Premiê britânico e neoaliado esperam governar por 5 anos apesar de divergências

Maurício Savarese
Do UOL Notícias

Em São Paulo

  • Lefteris Pitarakis/AP

    Primeiro-ministro David Cameron e vice, Nick Clegg, se preparam para coletiva em Londres

    Primeiro-ministro David Cameron e vice, Nick Clegg, se preparam para coletiva em Londres

O novo premiê britânico, David Cameron, fez história em seu país nesta quarta-feira (12) ao conceder sua primeira entrevista no cargo ao lado de seu vice, o líder liberal-democrata Nick Clegg – seu rival nas eleições da semana passada e que até ontem negociava um acordo para manter o Partido Trabalhista no poder.

O último governo de coalizão no Reino Unido veio há 70 anos e não durou até o fim do mandato de cinco anos. No entanto, o conservador Cameron e Clegg disseram que confiam em metas de longo prazo para os partidos, apesar das discordâncias entre eles em questões chave para o eleitorado, como imigração, relacionamento com a União Europeia e formas de atacar a pior crise econômica da história recente do país.

“Não somos dois times tentando fazer as coisas juntos. Somos dois times tentando formar um governo forte a longo prazo”, afirmou Cameron em entrevista nos jardins de Downing Street 10, sede do governo britânico em Londres. "Este é um governo que vai durar porque apesar dessas diferenças, estamos unidos em um propósito comum para o trabalho que queremos fazer nos próximos cinco anos."

O ex-rival Clegg, que o ajudou a dar fim a 13 anos de governo dos trabalhistas, retribuiu. “Até hoje eu e David éramos rivais. Hoje somos parceiros”, disse.

Questionado sobre o risco de rompimento, Cameron respondeu: “O governo vai vingar se fizer sucesso. Se demonstrarmos que é um bom governo, que tem objetivos longos, as pessoas de qualquer ala de qualquer partido verão um bom governo”, resumiu. O conservador é visto como um político que trouxe seu grupo para uma posição mais moderada. O liberal-democrata é visto como novidade – seu partido foi fundado em 1988.

Mais cedo, os dois partidos divulgaram um comunicado conjunto para informar, entre outros assuntos, que o Reino Unido não adotará o euro nem se vai se preparar para isso nos próximos cinco anos. O novo governo elegeu como "problemas mais urgentes" a redução do deficit e a consolidação da recuperação econômica do Reino Unido.

A falta de uma maioria decisiva no Parlamento, composto por 650 membros, levou os conservadores a buscarem o apoio dos liberal-democratas. Os trabalhistas, do ex-premiê Gordon Brown, tentaram o mesmo, mas um acordo que antes parecia provável, por conta do alinhamento mais progressista dos dois partidos, fracassou.

Responsabilidades
Na formação do novo governo, Clegg será vice-premiê e responsável pelo projeto de reforma política a ser votado no Reino Unido em um referendo. Essa foi a principal exigência dos liberal-democratas para um acordo e os conservadores até o início desta semana nem sequer cogitavam essa possibilidade. Vários membros do partido são beneficiados pelo sistema de voto distrital que atrapalha os candidatos de Clegg.

Os liberal-democratas devem ter mais quatro membros no Gabinete, dois deles em postos econômicos. Mas os principais cargos ficarão com os conservadores: o novo chanceler do Erário (análogo ao ministro da Fazenda) e o secretário de Relações Exteriores serão do partido que elegeu mais parlamentares na quinta-feira (6).

Cameron, 43, é o mais jovem primeiro-ministro britânico em 200 anos. Clegg, 44, também tem na jovialidade o elemento que atraiu eleitores na semana passada. Ambos disseram nesta quarta-feira que querem iniciar “uma nova era política” no Reino Unido, liderada por políticos dispostos a, nas palavras do liberal-democrata, “darem passos arriscados para formar um governo que seja bom”.

O clima descontraído da primeira entrevista do novo premiê foi ameaçado quando um repórter lembrou que Cameron já se referiu a Clegg como “a melhor piada” que conhecia. Com um riso envergonhado, o conservador ouviu o novo aliado perguntar se isso era verdade. “Eu realmente disse isso uma vez”.

O liberal-democrata gargalhou e respondeu: “Então estou fora”. Retornou aos pedidos do novo premiê: “Volte!”. “Se eu tiver de engolir algumas das palavras que disse, será uma boa dieta para o Reino Unido ter um bom governo”, disse Cameron.

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