Acordo nuclear do Irã é tema principal de reunião de Lula e primeiro-ministro da Turquia

Renata Giraldi

Da Agência Brasil<br>Em Brasília

Depois se reunirem há dez dias em Teerã para fechar o acordo nuclear do Irã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, almoçam hoje (27), em Brasília. Ambos tentarão, mais uma vez, um esforço conjunto na busca pelo apoio da comunidade internacional em favor do diálogo e para evitar as sanções ao governo do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

Lula e Erdogan também pretendem demonstrar que há empenho do Brasil e da Turquia para ampliar as relações bilaterais. Antes do almoço, eles assinarão uma série de acordos de cooperação mútua. Um dos mais relevantes é o que define o Plano de Ação Estratégica. Nele, o Brasil e a Turquia se assumem como países que mantêm afinidades nas áreas de defesa, ciência e tecnologia e cultura.

Atualmente o Brasil mantém um Plano de Ação Estratégica com a França, Inglaterra, Suécia, Rússia e Espanha, além da União Europeia (UE). Mas a lista de acordos com a Turquia se estende ainda para o setor agrícola, uma parceria entre a Petrobras e uma estatal turca, e um projeto que propõe o fim da bitributação entre os dois países.

No entanto, Lula e Erdogan deverão concentrar as discussões em torno do acordo sobre a troca de urânio do Irã. Pela proposta, fechada no dia 17, o Irã enviará 1,2 mil quilos de urânio enriquecido a 3,5% para a Turquia. Depois, no prazo de até um ano, o Irã receberá dos turcos 120 quilos de urânio enriquecido a 20%.

Na última segunda-feira (24), o governo Ahmadinejad enviou carta à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informando detalhes do acordo. Na correspondência, ele pede ainda o apoio para encerrar o impasse e a ameaça de sanções econômicas geradas pela desconfiança de que o programa nuclear iraniano esconda a produção de armas atômicas.

Há ainda reações de desconfiança na comunidade internacional em relação à proposta. Nos últimos dias, Lula enviou cartas pedindo apoios aos presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama; da França, Nicolas Sarkozy; da China, Hu Jintao; e do México, Felipe Calderón; além dos líderes que integram a União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

Ontem (26) o porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, disse que Lula e Erdogan querem intensificar ainda mais os esforços. “O que os líderes tentarão é dialogar sobre como se pode fazer para que esse esforço diplomático possa ter continuidade; como se pode fazer para não desperdiçar a oportunidade que foi criada pela Declaração de Teerã [nome oficial do acordo nuclear]. A visita será também uma oportunidade para que o presidente e o primeiro-ministro Erdogan possam tratar de temas ainda não resolvidos pela Declaração de Teerã”, disse o porta-voz.

De Brasília, ainda hoje, Erdogan segue para o Rio de Janeiro, onde fica até domingo (30). O primeiro-ministro participará do 3º Fórum Mundial da Aliança de Civilizações, começa hoje e termina sábado (29), no Museu de Arte Moderna (MAM). O objetivo do fórum é discutir o tratamento discriminatório a muçulmanos e latinos nos países desenvolvidos, além da buscar de um acordo de paz que encerre o impasse entre palestinos e israelenses.

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