Coreia do Norte aproxima-se da China para evitar estrangulamento econômico

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

O anúncio da suspensão do comércio da Coreia do Sul com a sua vizinha do norte feita pelo presidente sul-coreano Lee Myung-bak nesta segunda-feira (24) sugere que a balança comercial tende a ficar ainda mais desfavorável para a Coreia do Norte e sua frágil economia. Mas uma maior pressão sobre a Coreia do Norte vai depender das medidas tomadas pela China. Para driblar um maior estrangulamento da economia norte-coreana, o ditador Kim Jong-il tenta se aproximar da China, flerte que é bem recebido pelo gigante asiático.

Segundo dados de 2008 do site World Factbook da CIA, os valores mais recentes disponíveis em fontes confiáveis, a balança comercial norte-coreana foi desfavorável em cerca de US$ 1,5 bilhão. A China foi a principal compradora dos produtos norte-coreanos, representando 42% das exportações. A seguir, veio a Coreia do Sul, com 38% e, mais distante, a Índia com 5%.
Entre as importações, a China também se revela a principal parceira da ditadura de Kim Jong-il. Ela lidera as importações com 57% do total adquirido pela Coreia do Norte em 2008. Em seguida vem a Coreia do Sul (25%), Rússia (3%) e Cingapura (3%).

Entenda o caso

O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, anunciou nesta segunda-feira (24) a suspensão dos intercâmbios comerciais com a Coreia do Norte e exigiu desculpas do regime comunista de Pyongyang por torpedear uma corveta sul-coreana e matar 46 marinheiros em março.

Em discurso transmitido pela televisão, Lee confirmou também que Seul levará o caso perante o Conselho de Segurança da ONU para reivindicar sanções a Pyongyang, e advertiu que seu governo tomará medidas de autodefesa em caso de uma nova "provocação" norte-coreana.

O presidente sul-coreano fez estas declarações depois que na quinta-feira uma equipe internacional de investigadores concluiu que foi um torpedo norte-coreano que afundou a corveta "Cheonan" no dia 26 de março e matou 46 de seus 104 tripulantes.

Após o naufrágio da corveta Cheonan, em março, que provocou a morte de 46 marinheiros sul-coreanos, Kim Jong-il realizou uma visita à China em uma de suas raríssimas incursões para fora do território norte-coreano. A viagem realizada no começo de maio foi interpretada como uma tentativa de aproximação entre a Coreia do Norte e a China. De um lado, os norte-coreanos enfrentam uma economia debilitada e a falta de alimentos. O preço do arroz, por exemplo, subiu quase 50 vezes com o colapso do won norte-coreano. De outro lado, os chineses desejam estreitar laços com Pyongyang tendo em vista um país pós-Kim Jong-il. “A China aumenta sua presença econômica e seu peso político na Coreia do Norte para evitar qualquer instabilidade assim que se abrir a era pós-Kim Jong-il”, disse Choi Choon-heum, do Instituto para Unificação Nacional em Seul, ao jornal francês "Le Monde" (leia o artigo completo aqui)

Os interesses mútuos explicam a forma comedida com que a China respondeu aos apelos dos EUA e Coreia do Sul por maior pressão sobre a Coreia do Norte. A China pediu para que todas as partes exerçam "calma e prudência", após os Estados Unidos exigirem que a Coreia do Norte se desculpe pelo naufrágio da corveta Cheonan. O incidente com o Cheonan deve ser tratado "de maneira justa e objetiva", "assim como outros assuntos internacionais", disse o porta-voz do Ministério do Exterior da China, Ma Zhaoxu, nesta sexta-feira (24).

Enquanto isso, em viagem à China, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu ao governo em Pequim que coopere com os Estados Unidos na questão da Coreia do Norte. Hillary afirmou que Pyongyang tem que ser cobrado pelo ataque contra o Cheonan. “Pedimos à Coreia do Norte que cesse este comportamento provocador... e cumpra as leis internacionais”, acrescentou.

 Enquanto isso, o governo do "Querido Líder", como Kim Jong-il é conhecido na Coreia do Norte, tem aumentado a intervenção no mercado interno, com o tabelamento de preços. Um quilo de arroz, por exemplo, é calculado em 240 won, algo em torno de R$ 3,40, valor que nem sempre é respeitado na boca do caixa. A medida teria feito o ditador declarar estar com o "coração partido" por violar uma das promessas de seu pai e líder antecessor do país, Kim il Sung: prover o povo com arroz e sopa de carne. Para a revista "The Economist", a declaração foi interpretada como um pedido de desculpas sem precedentes pela incapacidade do ditador em oferecer arroz, pão e macarrão ao seu povo.

 

* Com informações das agências internacionais e da The Economist

 

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