Bloqueio a Gaza deve ser suspenso "imediatamente", diz secretário-geral da ONU

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

O bloqueio da Faixa de Gaza imposto por Israel deve ser suspenso "imediatamente", disse nesta quarta-feira (2) o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon.

Entenda o caso

Na madrugada da última segunda-feira (31), cerca de 700 ativistas (incluindo uma brasileira) tentaram furar o bloqueio naval imposto por Israel e Egito a Gaza há 3 anos, quando o grupo extremista Hamas chegou ao poder.
Os militantes (turcos na maioria) levavam no comboio 10 mil toneladas de ajuda humanitária quando foram atacados por militares israelenses em águas internacionais. Nove ativistas morreram. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirma que a frota com ajuda humanitária fazia parte de uma “operação terrorista".
Diversos países condenaram os ataques, suavizados pelos EUA, aliados históricos de Israel. Mesmo assim, a ONU obteve apoio para criar uma comissão independente para apurar as agressões.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou hoje a criação de uma comissão independente para investigar supostas violações do direito internacional no ataque israelense a uma frota que tentava levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

A resolução proposta por Paquistão e Sudão, em nome respectivamente da Organização da Conferência Islâmica e do grupo árabe, teve 32 dos 47 votos do Conselho. EUA, Itália e Holanda votaram contra, nove países europeus, africanos e asiáticos se abstiveram, e três países africanos não votaram.

A resolução qualifica a ação israelense de "ultrajante" e exige "total responsabilização e inquéritos independentes críveis".

O texto também estabelece o envio de uma missão internacional independente para investigar se houve violações ao direito internacional por parte de Israel. A equipe deve ser nomeada pelo presidente do Conselho, o belga Alex van Meeeuwen - cujo país foi um dos que se abstiveram.

Nove ativistas morreram no incidente, mas Israel diz que seus soldados agiram em defesa própria. O país anunciou uma investigação interna, e diplomatas disseram que o Estado judeu dificilmente irá cooperar com o inquérito internacional.

O Conselho de Direitos Humanos, criado em 2006, é na prática controlado pelos países em desenvolvimento, e o bloco islâmico tem grande influência nesse fórum, que regularmente condena Israel.

A resolução aprovada na quarta-feira é bastante diferente da declaração da véspera do Conselho de Segurança, exigindo uma "investigação imediata, imparcial, crível e transparente".

Esses termos refletem a posição norte-americana de apoiar uma investigação por parte de Israel. Em nota, a representante dos EUA no Conselho de Direitos Humanos, Eileen Donahue, disse: "Infelizmente a resolução diante de nós faz um julgamento apressado sobre um conjunto de fatos que (...) apenas estão começando a ser descobertos e entendidos."

 

 

 

* Com agências internacionais

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