Líder liberal-democrata inicia hoje consulta ao partido para decidir se fecha com conservadores ou trabalhistas

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

  • Phil Noble/Reuters

    Partido Liberal-Democrata, de Nick Clegg, ficou em terceiro lugar nas eleições britânicas

    Partido Liberal-Democrata, de Nick Clegg, ficou em terceiro lugar nas eleições britânicas

O partido que ficou em terceiro lugar nas eleições parlamentares de quinta-feira (6) vai decidir quem será o primeiro-ministro do Reino Unido. Os conservadores conquistaram o maior número de votos, seguidos pelos trabalhistas, mas nenhum conseguiu maioria absoluta para governar. Por isso, o líder conservador David Cameron e o primeiro-ministro trabalhista, Gordon Brown, cortejam o apoio do Partido Liberal, liderado por Nick Clegg, para formar um governo de coalizão.

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Clegg inicia hoje a consulta a seu partido para decidir se embarca em um governo liderado por Cameron ou por Brown. A decisão depende de pelo menos três quartos do partido. Boa parte dos analistas arrisca que há chances maiores de uma aliança entre liberais e conservadores. Uma indicação disso está no fato de Clegg ter conversado primeiro com Cameron, e não com Brown, sucessor de Tony Blair.

"Se as discussões entre Cameron e Clegg fracassarem, então, certamente, estarei disposto a discutir com Clegg assuntos sobre os quais um entendimento poderá ser possível entre nossos dois partidos", afirmou Brown.

Um importante ponto de consenso entre conservadores e liberais é a oposição contra a proposta trabalhista de aumentar o valor para a seguridade social já a partir do ano que vem. No entanto, os conservadores refutam a principal exigência dos liberal-democratas: a reforma eleitoral que viabilize a eleição de mais membros do partido, que esperava contar com 80 parlamentares no fim da eleição e ficou com apenas 57.

Outro ponto de divergência é quanto à política econômica. Enfrentar o gigantesco déficit fiscal é um objetivo prioritário dos conservadores, uma posição contrária aos liberal-democratas e aos trabalhistas, ambos partidários de adiar os eventuais cortes de gastos até a consolidação da recuperação econômica. Não bastasse isso, os "tories" (ou conservadores) são contra a adoção do euro, enquanto os liberais a tornaram sua meta "de longo prazo".

Cameron reconheceu, apesar disso, que seu partido poderia ser flexível em certos assuntos, em benefício de uma colaboração "sincera e confiante".

Com 306 cadeiras (36,1% dos votos), os conservadores foram os que obtiveram mais votos para a Câmara dos Comuns de Westminster, frente aos 258 do ainda governante Partido Trabalhista (29,1%). Assim, o Reino Unido encontra-se pela primeira vez desde 1974 com um Parlamento sem maioria absoluta, numa situação conhecida como "hung Parliament" (Parlamento suspenso ou enforcado, sem a maioria absoluta de 326 cadeiras na Casa de 650 membros).

Numa situação como essa, o partido com maior número de cadeiras, no caso os conservadores, não tem automaticamente o direito de formar um governo: é o primeiro-ministro que está no cargo que tem esse direito. Brown permanece no cargo até ficar claro que partido ou quais partidos conseguirão maioria para governar o Reino Unido.

Não há um prazo para a formação do novo governo, embora muitos analistas considerem 25 de maio a data limite, já que nesse dia a rainha Elizabeth 2ª deve determinar, em discurso, as prioridades do governo.

Irregularidades
As eleições tiveram uma forte participação (mais de 65%), mas foram marcadas por irregularidades: a comissão eleitoral anunciou uma "investigação profunda" após centenas de eleitores serem impedidos de votar em razão das longas filas de espera.

* Com agências internacionais

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