Mortalidade infantil cai em todas as regiões do mundo, diz pesquisa

Thiago Chaves-Scarelli
Do UOL Notícias
Em São Paulo

As taxas de mortalidade infantil apresentaram queda em todas as regiões do mundo durante as últimas duas décadas, uma melhora que ocorreu com mais ênfase na América Latina, no norte da África e no Oriente Médio, afirma um estudo do Instituto de Medição e Avaliação da Saúde (IHME) da Universidade de Washington, divulgado esta semana.

“Nós conseguimos duplicar a base de dados disponíveis e melhorar a precisão das estimativas para concluir que as crianças hoje estão melhor do que em qualquer outro período da história recente, especialmente durante o primeiro mês de vida”, afirmou a principal autora da pesquisa, Julie Knoll Rajaratnam, em declaração divulgada pelo IHME.

De acordo com a pesquisa, que examinou 187 países, a mortalidade infantil ainda está profundamente vinculada com o desenvolvimento regional. As estimativas para 2010 mostram que dos 38 países do mundo com pior taxa de mortalidade para crianças até cinco anos de idade, 34 estão na África subsaariana.

O pior caso é a Guiné Equatorial, com mais de 180 mortes para cada 1.000 nascimentos. O melhor índice está com Cingapura, com 2,5, seguida de Islândia e Suécia, com índices aproximados de 2,6. A taxa do Brasil é cerca de 20 mortes em cada 1.000, segundo o estudo.

Taxa de mortalidade de crianças até cinco anos de idade (2010)

  • IHME

A boa notícia é que esses números estão caindo. “Em 2010, estimamos que haverá 7,7 milhões de crianças mortas em todo o mundo, uma queda frente aos 16 milhões de 1970 e aos 11,9 milhões de 1990”, afirma o estudo.

No conjunto, a mortalidade neonatal (morte antes de um mês de vida) caiu 2,1% por ano durante as duas últimas décadas; a mortalidade pós neonatal (entre 2º e 12º mês de vida) caiu 2,3%; e a mortalidade infantil (entre 1 e 5 anos de idade) diminuiu 2,2% anualmente, em média.

“Nas 13 regiões do mundo, incluindo as regiões da África subsaariana, há evidência de declínio acelerado [na mortalidade infantil] entre 2000-2010, comparado com 1990-2000”, afirma o estudo. Apenas os países Suazilândia, Lesoto e Antigua e Barbuda observaram aumentos de mortalidade no período.

O levantamento acrescenta que as mais rápidas taxas de declínio foram observadas na América Latina, no norte da África e no Oriente Médio, regiões nas quais a queda de mortalidade superou os 6% ao ano.

“Em regiões com países desenvolvidos, taxas de declínio são mais uniformes entre mortalidade neonatal, pós neonatal e infantil, e ficaram entre 3% e 5% ao ano”, destaca.

As Maldivas lideram o ranking mundial, com queda de 9,2% anuais na taxa mortalidade antes dos cinco anos. A lista segue com Emirados Árabes Unidos (8,4%), e, empatados com 7,5%, a ilha de Chipre e Portugal. A média entre os resultados é de 3,3%.

O Brasil, na 40ª posição, observou queda anual de 4,8% na mortalidade até cinco anos de idade nas últimas duas décadas, mesmo resultado de Noruega, Armênia e Tailândia. Estados Unidos, na 124ª posição, é o pior colocado entre as nações ricas.

Taxa anual média de queda na mortalidade de crianças (período 1990-2010)

  • IHME

O desempenho do Brasil foi melhor quando se considera a mortalidade infantil, ou seja, taxa de morte da criança entre 1 e 5 anos de idade. Desde 1990, o país viveu uma melhora de 7,3% ao ano, em média - o 19º melhor resultado do mundo.

A principal fraqueza do país está na morte neonatal, ou seja, até o 1º mês de vida. Nesse quesito, o Brasil registrou queda de 3,8% por ano, em média, nas últimas duas décadas, o 61º melhor índice de diminuição no mundo.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos