Japão restringe envio de dinheiro à Coreia do Norte para reforçar sanções

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

  • Yoshikazu Tsuno/AFP

    Yukio Hatoyama, premiê do Japão

    Yukio Hatoyama, premiê do Japão

Governo japonês decidiu nesta sexta-feira (28) restringir os envios de dinheiro à Coreia do Norte e reforçar as sanções em vigor, uma semana depois que o país comunista foi acusado de responsabilidade no afundamento de um navio sul-coreano, em incidente que causou 46 mortes.

Segundo a agência japonesa "Kyodo", Tóquio rebaixará a três milhões de ienes (26,7 mil euros) os atuais dez milhões de ienes (89 mil euros) que são o limite do dinheiro que pode ser enviado do Japão à Coreia do Norte sem comunicação ao Governo.

Além disso, as autoridades japonesas diminuíram o limite máximo de dinheiro não declarado permitido para viajantes que têm como destino a Coreia do Norte. O valor, que era de 300 mil ienes (2.670 euros) passou a 100 mil ienes (890 euros).

O primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, pediu a seu Governo que reforce as sanções em vigor atualmente contra a Coreia do Norte, que proíbem as importações e exportações, de modo que não possam ser feitas através de outros países.

Hatoyama falou nesta sexta por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para acertar a recolocação de uma polêmica base americana no arquipélago japonês de Okinawa, e eles aproveitaram a oportunidade para debater o conflito entre as Coreias.

Segundo a agência local "Kyodo", os líderes decidiram cooperar com Seul no caso da embarcação sul-coreana "Cheonan", que afundou no dia 26 de março após ser atingido por um torpedo lançado por um submarino norte-coreano, segundo investigação internacional divulgada em Seul.

O Governo sul-coreano decidiu levar esse tema ao Conselho de Segurança da ONU na busca de possíveis novas sanções contra o regime comunista de Kim Jong-il.

Seul militar

Após a condução de exercícios militares sul-coreanos e o anúncio do cancelamento de pactos militares norte-coreanos que preveniam conflito militar, a tensão aumenta na península coreana com o aumento de troca de ameaças e deterioração das relações entre os dois países.

Em reação, o comandante do Exército americano na Coreia do Sul, o general Walter Sharp, criticou Pyongyang pelo naufrágio da corveta Cheonan, que matou 46 marinheiros sul-coreanos e disparou a crise, dizendo aos norte-coreanos que interrompam suas ações agressivas.

A agência de notícias sul-coreana Yonhap diz que Seul vai defender o projeto de sanções no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), ainda na próxima semana. Os EUA já endossaram o pedido.

Analistas veem o cancelamento de acordos de navegação e de prevenção de conflitos militares como uma reação drástica do regime comunista de Pyongyang à crise.

Mais cedo o país cancelou uma linha de comunicação que impedia que navios colidissem, dando a localização de embarcações norte-coreanas e sul-coreanas. Após o cancelamento, o governo do Norte deixou claro que qualquer entrada irregular de navios sul-coreanos em seu espaço marítimo seria retaliada com "ataques imediatos".

A marinha sul-coreana informou que os exercícios militares envolveram 10 embarcações de guerra, incluindo um destróier de 3.500 toneladas. Os navios dispararam fogo e bombas antissubmarinos.

Acordos

O cancelamento de acordos militares anunciado mais cedo pela Coreia do Norte representa o abandono do pacto que previa a segurança na região que divide os dois países, dando margem para um futuro fechamento de fronteiras e abrindo caminho para um potencial conflito armado.

"Vamos repelir completamente as medidas de garantia militar que o nosso Exército deve adotar com relação ao intercâmbio de cooperação Norte-Sul", disse o chefe do Estado-Maior do Exército norte-coreano, em nota difundida pela agência estatal de notícias KCNA.

A curto prazo, a medida pode significar, na prática, o começo do fim do parque industrial de Kaesong, onde mais de cem empresas sul-coreanas têm interesses. O parque industrial rende dezenas de milhões de dólares por ano à Coreia do Norte, uma das raras fontes de divisas para o país.

Ainda nesta semana Pyongyang expulsou todos os funcionários sul-coreanos que trabalhavam em Kaesong.

A nota da KCNA disse também que o Norte vai cancelar acordos destinados a evitar confrontos na costa oeste da península, e que interromperá linhas de contato entre as respectivas forças navais.

Nesta semana, Pyongyang já havia ameaçado interromper a única ligação ferroviária com o Sul, caso Seul volte a usar alto-falantes para fazer propaganda na região da fronteira. O regime comunista ameaça entrar em guerra se a Coreia do Sul levar adiante as sanções que anunciou nesta semana.

A maioria dos analistas diz, no entanto, que nem o Norte nem o Sul querem uma guerra, mas que pode haver escaramuças, especialmente na fronteira marítima da costa oeste da península.

Protestos

Mais cedo, cerca de 10 mil pessoas, incluindo muitos veteranos de guerra, pediram em Seul uma resposta enérgica ao afundamento da corveta sul-coreana Cheonan, que segundo uma investigação internacional, foi provocado por um torpedo norte-coreano.

Os manifestantes também pediram ao governo uma punição aos membros da oposição ao presidente Lee Myung-Bak que questionam as conclusões da investigação.

"Morra Kim Jong-il", gritavam os manifestantes, em referência ao líder norte-coreano, filho e sucessor do fundador, em 1948, da República Popular Democrática da Coreia, Kim Il-Sung.

Durante o ato, os manifestantes queimaram uma bandeira norte-coreana.

A nova crise entre os dois países, separados desde o fim da Guerra da Coreia (1950-53), foi provocada pela publicação, na semana passada, dos resultados de uma investigação internacional que estabeleceu que a corveta sul-coreana "Cheonan" foi afundada por um torpedo norte-coreano.

Quarenta e seis marinheiros sul-coreanos morreram no afundamento do navio.

O Exército norte-coreano anunciou nesta quinta-feira (27) o fim do acordo destinado a prevenir confrontos armados com a Coreia do Sul, em um contexto de crise profunda na península.

*Com informações das agências internacionais e da Folha.com

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