Em conversa, Obama e Cameron concordam sobre responsabilidade da BP

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

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A Guarda Costeira dos Estados Unidos anunciou neste sábado (12) que concederá à BP um prazo de 48h para melhorar os planos contra o derramamento de óleo no Golfo do México, que já dura mais de um mês

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, conversaram por telefone neste sábado e concordaram que a empresa britânica BP (British Petroleum) deve fazer tudo que está a seu alcance para conter o vazamento de petróleo na costa norte-americana provocado pela companhia.

"O presidente e o primeiro-ministro discutiram o impacto do trágico derramamento de petróleo no Golfo do México, e reiteraram que a BP deve fazer tudo que está a seu alcance para responder de forma eficaz à situação", informou um comunicado da Casa Branca.

Na conversa que durou 30 minutos, Obama também disse a Cameron que suas duras críticas contra a BP não têm "nenhuma ligação com a identidade nacional" britânica e afirmou que "não tem interesse" em prejudicar o gigante petroleiro.


O acidente superou o de 1989 com o navio Exxon Valdez no Alasca. Os milhões de litros de óleo derramados causam graves prejuízos ambientais e econômicos aos Estados Unidos.

O presidente da BP, Carl-Henric Svanberg, deve se encontrar com Obama, na Casa Branca, na próxima quarta-feira. O presidente americano criticou energicamente nesta semana a petroleira, afirmando desejar saber "de quem deveria chutar o traseiro" sobre a tragédia.

As críticas de Washington contra a BP preocupa os líderes empresariais e a classe política de Londres, enquanto as ações da BP -- que integram parte da carteira de muitos fundos de pensão -- caem devido à inquietação sobre o crescente custo da operação de limpeza no Golfo.

Na quinta-feira, as ações da BP despencaram à mais baixa cotação em 13 anos: já caíram cerca de 50% desde a explosão em 20 de abril da plataforma Deepwater Horizon, que deixou 11 operários mortos e derivou, dois dias depois, no naufrágio da estrutura de prospecção e a avaria do poço que deu início à catástrofe.

Os investidores temem que as críticas obriguem a BP a suspender o pagamento de dividendos a seus acionistas, que representam uma fonte de sustento importante para milhões de aposentados detentores de ações do grupo.

Enquanto Obama aguarda a conversa com o presidente da BP, Cameron já o fez por telefone. No diálogo travado ontem, o novo primeiro-ministro britânico disse ter expressado "frustração" e "preocupação" pelos danos ambientais causados pelo vazamento de petróleo no golfo do México e que estabilidade e solidez econômica da companhia petrolífera repercutem "no interesse de todos". Um porta-voz oficial do chefe do governo do Reino Unido o qualificou de "construtiva" a conversa entre os dois.

Cameron "explicou que se sentia frustrado e preocupado com o dano ambiental gerado pelo derramamento de óleo, mas deixou claro que a BP é uma empresa economicamente importante no Reino Unido, nos Estados Unidos e em outros países", segundo o porta-voz.

Por sua parte, Svanberg esclareceu que a BP "continuará fazendo tudo o que puder para cessar o vazamento, limpar os danos e cumprir todas as reivindicações legítimas de compensação".

6,4 milhões de litros derramados

As autoridades americanas estimam que o vazamento seja mais que o dobro das cifras apontadas desde o afundamento da plataforma da BP, que ontem anunciou que estuda cortar os pagamentos de dividendos a seus acionistas.

Cerca de 40.000 barris de petróleo -- em torno de 6,4 milhões de litros ou 5.260 toneladas-- estão sendo derramados diariamente no golfo do México devido aos danos no poço da BP, segundo a estimativa de cientistas apresentada na quinta-feira por Marcia McNutt, diretora do Instituto Geológico dos Estados Unidos, encarregada da equipe que avalia o nível do derramamento.

Essa medição foi realizada antes de a BP colocar, em 3 de junho, um funil destinado a conter o vazamento que causa a mancha de óleo. O cálculo anterior da equipe dava conta de um derramamento de 12.000 a 19.000 barris de petróleo diários.

* Com agências internacionais.

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