Brasil condena ataque de Israel à frota de ajuda humanitária

Do UOL Notícias

Em São Paulo

O governo brasileiro condenou o ataque da Marinha de Israel nesta segunda-feira (31) a uma frota de seis embarcações com ativistas pró-palestinos que tentavam furar o bloqueio à faixa de Gaza e entregar suprimentos à região.

Veja imagens do ataque israelense

Segundo a nota oficial emitida pelo Itamaraty, o ataque foi agravado por "ter ocorrido, segundo as informações disponíveis, em águas internacionais". O Itamaraty ainda diz que "o Brasil considera que o incidente deva ser objeto de investigação independente, que esclareça plenamente os fatos à luz do Direito Humanitário e do Direito Internacional como um todo".

O ataque também fez a ONU convocar uma reunião de emergência do Conselho de Segurança, que acontecerá na tarde desta segunda-feira (31).

Segundo a TV israelense, no mínimo 19 pessoas teriam morrido na ação. Em entrevista à rádio do Exército, o ministro da Indústria e Comércio de Israel, Binyamin Ben-Eliezer, disse lamentar as mortes. Mas um porta-voz militar de Israel afirmou mais tarde que as mortes pelo ataque chegam a 9.

Leia a íntegra da nota do governo brasileiro

Com choque e consternação, o Governo brasileiro recebeu a notícia do ataque israelense a um dos barcos da flotilha que levava ajuda humanitária internacional à Faixa de Gaza, do qual resultou a morte de mais de uma dezena de pessoas, além de ferimentos em outros integrantes.

O Brasil condena, em termos veementes, a ação israelense, uma vez que não há justificativa para intervenção militar em comboio pacífico, de caráter estritamente humanitário. O fato é agravado por ter ocorrido, segundo as informações disponíveis, em águas internacionais. O Brasil considera que o incidente deva ser objeto de investigação independente, que esclareça plenamente os fatos à luz do Direito Humanitário e do Direito Internacional como um todo.

Os trágicos resultados da operação militar israelense denotam, uma vez mais, a necessidade de que seja levantado, imediatamente, o bloqueio imposto à Faixa de Gaza, com vistas a garantir a liberdade de locomoção de seus habitantes e o livre acesso de alimentos, remédios e bens de consumo àquela região.

Preocupa especialmente ao Governo brasileiro a notícia de que uma brasileira, Iara Lee, estava numa das embarcações que compunha a flotilha humanitária. O Ministro Celso Amorim, ao solidarizar-se com os familiares das vítimas do ataque, determinou que fossem tomadas providências imediatas para a localização da cidadã brasileira.

A Representante do Brasil junto à ONU foi instruída a apoiar a convocação de reunião extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir a operação militar israelense.

O Embaixador de Israel no Brasil está sendo chamado ao Itamaraty para que seja manifestada a indignação do Governo Brasileiro com o incidente e a preocupação com a situação da cidadã brasileira.

Confira a repercussão internacional

Turquia Tomando como alvo civis inocentes, Israel mostrou mais uma vez que não se preocupa com a vida humana, nem com as iniciativas pacíficas. Condenamos fortemente esta prática desumana de Israel. (...) Este incidente, que aconteceu em águas internacionais abusando da lei internacional, terá consequências impossíveis de compensar. (...) Não importa qual seja a razão, esta ação contra civis que atuam com propósito humanitário é impossível de aceitar. Israel terá que enfrentar as consequências de seu comportamento e da violação das leis internacionais" - Ministério de Assuntos Exteriores da Turquia
Autoridade Nacional Palestina (ANP) "O que Israel cometeu contra os ativistas da 'Frota da Liberdade' é um massacre" - Mahmoud Abbas, presidente da ANP
Irã "O ato desumano do regime sionista contra o povo palestino e o fato de impedir que a ajuda humanitária destinada à população chegasse a Gaza não é um sinal de força, e sim de fragilidade deste regime" - Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã
França "Tomaremos todas as medidas necessárias para evitar que esta tragédia provoque novas escaladas de violência" - Bernard Kouchner, ministro de Exteriores
Alemanha "Os governos da Alemanha sempre reconheceram o direito de defesa de Israel, mas este direito deve acontecer dentro de uma resposta proporcional. À primeira vista, não parece ser o que aconteceu" - Ulrich Wilhelm, porta-voz do governo da Alemanha
ONU "Estou chocado pelas informações de que há mortos e feridos nos barcos que levavam ajuda a Gaza. Condeno estas violências. É vital que se realize uma investigação completa" - Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU
EUA "Os Estados Unidos lamentam profundamente a perda de vidas humanas e o saldo de feridos, e atualmente tentam entender as circunstâncias nas quais aconteceu a tragédia" - Bill Burton, porta-voz da Casa Branca
Rússia "Moscou condena o incidente e expressa nesta ocasião sua profunda preocupação a respeito do fato de que membros do comboio humanitário tenham morrido ou sido feridos. É preciso esclarecer esta situação. É evidente que a utilização de armas contra civis e a prisão em mar aberto sem motivos legais constituem uma violação grosseira das normas do direito internacional" - Comunicado oficial do governo russo

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