Irã anuncia que reduzirá exportação de minério aos países que apoiaram sanções

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

Sanções contra o Irã não devem afetar exportações brasileiras

As sanções contra o Irã aprovadas na semana passada pelo Conselho de Segurança da ONU não devem afetar o comércio brasileiro com o país, hoje dominado principalmente por produtos agrícolas, minério de ferro e alguns produtos manufaturados como chassis para automóveis e motores. A venda desses produtos ao Irã deve continuar sem restrições. As sanções endurecem um embargo à compra pelo país de equipamentos militares como helicópteros e mísseis, além de prever interdições marítimas para a inspeção de navios com cargas suspeitas para o Irã.

O Irã vai reduzir suas exportações de minério dos países que votaram a favor das novas sanções impostas na semana passada pela ONU, afirmou nesta terça-feira (15) o vice-ministro iraniano de Indústria e Minas, Mohamad Masud Samieneyad. O dirigente não apresentou que tipo de minério está na lista do governo nem os países que sofrerão a retaliação.

"Em breve, estarão limitadas as exportações de mineral para aqueles países que votaram a favor das sanções contra o Irã", afirmou Samieneyad.

A resolução da ONU contra o país, aprovada em 9 de junho, prevê restrições a mais bancos iranianos no exterior, caso haja suspeita de ligação deles com programas nuclear ou de mísseis. Estabelece também uma vigilância nas transações com qualquer banco iraniano, inclusive o Banco Central.

O Conselho de Segurança aplicou as sanções contra o país por suspeitar do programa de enriquecimento de urânio, que pode ser para fins nucleares. O governo do Irã nega e afirma que seu programa nuclear é para fins pacíficos.

Mais cedo, o presidente Mahmoud Ahmadinejad afirmou que o acordo promovido pelo Brasil e pela Turquia, de trocar combustível nuclear iraniano com as grandes potências em território turco, continua vigente.

Amorim defende desarmamento nuclear e acordo com Irã em discurso em conferência da ONU

"O poder mundial está se reconstruindo. (...) No terreno econômico e financeiro foi possível algum progresso. Mas no político, não foram preenchidas as brechas na legitimidade e na eficácia. E isto é especialmente certo no que diz respeito à paz e à segurança internacional", disse o chanceler brasileiro, Celso Amorim.

"A declaração de Teerã continua tendo validade", afirmou Ahmadinejad ao receber o presidente do Parlamento turco, Mehmet Ali Shahin. Essa proposta constitui "um novo modelo de gestão dos assuntos mundiais, baseado na justiça e na lógica", acrescentou.

Na declaração de Teerã, assinada em 17 de maio com o Brasil e a Turquia, a República Islâmica aceitou trocar, em território turco, 1.200 kg de urânio levemente enriquecido (a 3,5%) por 120 kg de combustível enriquecido a 20%, para alimentar seu reator de pesquisa médica de Teerã.

Mas depois de assinar o documento, o Irã anunciou que continuará enriquecendo urânio a 20% por conta própria.

As grandes potências acolheram com ceticismo a iniciativa por achar que as autoridades iranianas estavam apenas ganhando tempo.

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