Revelação de usinas de enriquecimento de urânio escondidas em bunkers acelerou sanções ao Irã

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

A relação das potências ocidentais com o Irã se deteriorou com rapidez após a CIA (agência de inteligência dos EUA) detectar por satélite a existência da usina de enriquecimento de urânio escondida dentro de uma montanha próxima da cidade sagrada xiita de Qom em setembro de 2009.

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Escondida, não era possível concluir se o programa nuclear do país é militar ou pacífico, ou seja, se o enriquecimento de urânio serviria como combustível para reatores produzirem energia nuclear (como alega o Irã) ou se seria altamente enriquecido, o que serviria de base para criar a bomba atômica.

A descoberta gerou consequências imediatas. A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica, da ONU) aprovou resolução que condenou o Irã por uma arrasadora maioria e pela primeira vez em três anos, em 27 de novembro do ano passado. Dos 35 países membros da agência nuclear da ONU, 25 votaram a favor da resolução, três (Cuba, Venezuela e Malásia) contra e seis, entre eles o Brasil, se abstiveram. Pesou ainda o fato de Teerã não cooperar com a agência, sonegando informações e visitas-surpresa dos agentes da AIEA.

O regime iraniano teve de admitir a construção da nova instalação, mas, apesar da condenação, anunciou a construção de dez centrais nucleares, além de indicar a redução ao mínimo de sua colaboração com a agência da ONU.

Teerã nega que os esforços nucleares sejam para fins militares, mas estritamente para fins pacíficos, como para geração de eletricidade, embora o país seja o segundo do mundo em reservas de petróleo e gás natural. O país do Oriente Médio justifica que, como signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear, tem direito de enriquecer urânio para fins pacíficos.

A desconfiança do Ocidente começou anos antes da revelação da usina em Qom. Em 2002, o Conselho Nacional de Resistência do Irã (de oposição) havia revelado que o país construía uma instalação nuclear subterrânea secreta em Natanz, denúncia ratificada pela AIEA no ano seguinte. Ainda em 2003, pressionado pelo Ocidente, o Irã anunciou a suspensão do enriquecimento de urânio.

No ano seguinte, a agência da ONU revelou a construção de túneis nas montanhas ao lado da usina de Esfahan, onde o urânio seria preparado para ser enriquecido. Mais dois anos se passaram até o próprio presidente Mahmoud Ahmadinejad anunciar a retomada do enriquecimento de urânio. E mais do que isso: iniciou os testes de centrífugas de nova geração (como as do tipo "P2"), para o enriquecer o urânio mais rapidamente e em maior quantidade.

Em dezembro de 2009 -- já depois de a AIEA condenar o Irã -- o Conselho Nacional de Resistência divulga novo relatório em que eleva de 14 para 19 o número de bunkers que esconderiam bases militares nucleares.

Em março deste ano, o jornal "New York Times" revelou que o Irã estava construindo pelo menos duas novas instalações nucleares secretas em montanhas, para protegê-las de eventuais ataques.

Isolado internacionalmente, Ahmadinejad fechou em maio um acordo com os governos de Turquia e Brasil que previa que o país entregaria ao exterior 1.200 quilos de urânio pouco enriquecido, para em troca receber, no prazo de um ano, 120 quilos de material nuclear enriquecido a 20% para uso em um reator de pesquisas médicas. O Irã disse, no entanto, que esse acordo não lhe impediria de continuar a enriquecer urânio, contrariando as potências ocidentais.

Ahmadinejad informou ainda que o acordo com Brasil e Turquia fica cancelado após as novas sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança.

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