Segurança sai do foco, e agenda social ajuda oposição em disputada sucessão presidencial da Colômbia

Do UOL Notícias
Em São Paulo

  • AFP

    Antanas Mockus, candidato presidencial, tem experiência de sucesso com políticas sociais

    Antanas Mockus, candidato presidencial, tem experiência de sucesso com políticas sociais

A eleição presidencial colombiana chega ao primeiro turno neste domingo com um empate técnico nas pesquisas entre o candidato governista tradicional, beneficiado pelos altos índices de aprovação do governo atual, e o excêntrico ex-prefeito de Bogotá, que conseguiu derrubar a violência na capital. Para os analistas consultados pelo UOL Notícias, o cenário mais provável é um segundo turno, no qual a questão social poderá favorecer a chapa opositora.

O candidato do governo é Juan Manuel Santos, membro de família tradicional, educado em universidades norte-americanas, com passagem por vários ministérios. Seu último e mais importante cargo foi o de ministro da Defesa, entre 2006 e 2009, época de intensas campanhas militares contra guerrilheiros, sob presidência de Álvaro Uribe.

Raio-x da Colômbia

  • Nome oficial: República da Colômbia

  • Forma de governo: República

  • Capital: Bogotá

  • Divisão administrativa: 32 departamentos e 1 distrito

  • População: 43.677.372

  • Idioma: Espanhol

  • Grupos etnicos: Mestiços 58%, brancos 20%, mulatos 14%, negros 4%, cafuzos 3% e indígenas 1%

  • Religiões: Católicos Romanos 90% e outros 10%

  • Fonte: CIA Factbook 2009

Até março passado, Santos era o favorito isolado, mas hoje disputa votos com o líder verde Antanas Mockus, matemático e filósofo, filho de imigrantes lituanos, cuja vantagem pode estar na mudança no perfil das preocupações dos colombianos.

“Dessa vez, ao contrário das eleições anteriores, os temas de segurança não dominaram o debate da disputa presidencial”, observa Marcelo Santos, professor da Universidade Estadual Paulista.

“Assim, ainda que tratados de forma superficial, os temas econômicos e administrativos ganharam importância, numa campanha fortemente marcada pelo uso das redes sociais e tecnologias eletrônicas, o que tem ajudado Antanas Mockus”, acrescenta o cientista político.

Para Ricardo Vélez Rodriguez, diretor do Centro de Pesquisas Estratégicas da Universidade de Juiz de Fora, os dois candidatos têm semelhanças na defesa da atual política macroeconômica e nas linhas gerais do combate à violência, o que dá peso para as questões nas quais eles se diferencial.

“Os tema que vão decidir as eleições são dois: a continuidade da política de segurança democrática, que os candidatos com maiores perspectivas de vitória defendem, mas em segundo lugar a agenda social, e neste item Mockus tem mais pontos”, explica

Para o especialista, isso é o que explica a meteórica ascensão do candidato verde, que passou de 9% das intenções de voto em março para 38% em abril, segundo a pesquisa Ipsos. No levantamento mais recente, de 22 de maio, o candidato verde tem 32%, tecnicamente empatado com os 34% de Santos.

Para o provável segundo turno, Mockus teria 45% e Santos ficaria com 40%, segundo o mesmo instituto de pesquisa. “Essa diferença seria justamente por Mockus ter uma agenda mais ativa na parte social”, analisa Vélez.

“Mockus é o homem que fez despencar os índices brutais de violência de Bogotá, que chegavam perto dos 80 assassinatos para cada 100.000 habitantes para praticamente 17 assassinatos por 100.000 habitantes”, acrescenta o professor, nascido na capital colombiana.

“Ele consegue isso aderindo a um projeto do próprio presidente Uribe de combater as Farc e modernizar a polícia, mas ele não ficou só na parte repressiva. Ele fez uma grande proposta de integração dos setores mais marginalizados da sociedade mediante de ações de cultura prolongadas”, acrescenta.

Os candidatos também se distanciam quando se trata da questão dos direitos humanos. Durante o tempo em que Juan Manuel Santos chefiou o ministério da Defesa, militares executaram civis sob o pretexto de que seriam guerrilheiros, em casos que ficaram conhecidos como “falsos positivos” e chegaram a ser denunciados pela Anistia Internacional.

Diante da insistência da imprensa sobre o tema durante a campanha, Santos defendeu-se, argumentando que foi ele quem iniciou as investigações sobre esses crimes.

De sua parte, Mockus afirmou que se for presidente não vai acusar Santos ou Uribe por suposta responsabilidade legal nesses casos, mas afirmou que ambos tiveram “responsabilidade moral” pelos excessos cometidos.

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