Turcos mortos por Israel em navio incluem ativistas, operários e candidatos a "mártir"

Maurício Savarese
Do UOL Notícias

Em São Paulo

  • Divulgação

    O turco Necdet Yildirim era ativista humanitário, mas desejava morrer pela causa muçulmana

    O turco Necdet Yildirim era ativista humanitário, mas desejava morrer pela causa muçulmana

Engenheiro elétrico, técnico de telefones, jornalista, professor de educação física, funcionário de ONG, bombeiro e estudante. Essas eram profissões dos nove turcos mortos na semana passada em um confronto com tropas israelenses. Entre eles, pelo menos três admitiam morrer como “mártires” – senha para afirmar que se sacrificariam por causas muçulmanas, como a liberação da faixa de Gaza.

Embora os nomes das vítimas não tenham sido divulgados oficialmente, a mídia turca informou que os mortos são um estudante também com cidadania norte-americana, Furkan Dogan (19), e oito homens mais velhos: Necdet Yildirim (32), Cevdet Kiliçlar (38), Ali Haydar Bengi (39), Cengiz Akyüz, (41), Fahri Yaldiz (43), Cengiz Songür (47), Çetin Topçuoglu (54) e Ibrahim Bilgen (61). Eles levaram mais de 30 tiros.

Entre os três simpatizantes de movimentos islâmicos estão Bilgen, que militou por um partido religioso na cidade de Siirt, no sudeste da Turquia; Bengi, aluno de um importante centro de estudos islâmicos do Egito; e Yaratilmis, ativista humanitário da Fundação para Apoio Humanitário (IHH em turco). Todos eles manifestavam há anos apoio à causa palestina, mas sem endossar explicitamente ações terroristas.

Técnico de telefones, Bengi era dono de um comércio em Diyarbakir, no sudoeste da Turquia. Familiares relataram que ele ajudava os pobres. A mulher dele, mãe de seus dois filhos, disse à mídia turca: “Há anos ele queria ir à Palestina. E ele sempre rezou para se tornar um mártir. Antes de viajar ele disse que queria isso”.

Yaratilmis, aposentado e pai de cinco filhos, também manifestava esse desejo. A organização pela qual trabalhava insistia na importância de romper o bloqueio de Israel à faixa de Gaza, oficialmente mantido pela possibilidade de fornecimento de armas e suprimentos ao Hamas, força política dominante na região e que perpetra atos terroristas contra israelenses. “É por isso que ele entrou no navio. Ele sempre quis ser um mártir”, afirmou sua mulher.

Bilgen, pai de seis filhos, manifestou a seu cunhado o interesse em dar a vida para encerrar o bloqueio que amplia a pobreza no território palestino. “O martírio era adequado para ele. Alá deu a ele a morte que ele desejava”, afirmou.

Cidadãos comuns?

O governo da Turquia nega que houvesse apoiadores do terrorismo a bordo do navio onde o embate ocorreu. Israel afirmou que a embarcação, com pessoas de 30 nacionalidades diferentes, inclusive uma brasileira, continha pessoas perigosas e defensoras dos ataques do Hamas ao seu território.

Não parece ser o caso do ativista Kiliçlar. Estudante de comunicação, foi repórter e webmaster da IHH. Nem o do professor de educação física Topçuoglu, ex-jogador de futebol e ex-técnico da seleção turca de taekwondo. Ou do bombeiro Yaldiz, que trabalhava pela cidade de Adiyaman.

Apesar de os mortos terem deixado, ao todo, pelo menos 28 órfãos, a maior repercussão internacional veio por causa de Dogan, turco-americano, que aguardava os resultados de seu vestibular para entrar na universidade. Por conta da dupla cidadania, sua família recebeu as condolências da secretária de Estado, Hillary Clinton. Mas os EUA evitaram qualquer condenação peremptória a Israel.

Dogan queria estudar medicina e gostava de jogar xadrez. Foi alvejado com cinco tiros no rosto, a 45 cm de distância, na nuca, duas vezes na perna e uma nas costas.

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