Países da África Subsaariana ainda sentem reflexos da crise financeira de 2008

Eduardo Castro
Correspondente da EBC para a África
Em Maputo (Moçambique)

A crise econômica internacional agravou a já difícil situação da economia dos países da África, abalada em 2007 e 2008 pela subida dos preços dos produtos alimentícios e pela crise energética. Além disso, a África depende fortemente de ajuda e doações internacionais.

Os efeitos foram particularmente fortes nos países da chamada África Subsaariana que formam a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, a SADC (sigla em inglês para Southern Africa Development Coordination Conference), que inclui a maior economia do continente – a África do Sul –, além de diversos países (Angola, Botsuana, República Democrática do Congo, Lesoto, Madagascar, Malawi, Maurício, Moçambique, Namíbia, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue).

Os países do grupo têm uma população somada de cerca de 210 milhões de pessoas. Mais da metade dela não tem acesso a água potável e infraestruturas sanitárias. O Produto Interno Bruto (PIB) do bloco é de aproximadamente US$ 700 bilhões. Significativo para a região, especialmente levando-se em conta as economias dos países vizinhos. Mas equivale à metade do PIB do estado norte-americano da Califórnia. E é exatamente o valor que foi destinado, em 2008, pelo então presidente George W. Bush para salvar as instituições financeiras dos Estados Unidos, quebradas devido à especulação financeira.

O Produto Interno Bruto (PIB) dos países da comunidade africana cresceu apenas 2,7% em 2009, o que representa uma redução em relação à já baixa taxa de 4,8%, registrada em 2008. Nos cinco anos anteriores à crise, a África Subsaariana cresceu em média 6%, com taxas de inflação na casa de um dígito. O déficit fiscal da região aumentou para 5,5% em 2009, contra a 2% em 2008, por causa de empréstimos nos mercados interno e externo. A União Europeia (UE) é o principal parceiro econômico externo ao grupo. Mas parcela do mercado europeu abocanhada pelo grupo diminuiu nos últimos anos – cerca de 3% atualmente contra 7% na década de 1980.

Os países que mais sentem os impactos da crise são os que dependem da mineração, turismo e da indústria têxtil: Angola, África do Sul, Botsuana, República Democrática do Congo, Lesoto, Ilhas Maurício, Namíbia e Zâmbia.

Para Tomaz Salomão, as saídas para África seriam incrementar o comércio entre os países do continente (hoje quase insignificante); aumentar investimentos em infraestrutura de transportes, energia e telecomunicações; transformar a agricultura de subsistência (principal meio de vida em toda África) em parte do agronegócio internacional; compor um colchão de reservas para as contingências, reforçar os laços comerciais com países asiáticos como China, Índia, Malásia, Filipinas e a Tailândia.

No plano político, seria indispensável a estabilidade política e jurídica ao continente, além do firme combate à corrupção.

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