Em visita à China, Ahmadinejad critica "hipocrisia" norte-americana

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

Entenda as sanções contra
o Irã aprovadas pela ONU

A resolução da ONU contra o país prevê restrições a mais bancos iranianos no exterior, caso haja suspeita de ligação deles com programas nuclear ou de mísseis. Estabelece também uma vigilância nas transações com qualquer banco iraniano, inclusive o Banco Central.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, criticou a "hipocrisia" dos Estados Unidos durante visita nesta sexta-feira (11) ao pavilhão do Irã na Exposição Universal, que acontece em Xangai, na China.

"Como podem pressionar outros países que querem desenvolver energia para propósitos pacíficos? Como podem deter um programa nuclear pacífico só pela simples razão de que ele 'poderia' ser usado para fabricar armas atômicas?", disse em declarações a jornalistas.

Ahmadinejad afirmou também que o presidente Barack Obama cometeu um grave erro ao promover sanções na ONU ao invés de estabelecer vínculos amistosos com o povo iraniano.

"Creio que o presidente Obama cometeu um grave erro. Ele sabe que a resolução (do Conselho de Segurança da ONU) não terá efeito", afirmou à imprensa. "Muito em breve ele se dará conta de que não fez uma boa escolha e que bloqueou a via para estabelecer vínculos amistosos com o povo iraniano", completou.

Revelação de usinas de enriquecimento de urânio escondidas acelerou sanções ao Irã

  • A relação das potências ocidentais com o Irã se deteriorou com rapidez após a CIA (agência de inteligência dos EUA) detectar por satélite a existência da usina de enriquecimento de urânio escondida dentro de uma montanha próxima da cidade sagrada xiita de Qom em setembro de 2009

Apesar da bronca com os EUA, Ahmadinejad não censurou a China pelo fato de ter aprovado na quarta-feira, junto ao restante do Conselho de Segurança das Nações Unidas, as sanções contra seu país, apesar de Pequim ter mostrado durante meses oposição às medidas implantadas por Teerã.

"As duas nações, China e Irã, possuidoras das mais antigas civilizações, podem permanecer juntas para que o sonho (de um mundo melhor) se torne realidade", afirmou o presidente iraniano durante a celebração do Dia do Irã na Expo 2010, rodeado de fortes medidas de segurança.

Ahmadinejad está na China unicamente para visitar o grande evento de Xangai, segundo o Ministério de Assuntos Exteriores chinês, que não prevê encontros entre ele e os líderes comunistas.

O presidente da China, Hu Jintao, se encontra em Tashkent (Uzbequistão) para participar da cúpula da Organização para a Cooperação de Xangai (SCO, sigla em inglês), para a qual Ahmadinejad tinha sido convidado.

O líder iraniano cancelou de última hora sua participação na cúpula, que também conta com a participação de Dmitri Medvedev, presidente da Rússia, outro país que durante meses se opôs a sanções contra Teerã, mas que acabou por aprová-las no Conselho de Segurança da ONU, onde Moscou e Pequim são membros permanentes com direito a veto.

O porta-voz do Ministério de Exteriores chinês, Qin Gang, destacou nesta quinta-feira (10) que o fato de a China aprovar as sanções contra o Irã não fecha a porta à diplomacia e o diálogo entre os dois países.
 

Suspeitas do Ocidente

A relação das potências ocidentais com o Irã se deteriorou com rapidez após a CIA (agência de inteligência dos EUA) detectar por satélite a existência da usina de enriquecimento de urânio escondida dentro de uma montanha próxima da cidade sagrada xiita de Qom em setembro de 2009.

A descoberta gerou consequências imediatas. A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica, da ONU) aprovou resolução que condenou o Irã por uma arrasadora maioria e pela primeira vez em três anos, em 27 de novembro do ano passado. Dos 35 países membros da agência nuclear da ONU, 25 votaram a favor da resolução, três (Cuba, Venezuela e Malásia) contra e seis, entre eles o Brasil, se abstiveram. Pesou ainda o fato de Teerã não cooperar com a agência, sonegando informações e visitas-surpresa dos agentes da AIEA.

 

O regime iraniano teve de admitir a construção da nova instalação, mas, apesar da condenação, anunciou a construção de dez centrais nucleares, além de indicar a redução ao mínimo de sua colaboração com a agência da ONU.

A desconfiança do Ocidente começou anos antes da revelação da usina em Qom. Em 2002, o Conselho Nacional de Resistência do Irã (de oposição) havia revelado que o país construía uma instalação nuclear subterrânea secreta em Natanz, denúncia ratificada pela AIEA no ano seguinte. Ainda em 2003, pressionado pelo Ocidente, o Irã anunciou a suspensão do enriquecimento de urânio.

No ano seguinte, a agência da ONU revelou a construção de túneis nas montanhas ao lado da usina de Esfahan, onde o urânio seria preparado para ser enriquecido. Mais dois anos se passaram até o próprio presidente Mahmoud Ahmadinejad anunciar a retomada do enriquecimento de urânio. E mais do que isso: iniciou os testes de centrífugas de nova geração (como as do tipo "P2"), para o enriquecer o urânio mais rapidamente e em maior quantidade.

Em dezembro de 2009 -- já depois de a AIEA condenar o Irã -- o Conselho Nacional de Resistência divulga novo relatório em que eleva de 14 para 19 o número de bunkers que esconderiam bases militares nucleares.

Em março deste ano, o jornal "New York Times" revelou que o Irã estava construindo pelo menos duas novas instalações nucleares secretas em montanhas, para protegê-las de eventuais ataques.

 

 

* Com agências internacionais

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