Na ONU, Israel acusa frota de não ter objetivos humanitários

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

Israel afirmou nesta segunda-feira (31) na ONU que "não há crise humanitária em Gaza" e acusou a frota de ativistas que tentou entregar víveres aos palestinos de ter outros objetivos.

"Apesar de os meios de comunicação terem apresentado a frota como uma missão humanitária para entregar ajuda a Gaza, ela não tinha nada de humanitária", disse o representante israelense na ONU, Daniel Carmon.

"Não eram ativistas pacíficos nem mensageiros da boa vontade. Utilizaram cinicamente uma plataforma humanitária para enviar uma mensagem de ódio e implementar a violência".

  • UOL Arte, com informações de witnessgaza.com

O embaixador israelense, cujo país não integra atualmente o Conselho de Segurança da ONU, foi autorizado a falar na reunião de emergência convocada depois do ataque de seu país contra a frota de ativistas.

Segundo Carmon, "não há crise humanitária em Gaza". Completou que esse território "é ocupado por terroristas que expulsaram a Autoridade Palestina mediante um violento golpe e que introduzem armas, incluindo por via marítima".

"Os resultados dos eventos da noite são trágicos e desafortunados, e Israel lamenta a perda de vidas inocentes", disse o embaixador. "Mas (o país) não pode passar por cima de sua própria segurança".

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas está reunido hoje em uma sessão de emergência para discutir o ataque de Israel contra o comboio de navios que levavam ajuda humanitária a Gaza.

O Conselho, órgão máximo de decisões das Nações Unidas, está reunido desde as 13h (horário de Brasília), a pedido da Turquia e do Líbano, país que exerce a presidência temporária do órgão. A Turquia, país predominantemente muçulmano, é membro temporário do Conselho de Segurança da ONU.

A reunião começou com uma breve sessão de consultas a portas fechadas e deve ser seguida por um debate público.

"Ressaltamos a importância de que se produza uma investigação completa sobre o ocorrido", disse o secretário-geral adjunto da ONU para Assuntos Políticos, o argentino Oscar Fernández Taranco, em seu discurso no Conselho de Segurança.

Entenda o ataque

A Marinha de Israel atacou nesta segunda-feira uma frota de seis embarcações com ativistas pró-palestinos que tentavam furar o bloqueio à faixa de Gaza e entregar suprimentos à região.

Brasileira na frota

  • A cineasta Iara Lee, que estava no comboio humanitário atacado em Israel nesta segunda-feira

Segundo a TV israelense, no mínimo 19 pessoas teriam morrido na ação. Em entrevista à rádio do Exército, o ministro da Indústria e Comércio de Israel, Binyamin Ben-Eliezer, disse lamentar as mortes. Mas um porta-voz militar de Israel afirmou mais tarde que as mortes pelo ataque chegam a 9.

Segundo ativistas, os barcos estavam em águas internacionais, a mais de 60 quilômetros da costa.

Os barcos, organizados pela ONG Free Gaza, levavam 750 ativistas e cerca de 10 mil toneladas de suprimentos para a faixa de Gaza.

Imagens da TV turca feitas a bordo do barco turco que liderava a frota mostram soldados israelenses lutando para controlar os passageiros.

As imagens mostram algumas pessoas, aparentemente feridas, deitadas no chão. O som de tiros pode ser ouvido.

A TV árabe Al-Jazeera relatou, da mesma embarcação, que as forças da Marinha israelense haviam disparado e abordado o barco, ferindo o capitão.

A transmissão das imagens pela Al-Jazeera foi encerrada com uma voz gritando em hebraico: "Todo mundo cale a boca!".

A frota de seis embarcações havia deixado as águas internacionais próximo à costa do Chipre no domingo (30) e pretendia chegar a Gaza nesta segunda-feira (31).

Israel havia dito que bloquearia a passagem dos barcos e classificou a campanha de "uma provocação com o intuito de deslegitimar Israel".

O porta-voz do Exército israelense, general Avi Benayahu, afirmou que o ataque contra a frota humanitária pró-palestina aconteceu em águas internacionais.

"O comando agiu em alto mar entre 4h30 e 5h, horário local, a uma distância de 70 a 80 milhas (130 a 150 km) de nossa costa", afirmou o general à rádio pública.

* Com agências internacionais

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos