Coreia do Norte anuncia ter alcançado fusão nuclear

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

A Coreia do Norte anunciou nesta quarta-feira (12) que obteve sucesso em criar uma reação de fusão nuclear para produzir energia. No entanto, especialistas contestaram a informação.

Segundo a imprensa oficial norte-coreana, o país --que não tem capacidade para gerar eletricidade suficiente para iluminar o país no período da noite-- criou uma nova fonte de energia, comparada a um "sol artificial", para marcar o aniversário de nascimento de Kim Il-sung, o "Pai da Nação".

Kim, morto em 1994, foi proclamado "presidente eterno" da República Democrática Popular da Coreia. Seu filho, Kim Jong-il, mantém a família no governo do isolado Estado.

A mídia estatal norte-coreana frequentemente faz anúncios sobre fatos naturais que coincidem com o nascimento de seu fundador ou de seu filho. Entre eles estão o aparecimento de duplos arco-íris e que o sol nasceu tão brilhantes que fez com que a geada "explodisse" ao som de fogos de artifício.

"Talvez se dois sóis aparecerem no céu amanhã as pessoas podem acreditar no anúncio", disse Kune Y. Suh, um especialista nuclear da Universidade Nacional de Seul.

Fusão nuclear ocorre quando dois núcleos atômicos juntam-se para formar um elemento mais pesado, liberando enormes quantidades de energia. A reação ocorre no sol e em outras estrelas, e seria extremamente difícil para os cientistas controlá-la.

Ao longo dos anos, houve alegações ilusórias de cientistas que diziam ter encontrado uma fonte de energia perpétua por meio da fusão nuclear que, depois, foram refutadas.

"A fusão nuclear bem sucedida na Coreia do Norte representou um salto definitivo para o desenvolvimento de novas energias e abriu uma nova fase no desenvolvimento da tecnologia e ciência mais avançadas na nação", disse a agência de notícias norte-coreana KCNA.

Já o "Rodong Sinmun" afirma, em sua primeira página, que o "êxito da fusão nuclear é um grande acontecimento que demonstra a alta tecnologia em progresso na Coreia do Norte".

"Isso parece altamente impreciso e grosseiramente exagerado", disse Suh. "Eles provavelmente conduziram algum tipo de experimento em pequena escala."

O anúncio norte-coreano ocorre em meio à paralisação, desde o final de 2008, das negociações sobre o desarmamento nuclear do regime comunista, por iniciativa de Pyongyang, e das quais participam a Coreia do Norte, a Coreia do Sul, China, EUA, Japão e Rússia.

Em sua recente viagem à China, na semana passada, Kim Jong-il disse que trabalhará com Pequim para criar condições que favoreçam o reinício do diálogo.

Pyongyang se comprometeu em 2005 a desmantelar seu programa nuclear em troca de ajuda econômica e outros incentivos diplomáticos, mas a promessa não foi cumprida.

Acredita-se que o país tenha plutônio suficiente para fabricar seis bombas atômicas, segundo a agência de notícias sul-coreana Yonhap.

*Com informações das agências internacionais e da Folha Online

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