Secretário-geral da ONU é criticado ao visitar favela no Rio de Janeiro

Daniel Millazo
Especial para o UOL Notícias

No Rio de Janeiro

Em sua primeira visita ao Rio de Janeiro, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, encontrou-se com jovens na Babilônia, uma das comunidades ocupadas pela UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) na zona sul da capital fluminense nesta quinta-feira (27).

Sem gravata, de camisa listrada e mangas curtas, o líder da ONU ouviu depoimentos de um grupo de jovens, moradores de distintas comunidades e participantes ativos de programas sociais. No auditório da Escolinha Tia Percília, o sul-coreano passou uma mensagem de coragem aos garotos e garotas. “Vocês podem achar que jovens não têm poder, [mas] vocês têm uma ferramenta mais importante: uma voz poderosa [...] Não se sintam acuados. Tenham orgulho e coragem do que vocês são.”

Apesar do discurso elogioso, parte do público criticou o secretário-geral. Na sala pintada de azul e branco, após a partida da maior autoridade das Nações Unidas, Juliana Moreira de Souza, de 17 anos, ironizou a mise-en-scène. “Isso não é a essência. Prometer coisas que com certeza nunca vão acontecer... não é por aí”, dizia entre lágrimas.

Acompanhado da mulher, Ban Soon-taek, o secretário ressaltou que um dos maiores desafios das Nações Unidas é o combate à violência cometida contra meninas e mulheres onde existe conflito armado. Ele acrescentou que é dever da ONU prevenir a violência sexual, física e qualquer forma de discriminação.

Integrante da classe alta carioca, a moradora do bairro da Lagoa afirma ter o sonho de alcançar a igualdade e teme que ações como essa sejam apenas mais um tiro que sai pela culatra. “Se existe discriminação, é preciso combater. Mas as pessoas que discriminam não estão aqui para ver isso”.

Durante o encontro, o secretário – que está no Rio para participar do 3º Fórum da Aliança de Civilizações das Nações Unidas – recebeu um livro de desenhos das mãos de uma pequena menina e uma carta de duas páginas assinada por doze jovens.

Já Carlos Antônio da Silva, 21, morador do Chapéu Mangueira – comunidade vizinha à da Babilônia – disse estar feliz com o evento, que pode dar novo ânimo aos jovens. “A juventude precisa abrir os próprios olhos em relação à cobrança dos direitos. Cultura, lazer, habitação, isso tudo a juventude também tem que discutir, tem que participar. Não é só oba-oba. Hoje o governo recebe grande influência dos jovens. Isso é legal, a juventude estar sabendo e chegar junto”, enfatiza.

Saia justa amarelo-canário

Wallan Silva, 17, entregou uma camisa da Seleção Brasileira de futebol para Ban Ki-moon. Foi o momento com maiores aplausos. Ele retribuiu distribuindo bonés azul-claros das Nações Unidas.

Perto do final do encontro, o secretário-geral da ONU entrou numa saia justa. Perguntaram para qual seleção ele torcerá na Copa do Mundo. “Essa é com certeza a mais pergunta mais difícil”, respondeu risonho. “Espero que a Seleção Brasileira tenha sucesso. Mas se vocês tiverem que jogar com a Coreia do Sul, não sei o que vai acontecer”, concluiu diplomaticamente.

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