Lula pede "sensibilidade" à AIEA para analisar acordo com o Irã; primeiro-ministro turco chama críticos de "invejosos"

Camila Campanerut

Do UOL Notícias<br>Em Brasília

Política do século 21 exige parceria e diálogo, diz Lula; presidente critica EUA

O presidente brasileiro Luis Inácio Lula da Silva pediu nesta quinta-feira (27) à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) "sensibilidade para entender o momento político" ao analisar o acordo assinado por Brasil, Turquia e Irã sobre o enriquecimento de urânio. O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, por sua vez, chamou os críticos do acordo nuclear com o Irã de “invejosos”.

“Os dois países [Brasil e Turquia] são membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU, aqueles que criticam esse processo são invejosos, fizemos o que é certo. Nós trabalhamos com aquilo que foi anteriormente exigido”, disse Recep Tayyip Erdogan em entrevista coletiva concedida no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

Na mesma linha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou que o feito dos dois países foi algo que outras nações estão tentando sem sucesso há 30 anos.

Lula reafirmou que, até o momento, todos os passos pedidos pelo Conselho de Segurança e pela Agência Internacional de Energia Atômica foram seguidos e, que aguarda que a decisão da AIEA "seja pela paz", encerrando o impasse e a ameaça de sanções econômicas contra o Irã

“Acreditamos que é a flexibilidade, não o dogmatismo, que aproxima os povos; é o engajamento construtivo, não o isolamento e a punição, que nos leva ao entendimento. É esse o espírito que norteou nossa atuação na negociação com o Irã”, defendeu o presidente brasileiro.

“Não precisamos da permissão de ninguém para agir. Não somos advogados de ninguém”, ressaltou Erdogan, que contou ter encaminhado cartas a 27 paises para reforçar a intenção de paz que o acordo com o Irã, representaria um fim à ameaça da criação de armas nucleares pela República Islâmica.

Em outubro de 2009, foi proposto, pela primeira vez, um acordo envolvendo a troca de urânio do Irã. A proposta contou com o apoio da AIEA e do Grupo de Viena (Estados Unidos, França e Rússia). Porém, o acordo não foi adiante.

No último dia 17, o Brasil e a Turquia intermediaram o fechamento de um novo acordo com bases semelhantes ao anterior. Pela proposta, o Irã enviará 1,2 mil quilos de urânio levemente enriquecido (a 3,5%) para a Turquia e, em troca, receberá o produto com grau maior de enriquecimento (20%).

Mesmo diante do acordo, os Estados Unidos reiteram que há suspeitas sobre a produção de armas atômicas por parte do Irã no programa nuclear desenvolvido no país. O governo do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad nega as acusações. O presidente Lula e Erdogan defendem a busca pelo diálogo antes da eventual adoção de sanções.

No encontro, os dois líderes assinaram bilaterais nas áreas de Defesa, Energia, Saúde e Educação.

 

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