Ahmadinejad reage a eventuais sanções contra o Irã e pede garantia de "direitos legítimos"

Renata Giraldi
Da Agência Brasil

Em Brasília

Às vésperas das discussões sobre eventuais sanções impostas ao Irã pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) – que devem ocorrer no final de junho –, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, defendeu hoje (12) a garantia do que chamou de “direitos legítimos” de seu país. Segundo ele, a nação iraniana não teme as sanções e acredita na adoção de medidas lógicas, justas e de cooperação. Mas Ahmadinejad se dispõe a conversar com os Estados Unidos e outros países, se houver demonstrações de “respeito mútuo”.

As informações são da agência oficial de notícias do Irã, a Irna. "É preciso manter em mente que, por meio do clamor público, exercer pressão sobre o Irã não pode forçar a nação iraniana a rescindir os seus princípios”, disse Ahmadinejad. “Essas resoluções [que eventualmente forem impostas pelo Conselho de Segurança da ONU] não têm qualquer valor para a nação iraniana”, afirmou. “O Irã é um reduto simbólico para o mundo e as nações oprimidas. É decisiva a iniciativa de enfrentar a arrogância global.”

Ahmadinejad faz uma série de viagens aos países próximos ao Irã. No próximo dia 15, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca com uma comitiva de ministros e assessores para uma visita de dois dias a Teerã. Para Lula, é fundamental buscar o diálogo e evitar a imposição de sanções. Segundo ele, o Irã tem o direito de desenvolver um programa nuclear próprio desde que para fins pacíficos.

No seu discurso, o presidente iraniano lembrou que houve, no passado, três sanções contra seu país, assim como várias ameaças. Segundo Ahmadinejad, todas essas medidas foram “esforços inúteis”, segundo a agência de notícias. “A nação iraniana acredita na lógica, justiça, cooperação, amizade e atitude construtiva”, disse ele.

De acordo com Ahmadinejad, se os Estados Unidos e outros países ocidentais demonstrarem “respeito mútuo”, a nação iraniana se dispõe a recebê-los. O governo do presidente norte-americano, Barack Obama, conta com o apoio de franceses, alemães e ingleses em uma campanha internacional para adotar sanções contra o Irã.

Os Estados Unidos e os demais países desconfiam que o programa nuclear iraniano esconda a produção de armas nucleares. Segundo eles, os iranianos não permitem a vistoria da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) em suas usinas. No entanto, Ahmadinejad e seus assessores negam as acusações e afirmam que as usinas foram vistoriadas em várias oportunidades.

Ahmadinejad atacou hoje os Estados Unidos, acusando-os de alterarem as regras e os regulamentos existentes para se beneficiar. Segundo ele, a intenção daquele país é atacar as nações independentes. De acordo com o iraniano, o objetivo é “monopolizar o uso da energia nuclear” e da tecnologia. O assunto será tema de discussões, no final de junho, no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

“Eles [os norte-americanos] prometeram reduzir os estoques de suas armas nucleares, mas na verdade ninguém tem informações precisas sobre suas armas nucleares e ninguém pode controlá-los”, acusou Ahmadinejad. “O Irã indicou ao mundo que os Estados Unidos não detêm mais o superpoder e não são invencíveis”, disse.

 

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