Presidente sul-coreano anuncia bloqueio do comércio com Coreia do Norte

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, anunciou nesta segunda-feira (24) a suspensão dos intercâmbios comerciais com a Coreia do Norte e exigiu desculpas do regime comunista de Pyongyang por torpedear uma corveta sul-coreana e matar 46 marinheiros em março.

Em discurso transmitido pela televisão, Lee confirmou também que Seul levará o caso perante o Conselho de Segurança da ONU para reivindicar sanções a Pyongyang, e advertiu que seu governo tomará medidas de autodefesa em caso de uma nova "provocação" norte-coreana.

O presidente sul-coreano fez estas declarações depois que na quinta-feira uma equipe internacional de investigadores concluiu que foi um torpedo norte-coreano que afundou a corveta "Cheonan" no dia 26 de março e matou 46 de seus 104 tripulantes.

Lee insistiu que o ataque foi uma "provocação militar" norte-coreana e exigiu de Pyongyang que castigue imediatamente os responsáveis e aqueles que estiveram envolvidos no que definiu como uma agressão "de surpresa".

Também reivindicou desculpas imediatas do regime norte-coreano à Coreia do Sul "e à comunidade internacional".

Além de suspender os intercâmbios comerciais, o presidente sul-coreano anunciou a proibição de navegação de navios norte-coreanos em águas sob controle sul-coreano, que até agora se permitia em virtude do Acordo Intercoreano de Transporte Marítimo.

Lee, no entanto, ressaltou que o objetivo sul-coreano "não é um confronto militar" entre as duas Coreias, mas a estabilidade e a paz na península, dividida e confrontada desde a final da Guerra da Coreia (1950-1953).

Por isso, o presidente sul-coreano pediu que o regime comunista de Pyongyang mude sua postura para solucionar o problema da península coreana.

O afundamento do navio foi o incidente mais grave ocorrido na disputada fronteira marítima do Mar Amarelo entre as duas Coreias desde o fim da Guerra da Coreia.

Exercícios militares

A Coreia do Sul também anunciou manobras militares para a segunda metade do ano dirigidas a prevenir a proliferação armamentista da Coreia do Norte, como resposta ao ataque a uma corveta sul-coreana em março que causou a morte de 46 marinheiros.

Em entrevista coletiva, o ministro da Defesa sul-coreano, Kim Tae-young, disse que a Marinha sul-coreana realizará na península estes exercícios militares no marco da Iniciativa internacional de Segurança contra a Proliferação de armas de destruição em massa.

Também participará ativamente em manobras conjuntas que acontecem em setembro na Austrália, acrescentou o ministro.

Apesar de Seul não participar dos exercícios internacionais da iniciativa para não provocar Pyongyang, em maio de 2009, após o segundo teste nuclear norte-coreano, decidiu se unir como observador e agora defende uma participação mais ativa.

Além disso, Seul prevê realizar junto com os Estados Unidos manobras anti-submarino em águas sul-coreanas e retomará táticas de guerra psicológica contra o regime comunista da Coreia do Norte, como atos de propaganda através de alto-falantes na região desmilitarizada, suspensos desde 2004.

Estas medidas têm como objetivo evitar que a Coreia do Norte "realize mais provocações e para que reconheça que uma ação ilegal conduzirá à consequente resposta", disse o ministro da Defesa.

Pouco depois deste anúncio, o regime norte-coreano, com sua habitual retórica bélica, assegurou que disparará contra os alto-falantes da zona desmilitarizada no caso de Seul emitir propaganda.

EUA dão apoio à Coreia do Sul

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ordenou a revisão da política de Washington em relação à Coreia do Norte e aprova a ideia de aplicar sanções para apoiar seu aliado Coreia do Sul ante qualquer agressão de Pyongyang, indicou a Casa Branca.

"Esta revisão visa a assegurar que tomemos as medidas apropriadas e identifiquemos zonas onde seja necessário realizar ajustes", afirmou o secretário de imprensa da Casa Branca, Robert Gibbs, em um comunicado por escrito.

Entre essas medidas, a Casa Branca considera apropriada a aplicação de sanções a Pyongyang.

Programa nuclear norte-coreano

A Coreia do Norte afirmou nesta segunda-feira ter o direito de ampliar sua dissuasão nuclear e acrescentou que desenvolveu armas atômicas de forma transparente, informou a imprensa oficial do país.

Embora a posição norte-coreana sobre armas nucleares não seja nova, a declaração divulgada pela agência de notícias KCNA foi feita horas depois de a Coreia do Sul anunciar que tomará medidas para punir Pyongyang pelo naufrágio de um navio de guerra sul-coreano em março.
 

Repercussão

Em viagem à China, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu ao governo em Pequim que coopere com os Estados Unidos na questão da Coreia do Norte.

Em uma reunião de cúpula EUA-China, Hillary afirmou que Pyongyang tem que ser cobrado pelo ataque contra o Cheonan.
“Pedimos à Coreia do Norte que cesse este comportamento provocador... e cumpra as leis internacionais”, acrescentou.

A China, por sua vez, repetiu seu apelo para que todas as partes exerçam "calma e prudência", após os Estados Unidos exigir que a Coreia do Norte se desculpe pelo naufrágio da corveta Cheonan, da Coreia do Sul.

O incidente com o Cheonan deve ser tratado "de maneira justa e objetiva", "assim como outros assuntos internacionais", disse o porta-voz do Ministério do Exterior da China, Ma Zhaoxu.

A China é o principal parceiro comercial da Coreia do Norte e, no passado, se mostrou relutante em adotar medidas mais duras contra o Estado comunista.

*Com informações da agência EFE e BBC

 

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