Pai de Sean está impedindo contato do menino com família brasileira, diz advogado

Thiago Chaves-Scarelli
Do UOL Notícias
Em São Paulo

  • Silvia Izquierdo/AP

    David Goldman, pai do menino Sean, exige que os contatos com a família brasileira sejam feitos em inglês, e que sejam suspensas todas as iniciativas judiciais para retomar a guarda do garoto

    David Goldman, pai do menino Sean, exige que os contatos com a família brasileira sejam feitos em inglês, e que sejam suspensas todas as iniciativas judiciais para retomar a guarda do garoto

David Goldman, pai do menino Sean, 9, com quem o garoto mora desde dezembro do ano passado, está restringindo todos os tipos de contato do garoto com os parentes do Brasil, como confirmou hoje ao UOL Notícias o advogado da família brasileira, Frans Nederstigt.

“No início do ano, houve contatos, por telefone, por email, mas essas comunicações foram suspensas por decisão do pai desde 2 de março”, conta o advogado.

“O pai condiciona o contato a várias questões. Por exemplo, exige que a comunicação deve ser feita em inglês, para ele poder controlar a conversa. Mas Sean é brasileiro, fala português, e seus avós [maternos], principalmente sua irmãzinha, não falam inglês muito bem”, explica.

David Goldman também exige que sejam suspensas quaisquer pretensões jurídicas no Brasil a respeito do garoto envolvendo seu retornou ou sua guarda.

“Quando Sean estava no Brasil, David nunca foi proibido de visitá-lo. Pelo contrário, há correspondências mostrando que a família se ofereceu para pagar as passagens do pai”, relata o advogado.

Diante desse cenário, a família brasileira encaminhou à Secretaria Especial de Direitos Humanos, órgão vinculado à Presidência, uma demanda para garantir seu direito de visitar o garoto. A questão deve agora ser encaminhada pela secretaria para as autoridades norte-americanas.

O UOL Notícias entrou em contato com os advogados do pai, mas não obteve retorno.

O caso Sean ganhou destaque internacional no ano passado, quando a Justiça brasileira examinou o pedido de David Goldman para receber a custódia de Sean, filho que ele teve com a brasileira Bruna Bianchi em 2000.

Em 2004, Bruna voltou ao Brasil com a criança e pediu o divórcio. A Justiça de Nova Jersey entendeu que houve sequestro internacional, o Departamento de Estado norte-americano foi notificado e David entrou com processo no Brasil.

Bruna, que se casou novamente, morreu no parto da segunda filha, em 2008. A partir de então, o padrasto e os avós maternos disputaram com o pai o direito de viver com o garoto. Em 24 de dezembro de 2009, o Supremo Tribunal Federal decidiu que o menino deveria retornar aos Estados Unidos.

“A decisão garante – isso está inclusive na posição do ministro Gilmar Mendes – que o direito de visita está garantido. No momento que se cumpre o retorno, deveria também ser cumprido a outra parte”, argumenta o advogado Nederstigt.

“A justiça brasileira garantia esse contato, isso foi pensado para [o processo da transição] ser menos traumático para o garoto. Imagina você ter nove anos de idade e não poder mais ter contato com sua família?”, questiona.

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