Irã classifica sanções de "ilegais" e acusa UE de fazer "jogo duplo"

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

Raio-x do Irã:

  • Nome oficial: República Islâmica do Irã
    Capital: Teerã
    Tipo de governo: República Teocrática
    População: 66.429,284
    Idiomas: Persa e dialetos persas 58%, turcomano e dialetos turcos 26%, curdo 9%, luri 2%, balochi 1%, árabe 1%, turco 1%, outros 2%
    Grupos étnicos: Persas 51%, azeris 24%, e gilakis mazandaranis 8%, curdos 7%, árabes 3%, lurs 2%, balochis 2%, turcomenos 2%, outros 1%
    Religiões: Muçulmanos 98% (xiitas 89% e sunitas 9%), outras (que inclui zoroastras, judeus, cristãos, e bahais) 2%
    Fonte: CIA Factbook

O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, classificou hoje (10) de "ilegais" as novas sanções impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas ao Irã e acusou à União Europeia de ter dois pesos e duas medidas.

"Tal aproximação é destrutiva e ineficaz na hora de resolver a atual conjuntura e evitará que se chegue a uma saída da crise", disse o funcionário, citado pela agência estatal de notícias Irna.

Mehmanparast ressaltou que o único objetivo da nova resolução é "impedir o Irã de adquirir tecnologia nuclear pacífica" e insistiu que por isso ela "é errônea e ilegal".

O funcionário iraniano criticou, além disso, a postura da União Europeia, a quem acusou de fazer um "jogo duplo" ao apoiar as sanções e dizer ao mesmo tempo que a porta para a negociação não está fechada.

"A nação iraniana acredita que este jogo duplo e estas políticas não conseguirão frutos. A melhor maneira de respeitar os direitos das nações é não adotar medidas discriminatórias e impedir a justiça no mundo", acrescentou.

Tanto o presidente americano, Barack Obama, como a responsável pela Política Externa da União Europeia, Catherine Ashton, afirmaram após a votação que as sanções não fecham a porta ao diálogo. 

Em resposta à nova rodada de sanções, o presidente Mahmoud Ahmadinejad disse ontem que elas não tem  "valor algum" e "devem ir direto para a lata do lixo, como um lenço usado".

Consequências das sanções

A Rússia congelará o contrato de entrega ao Irã de mísseis S-300 depois da adoção de novas sanções na ONU contra o regime de Teerã, segundo declaração de uma fonte do serviço federal de cooperação militar à agência Interfax nesta quinta-feira (10). Com isso, a Rússia sinaliza o cumprimento das sanções da ONU contra o Irã aprovadas ontem pelo Conselho de Segurança, que limita a venda de armas para o país do Oriente Médio.

Revelação de usinas de enriquecimento de urânio escondidas acelerou sanções ao Irã

  • A relação das potências ocidentais com o Irã se deteriorou com rapidez após a CIA (agência de inteligência dos EUA) detectar por satélite a existência da usina de enriquecimento de urânio escondida dentro de uma montanha próxima da cidade sagrada xiita de Qom em setembro de 2009

"A decisão do Conselho de Segurança da ONU deve ser aplicada por todos os países, e a Rússia não será uma exceção. É por isso que o contrato de entrega de mísseis terra-ar S-300 ao Irã será congelado", indicou esta fonte ouvida pela interfax.

Moscou e Teerã chegaram a um acordo há algum tempo para a entrega de mísseis S-300, mas a Rússia jamais entregou estas armas, segundo explicou, por causa de problemas técnicos.

O S-300 é um moderno sistema de mísseis que pode ser usado para derrubar múltiplos foguetes e aeronaves. O contrato sobre o S-300 entre Rússia e Irã foi assinado em 2007.

Israel, Estados Unidos e Europa denunciaram este contrato porque permitiria a Teerã defender de forma eficaz suas instalações nucleares..

Membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, a Rússia votou a favor das sanções contra o Irã ontem. Os dois países já foram bem mais próximos.

Até o ano passado, a Rússia resistia a votar pelas novas sanções da ONU contra Teerã e minimizou as sugestões de que o país usava o programa nuclear de enriquecimento de urânio para construir bombas atômicas.

A Rússia é um importante parceiro comercial do Irã. O comércio bilateral chegou a US$ 3 bilhões no ano passado, com Moscou vendendo tecnologia nuclear, aeronaves e outros produtos para a República Islâmica.

Em outubro de 2007, ainda na Presidência, Vladimir Putin tornou-se o primeiro líder do Kremlin a visitar o Irã desde Stalin, dando um apoio sorridente ao presidente Mahmoud Ahmadinejad, advertindo os Estados Unidos sobre qualquer ação militar e defendendo o direito do Irã em prosseguir com um programa nuclear civil.

A relação Rússia-Irã começou a esfriar no ano passado, quando os Estados Unidos anunciaram em setembro a descoberta de uma nova usina de enriquecimento de urânio secreta perto da cidade sagrada xiita de Qom, no Irã. A descoberta solapou a confiança de Moscou no Irã.

A Rússia afirmou que a usina violava as decisões do Conselho de Segurança da ONU e era "fonte de séria preocupação." Em novembro de 2009, Moscou apoiou uma resolução da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) condenando a iniciativa.

Além disso, autoridades russas insistem que Moscou --que enfrenta problemas com o terrorismo islâmico-- não deseja que um poderoso país islâmico perto de sua instável fronteira no sul tenha armas nucleares.

O forte relacionamento pessoal do presidente Dmitri Medvedev com o americano Barack Obama tornou mais fácil para os dois líderes aprovarem uma posição comum sobre o Irã. O presidente russo falou pela primeira vez sobre novas sanções contra o Irã já em setembro.

Após assinar um tratado de redução de armas nucleares com Obama em abril passado, Medvedev afirmou lamentar que o Irã não estava respondendo a propostas construtivas sobre o seu programa nuclear.

 

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos