Conselho de Segurança da ONU não pode ignorar acordo do Irã, diz chanceler brasileiro

Camila Campanerut
Do UOL Notícias

Em Brasília

O chanceler brasileiro Celso Amorim afirmou na noite desta terça-feira (18) que os países membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) deveriam considerar o acordo firmado entre Brasil, Irã e Turquia antes de "bater o martelo" sobre novas sanções ao Irã. O acordo para sanções foi anunciado hoje pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton. 

Para Amorim, Brasil só colocou a bola na área; é preciso fazer o gol, diz ministro


“Todos os pontos considerados essenciais [pelos Estados Unidos], que era considerado um passaporte para uma solução negociada e pacífica, foram preenchidos, acho que isso mereceria ser avaliado”, defendeu o ministro.

O anúncio das sanções veio apenas um dia depois de o Irã firmar o tratado para tentar superar o impasse internacional criado em torno das dúvidas sobre o caráter do programa nuclear iraniano.

De acordo com o documento brasilo-turco-iraniano, “a República Islâmica do Irã aceita enviar um estoque de 1.200 kg de urânio levemente enriquecido à Turquia. Enquanto estiver na Turquia, este urânio permanecerá como propriedade do Irã. O Irã e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) poderão acionar observadores para monitorar as condições de segurança deste estoque”.

Segundo Amorim, os governos brasileiro e turco estão elaborando uma carta para todos os 15 membros do Conselho de Segurança, justificando que se imaginava obter mais tempo para verificar o comprometimento do Irã.

“Ninguém conseguirá ignorar esse acordo. Seria desprezar uma solução pacífica (...). Alguns insistiam que a visita do Lula seria a última chance. É claro que se você tem um resultado, não é possível que no dia seguinte se veja. (...) Ninguém pode dizer que o Irã vai produzir uma bomba em uma semana, em 15 dias”, avaliou o ministro sobre a crença de países ocidentais de que o Irã não irá utilizar a produção nuclear para fins pacíficos.

“Não estamos defendendo o Irã, não temos relações profundas [com eles]. Nós defendemos a justiça internacional, a paz internacional, a norma internacional e decisões tomadas”, justifica Amorim

Mais cedo, Hillary Clinton disse que reconhece os “esforços sinceros da Turquia e do Brasil para encontrar uma solução para a disputa iraniana com a comunidade internacional sobre seu programa nuclear”, mas que ao lado do China e da Rússia, alegou estar preparada para “apelar à comunidade internacional por uma resolução com sanções mais fortes” contra o Irã.

Entretanto, Amorim disse ter conversado com os ministros de relações exteriores de Rússia e China e recebido elogios e apoio à atuação brasileira.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos