Brasil vai acatar decisão da ONU, mas não sanções unilaterais contra o Irã, diz Amorim

Camila Campanerut

Do UOL Notícias<br>Em Brasília

Em audiência pública no Senado Federal, o chanceler brasileiro Celso Amorim afirmou, na tarde desta terça-feira (1º), que o país irá acatar qualquer que seja a decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas, caso opte por lançar sanções contra o Irã.

“Em várias conversas, sempre sublinhei este aspecto, se houver sanções, mesmo que o Brasil não concorde, teremos que respeitar, porque senão não haverá nenhuma outra instância para respeitar a segurança internacional”, destacou o ministro. Segundo ele, as sanções “unilaterias”, por outro lado, seriam ignoradas pelo governo brasileiro.

Amorim foi convidado pelos parlamentares para o posicionamento brasileiro em relação ao programa nuclear do Irã na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional De acordo com o ministro, a atuação como intermediário do Brasil no acordo para troca de urânio pouco enriquecido por combustível entre Irã e Turquia, foi “instada” pelo presidente norte-americano Barack Obama e faz parte das tarefas do país como membro (ainda que não permanente) do Conselho de Segurança da ONU.

“Como membro do Conselho de Segurança, nós temos uma responsabilidade. O Brasil tem o interesse natural da paz e de encontrar soluções pacificas”, justificou. O Brasil é um dos 10 membros rotativos do Conselho de Segurança da ONU, que é formado ainda por cinco membros permanentes (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido).

Selado no último dia 17 de maio, a acordo sobre a troca de urânio foi negociado pelos três países (Brasil, Turquia e Irã) e ficou conhecido como a Declaração de Teerã.

Segundo a declaração, os iranianos devem enviar 1200 kg de urânio enriquecido a 3,5% à Turquia. Em troca, receberão 120 kg de combustível altamente enriquecido (a 20%), necessário para o reator de pesquisas médicas de Teerã.

“Eu queria dizer que a declaração de Teeerã cobre todos os pontos principais pedidos, inclusive em cartas presidenciais”, definiu Amorim.

O chanceler cita que as questões como “quantidade”, “tempo” e “local de troca”, acordados com o Irã, seguiram as exigências estabelecidas pela AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), que fiscaliza in loco a produção iraniana.

O ministro das Relações Exteriores deixou claro que o acordo foi um primeiro passo para mostrar que a República Islâmica está disposta a negociar e demonstrar que não pretende investir na produção de armas de destruição em massa. Ao contrário da supervalorização que o acordo tenha recebido, Amorim avaliou que o contrato não tem pretensão de resolver a delicada questão do Oriente Médio.

“Se o objetivo deixar de ser um acordo para criar confiança e passar a ser um acordo para resolver todos os problemas, nós não teríamos nos envolvido, porque isso é complexo demais tanto para o Brasil como para a Turquia”, disse.

 

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