mas nesses bares-eleitorais o funcionamento é permitido apenas depois da votação. Na capital, centros comunitários de bairro concentram o trabalho. 

Alta participação

A participação dos 44 milhões de aptos a votar no Reino Unido ficou em torno de 65%, de acordo com relatos iniciais, perto do nível histórico de 68%. Esperava-se que esse alto comparecimento ajudasse o partido de Clegg, a grande estrela da campanha eleitoral depois do primeiro debate transmitido pela TV entre os três candidatos. Não foi assim.

Apesar disso, centenas de eleitores foram impedidos de votar por causa de problemas que variaram entre a falta de cédulas e o atraso além das 22h, horário em que as urnas foram fechadas em todo o país.

O prefeito conservador de Londres, Boris Johnson, que costuma dar declarações polêmicas, disse que apesar do alto comparecimento “o número de eleitores serviu para punir todos os partidos, que criaram muito antagonismo entre si e estimularam as pessoas a votarem umas contra as outras”.

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