Alertas da Anistia Internacional podem pesar contra candidato governista na Colômbia

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

  • John Vizcaino/Reuters

    Juan Manuel Santos, ex-ministro da Defesa e candidato presidencial colombiano

    Juan Manuel Santos, ex-ministro da Defesa e candidato presidencial colombiano

Execuções de civis, espionagem ilegal e influência paramilitar no Parlamento são alguns dos alertas feitos pela Anistia Internacional contra o governo colombiano em seu relatório periódico divulgado na quarta-feira (26), e que podem pesar para o candidato governista Juan Manuel Santos, ex-ministro da Defesa.

“O conflito interno continua a ter consequências devastadoras para a população civil, em especial para comunidades indígenas. Todas as partes envolvidas – incluindo forças de segurança, grupos guerrilheiros e paramilitares – são responsáveis por sérios abusos contra os direitos humanos e violações da lei humanitária internacional”, afirma o relatório 2010 da Anistia.

O documento chega poucos dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais da Colômbia, que a partir deste domingo vão definir o sucessor de Álvaro Uribe.

Uribe, o mais próximo aliado dos Estados Unidos na América do Sul, deixará a presidência em agosto, após dois governos marcados pelo combate à guerrilha e pela retomada do investimento estrangeiro no país, mas também marcado por denúncias de violações aos direitos humanos.

Analistas, como Lázaro Vivero, consideram que as violações aumentaram no último governo como consequência da política de “segurança democrática”, bandeira da campanha política do presidente.

“Uribe prometeu e aplicou durante seus oito anos de governo uma política de mão de ferro contra as guerrilhas. Para mostrar resultados, foi mais fácil assassinar civis para apresentá-los como rebeldes, em uma ação macabra e questionável”, disse Vivero, entrevistado pela agência AFP.

"Falsos positivos"

Nesse contexto, o relatório pode pesar mais para Juan Manuel Santos, o candidato que se coloca como herdeiro da política de Uribe e que foi seu ministro de Defesa entre 2006 e 2009.

Nesse período, Santos liderou a operação “xeque-mate”, que libertou a franco-colombiana Ingrid Betancourt após seis anos de cativeiro com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), operação que contou com apoio da inteligência norte-americana e despertou interesse internacional.

Ao mesmo tempo, durante sua chefia no ministério houve denúncias de diversas execuções de civis sob o pretexto de que seriam guerrilheiros, em casos que ficaram conhecidos como “falsos positivos” e que aparecem no relatório da AI.

“Revelações em 2008 de que forças de segurança tinham executado extrajudicialmente mais de 12 jovens de Soacha, próximo da capital, Bogotá, forçaram o governo a adotar medidas para combater o problema”, afirma o documento lançado hoje. “Cerca de 2.000 execuções extrajudiciais realizadas por militares durante anos estão sob investigação no escritório do procurador-geral em 2009, mas o progresso é lento”.

O relatório acrescenta que, após uma visita à Colômbia em junho, um relator especial da ONU afirmou que execuções extrajudiciais “estavam sendo realizadas de modo mais ou menos sistemático por partes significantes dos militares”.

A publicação faz eco às demandas de familiares que, portando fotografias, recortes de jornais e pedidos a tribunais internacionais, pediram durante a campanha que os assassinatos fossem questionados.

“Como Santos pode pretender se tornar o próximo presidente, quando foi ele quem, como chefe dos militares, ordenou o assassinato de nossos familiares, apresentando-os como guerrilheiros?”, questiona Kelly Ortiz, viúva de Daniel Andrés Pesca, uma das vítimas, em entrevista à AFP.

Conheça os candidatos

Juan Manuel Santos, ex-ministro da Defesa, e Antanas Mockus, líder verde que freou o crime em Bogotá, polarizam as eleições presidenciais colombianas, que a partir do próximo domingo vão escolher o sucessor de Álvaro Uribe.

Diante da insistência da imprensa sobre o tema durante a campanha, Santos defendeu-se, argumentando que foi ele quem iniciou as investigações sobre esses crimes.

"Responsabilidade moral"

O candidato governista lidera as pesquisas de intenção de voto junto com o candidato do Partido Verde, Antanas Mockus, que é crítico dos “excessos” do governo Uribe.

Para Mockus, as execuções dos jovens pobres foram “um caso trágico de sistema de incentivos”, referindo-se aos benefícios que receberam os militares dispostos a subir na carreira.

No entanto, o candidato afirma que nem Uribe nem Santos são responsáveis diretos pelas execuções. “Não vejo responsabilidade penal, mas [responsabilidade] moral”, declarou Mockus em relação a seus adversários políticos.

A Colômbia também é mencionada no documento pelos milhões de refugiados, expulsas de seus lares pela violência, por espionagem telefônica, ameaças e perseguições a magistrados, políticos de oposição, defensores de direitos humanos e jornalistas.

*Com informações de agências internacionais

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