Diplomata brasileiro de Tel Aviv viaja para a região do ataque em Gaza

Arthur Guimarães
Do UOL Notícias
Em São Paulo

O Itamaraty informou no final da tarde desta segunda-feira (31) que solicitou ao embaixador de Israel no Brasil, Giora Becher, que facilitasse o acesso de um diplomata brasileiro à embarcação atacada pela Marinha israelense hoje.

O pedido foi feito para permitir que as autoridades brasileiras confirmem o estado de saúde da cineasta Iara Lee, que  estaria na frota de seis embarcações com ativistas pró-palestinos que tentavam furar o bloqueio à faixa de Gaza para entregar suprimentos.

  • A cineasta Iara Lee, que estava no comboio humanitário atacado em Israel nesta segunda-feira

Eduardo Uziel, encarregado de negócios da embaixada do Brasil em Tel Aviv, entrou em contato com o Itamaraty por volta das 19h de hoje para informar que já está a caminho do local em que se encontram as embarcações atingidas. Segundo ele relatou aos diplomatas de Brasília, Iara estaria viva.

Na reunião de hoje com a subsecretária de Assuntos Políticos do Itamaraty, Vera Machado, o embaixador de Israel no país afirmou que não haveria nenhuma especificação sobre o estado de saúde da cineasta.

Segundo a TV israelense, no mínimo 19 pessoas teriam morrido na ação. Em entrevista à rádio do Exército, o ministro da Indústria e Comércio de Israel, Binyamin Ben-Eliezer, disse lamentar as mortes. Mas um porta-voz militar de Israel afirmou mais tarde que as mortes pelo ataque chegam a 9.

Em nota, o governo brasileiro condenou o ataque. "O Ministro Celso Amorim, ao solidarizar-se com os familiares das vítimas do ataque, determinou que fossem tomadas providências imediatas para a localização da cidadã brasileira", informa a nota oficial do Itamaraty.

"O Brasil condena, em termos veementes, a ação israelense, uma vez que não há justificativa para intervenção militar em comboio pacífico, de caráter estritamente humanitário", acrescenta o documento.

Mais tarde, Amorim disse que o ataque vai deixar uma "marca muito forte". "É algo que necessita de um tipo de ação da ONU e esperamos que o presidente do Conselho de Segurança [da ONU] dê uma declaração forte. O Itamaraty chamou o embaixador de Israel para manifestar nossa indignação em relação ao ato. Espero que Israel atenda ao que foi solicitado”, disse o chanceler brasileiro ao deixar a reunião da Comissão Econômica para Países da América Latina, que ocorre em Brasília.

Conselho de Segurança
O ataque também fez a ONU convocar uma reunião de emergência do Conselho de Segurança, que acontece nesta tarde.

“Nossa atuação é no sentido de buscar a paz e o entendimento. Somos amigos de Israel, mas não é com esse tipo de ação intempestiva que Israel conseguirá a paz. Mas é vivendo em paz com seus vizinhos, com a Palestina, com os demais países árabes que os cidadãos israelense terão paz em seu território, que também precisa ser assegurada”, continuou Amorim.

Para o ministro, é necessário ter em mente que se o bloqueio a Gaza não estivesse em vigor, não haveria a necessidade de envio de suprimentos à região. “Às vezes é difícil colocar as palavras em uma nota, porque as palavras são acabam ficando gastas. Nós não poderíamos ter ficado mais chocados com um evento desse tipo. Eram pessoas pacíficas, que não significavam nenhuma ameaça e realizavam uma ação humanitária que não seria necessária se terminasse o bloqueio a Gaza”.

Amorim destacou que o próprio perfil da brasileira, Iara Lee, que estava em um dos navios atacados indica que não se tratavam de terroristas. “É uma cineasta, que fazia filmes com a questão ambiental. Não se trata de nenhuma terrorista”.

  • UOL Arte, com informações de witnessgaza.com

*Com informações das agências internacionais

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