Juan Manuel Santos pede grande acordo nacional na Colômbia; Mockus busca alianças

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

Após surpreender na apuração das urnas e conquistar 46,6% dos votos válidos, o candidato governista à Presidência da Colômbia e vencedor do primeiro turno, Juan Manuel Santos, convocou todas as forças políticas e todos os colombianos para um "grande acordo nacional".

Em discurso feito em um hotel de Bogotá no início da madrugada desta segunda-feira (31), após saber os resultados das eleições, Santos disse que “só unidos que os colombianos poderão derrotar o terrorismo, o desemprego, a corrupção, a impunidade e levar o país pelo caminho do progresso".

Feliz pelo triunfo sobre o candidato de oposição, Antanas Mockus, que conquistou 21,5%, o candidato governista aproveitou o discurso para elogiar e agradecer o apoio dispensado pelo atual presidente colombiano, Álvaro Uribe, do qual foi ministro da Defesa. Santos pediu aos colombianos que o apoiem no segundo turno, que será disputado contra Antanas Mockus no próximo dia 20 de junho.

"Confesso que estou muito emocionado e recebo estes resultados com humildade", disse Santos a seus simpatizantes. “Este triunfo é o do presidente Uribe e seu imenso legado", afirmou o candidato, insistindo que seu objetivo é dar continuidade às políticas bem-sucedidas do atual presidente, especialmente em relação à segurança, e na criação de um "Governo de união nacional de todos para todos".

Santos também sinalizou para a possibilidade de um acordo com os outros candidatos à Presidência derrotados nas urnas, que não conseguiram chegar ao segundo turno, como Germán Vargas Lleras, Noemí Sanín e Rafael Pardo. "Não reconheço inimigos na política nacional nem no exterior", disse o governista, também fazendo alusão ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, que o criticou duramente e disse que é uma "ameaça" para a Colômbia.

"Comigo vocês poderão dormir tranquilos", prometeu Santos aos colombianos, ao registrar que, se chegar à Presidência, dará o salto da política de "segurança democrática" de Uribe para a de "prosperidade democrática".

Onda verde
Mesmo com o entusiasmo do adversário e a decepção pela fraco desempenho nas urnas neste domingo, os seguidores de Antanas Mockus, batizados durante a campanha eleitoral como "onda verde", ainda gritavam "Sim, podemos".
A esperança dos verdes se ampara no histórico da candidatura de Mockus. Após ocupar as últimas posições nas pesquisas há três meses, o Parido Verde chegou ao segundo lugar das eleições e enfrentará o governista Santos no segundo turno.
Acompanhado por sua esposa, Adriana Córdoba, e os ex-prefeitos de Bogotá, Enrique Peñalosa e Luis Eduardo Garzón, Mockus conseguiu animar seus seguidores.
Em discurso após o final da votação, Mockus apelou para a inovação. "Hoje alcançamos uma meta que há poucos meses parecia impossível: passar ao segundo turno", disse.

Raio-x da Colômbia

  • Nome oficial: República da Colômbia
    Forma de governo: República (Poder Executivo domina a estrutura de governo)
    Capital: Bogotá
    Divisão administrativa: 32 departamentos e 1 distrito capital
    População: 43.677,372
    Idioma: Espanhol
    Grupos etnicos: Mestiços 58%, brancos 20%, mulatos 14%, negros 4%, cafuzos 3% e indígenas 1%
    Religiões: Católicos Romanos 90% e outros 10% Fonte: CIA Factbook 2009

"Se formos inovadores, vamos ganhar esse segundo turno. Sabemos que unidos podemos transformar radicalmente a sociedade. Sabemos que a violência, a desigualdade e a corrupção não são um destino, mas sim problemas que podemos superar”, afirmou o candidato.

Em seu discurso, o candidato reconheceu o trabalho não só de seus correligionários, mas também de seus oponentes, como o liberal Rafael Pardo, a conservadora Noemí Sanín, o esquerdista Gustavo Petro e Germán Vargas Lleras, do partido Mudança Radical. Mockus disse contar com eles e confiou em que a força da "onda verde" será suficientemente forte para alcançar a Presidência da Colômbia e começar "a transformar o país".

Resultado nas urnas
O candidato governista Juan Manuel Santos se consolidou como o mais votado nas eleições colombianas neste domingo, com 46,57% dos votos e 99,24% das urnas apuradas. Seu oponente, o candidato do Partido Verde, Antanas Mockus, obteve 21,48% dos votos.

O resultado surpreendeu a todos, já que as pesquisas de opinião indicavam um empate técnico entre os dois candidatos, dias antes do início da votação em todo o país. Como nenhum dos dois candidatos obteve mais de 50% dos votos, será necessário um segundo turno, realizado no dia 20 de junho.

Apesar disso, há denúncias espaças de que a candidatura de Santos teria sido beneficiada pela compra de votos, segundo acusa relatório da Missão de Observação Eleitoral (MOE) da Colômbia, divulgado durante a jornada eleitoral. Mesmo com a segurança reforçada em todo o país, foram registradas 17 ações armadas, de acordo com a entidade. "Esses ataques impediram que muitos eleitores chegassem aos centros de votação", relatou Ariel Ávila, da direção do MOE.

Germán Vargas Lleras, do Mudança Radical, foi o terceiro candidato mais votado do país, com 10,14%. Os outros candidatos são Gustavo Petro, do Polo Democrático Alternativo, com 9,16%, Noemi Sanín, do Partido Conservador Colombiano, 6,14%; e Rafael Pardo, do Partido Liberal, com 4,37%.

O presidente colombiano Álvaro Uribe disse, ao término do pleito que vai definir o seu sucessor, que o país recuperou a liberdade política que estava sequestrada, além de agradecer às Forças Armadas e aos cidadãos.

No total, 29,9 milhões de colombianos foram convocados às urnas. O governo esperava cerca de 50% a 53% de comparecimento, acima do índice de 45,5% de 2006. "Há grande afluência e normalidade. Chegaremos aos 15 ou 16 milhões de eleitores", disse Carlos Sánchez, diretor do Registro Nacional.

Farc
Tanto Santos quanto Mockus afirmam que não aceitariam soltar guerrilheiros presos pelas Farc em troca da libertação de reféns. Para Santos, apoiado pelo popular presidente Álvaro Uribe, acordos humanitários "não têm nada de humanitário" e incentivam a guerrilha a realizar mais crimes deste tipo, justamente em um momento em que esta prática foi reduzida.

Mockus, por sua vez, diz que não quer “nem ouvir falar em negociação enquanto o grupo armado detiver reféns” e defende que as libertações unilaterais precisam ser mediadas pela Cruz Vermelha e pela Igreja Católica.

Chavismo e Brasil
Seja Santos ou seja Mockus, o próximo presidente colombiano terá de lidar com uma relação deteriorada com a vizinha Venezuela. As relações com o país comandado por Hugo Chávez pioraram ainda mais em 2009, após a autorização da Colômbia para o uso de bases militares por tropas americanas e as acusações de Bogotá sobre um suposto desvio de armas venezuelanas às Farc.

Em julho de 2009, Chávez congelou as relações diplomáticas e comerciais com a Colômbia, o que motivou uma queda histórica do comércio bilateral. Outro vizinho que também pode dar dor de cabeça ao novo presidente é o Equador.

A tensão entre os dois países se intensificou após o ataque militar de 2008 a um acampamento das Farc em território do Equador, o que levou o governo equatoriano a romper relações diplomáticas com a Colômbia, situação que ainda não se normalizou.

Já o Brasil não deve dar trabalho ao sucessor de Uribe. Tanto Santos quanto Mockus falam em uma aproximação com o país. "O Brasil é um país chave nos processos de integração na América Latina”, afirmou o candidato oficial recentemente. Mockus, por sua vez, destacou que, se eleito presidente, pretende "intensificar" as relações com o Brasil, "buscando maior apoio em temas como educação, ciência e tecnologia".

*Com agências internacionais

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