Premiê Brown oferece renúncia no Reino Unido para evitar governo conservador

Maurício Savarese
Do UOL Notícias

Em São Paulo

  • Simon Dawson/AP

    Primeiro-ministro Gordon Brown concede entrevista em Downing Street, sede do governo britânico

    Primeiro-ministro Gordon Brown concede entrevista em Downing Street, sede do governo britânico

Atualizado às 15h45

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, ofereceu nesta segunda-feira (10) sua renúncia ao cargo para facilitar um entendimento entre os partidos trabalhista e liberal-democrata. Se isso acontecer, a união dos dois grupos reduziria as chances de um governo de minoria encabeçado pelo líder conservador, David Cameron, prolongando os 13 anos de gestão de centro-esquerda no país.

Falando diante de Downing Street 10, sede do governo, o primeiro-ministro admitiu deixar o cargo que ocupa desde 2007 por conta da derrota de seu partido nas urnas na eleição de quinta-feira (6). Na ocasião, os trabalhistas perderam mais de 90 assentos no Parlamento – composto por 650 membros – e os conservadores chegaram perto da maioria absoluta na Casa, fixada em 326 membros.

No Reino Unido, o posto de premiê é ocupado pelo líder do maior partido no Parlamento. E Brown afirmou que deixará o cargo se os liberais-democratas aceitarem um governo de coalizão com o seu partido, que está no poder desde 1997.

“Se ficar claro que o interesse nacional, que é um governo estável e com princípios, poderia ser mais bem atendido pela formação de uma coalizão entre o Partido Trabalhista e os liberal-democratas, então acredito que deveria dar início a esse movimento para formar esse governo que, na minha visão, comandaria uma maioria na Casa dos Comuns (análoga à Câmara dos Deputados)”, afirmou.

Análise

  • Impasse nas eleições britânicas ameaça economia, diz o colunista Luis Felipe de Alencastro

“Pretendo pedir ao Partido Trabalhista que dê curso aos processos necessários para sua própria eleição de liderança. Eu espero que ela seja completada em tempo para que o novo líder esteja no cargo no momento da conferência do Partido Trabalhista. Não participarei dessa disputa e não apoiarei nenhum candidato individual”, afirmou.

A conferência dos trabalhistas será em setembro. Brown não admitiu que deixaria o cargo imediatamente para não atrapalhar "os esforços de recuperação da nossa economia". As turbulências financeiras no Reino Unido foram o principal mote de campanha do seu partido.

Membros do Partido Liberal-Democrata, do carismático líder Nick Clegg, afirmaram que um compromisso com os trabalhistas seria mais adequado do que um acerto com os conservadores. Clegg negocia também uma coalizão ou, ao menos, apoio tácito, a um eventual governo de Cameron, mas os conservadores evitam fazer concessões no ponto que mais interessa aos liberais-democratas: uma nova legislação eleitoral.

Disputa
Mais tarde, Clegg afirmou que a possível renúncia de Brown é um "elemento importante" para um eventual pacto de governo entre ambos os partidos. Ainda assim, seu partido segue em tratativas com os conservadores, que ofereceram um referendo sobre mudanças na legislação eleitoral do país.

Brown, na sexta-feira, indicou que seu partido apoiaria um referendo popular para redefinir o mapa eleitoral britânico, uma vez que os liberal-democratas têm ganhado eleitores, mas esse movimento não se reflete na composição do Parlamento. Depois, cogitou-se a aprovação imediata de uma reforma, sem necessidade de aprovação popular.

Para o ex-líder conservador e porta-voz de Cameron, William Hague, os liberais-democratas terão uma escolha entre "um governo que não seria estável, que teria o segundo líder não eleito e que imporia um novo sistema de votação no Reino Unido ou eles podem se juntar aos conservadores. Os conservadores e os lib-dem teriam uma maioria de 76 parlamentares e um premiê eleito".

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos