Santos é favorito na Colômbia por segurança e continuidade de Uribe, dizem analistas

Maurício Savarese
Do UOL Notícias

Em São Paulo

Até o primeiro turno das eleições colombianas, em 30 de maio, as pesquisas indicavam disputa acirrada entre o governista Juan Manuel Santos e o surpreendente oposicionista Antanas Mockus. Quando as urnas abriram, o preferido do presidente Álvaro Uribe disparou e o rival se desestabilizou em público. Foi isso, somado à questão da segurança pública e à melhora da economia, que animou a candidatura do ex-ministro da Defesa e a tornou favorita no segundo turno de domingo (20).

Para analistas ouvidos pelo UOL Notícias, Santos soube atrair alianças políticas, despertou segurança nos eleitores de áreas rurais e surfou na alta popularidade de Uribe. Mockus, por sua vez, isolou-se politicamente e perdeu apoio para sua onda verde depois de reconhecer a derrota no primeiro turno com um desanimado discurso, explorado pelos governistas como sintomas de um frágil candidato.

“O próprio Mockus admitiu que tinha se iludido e que sua vitória era improvável horas depois de as urnas fecharem no primeiro turno”, disse Michael Shifter, presidente do instituto Diálogo Interamericano, com sede em Washington. “As pessoas se assustaram com isso e Santos fez uma campanha sólida, embora sem entusiasmo. Vai continuar o que Uribe fez e ainda tem perfil mais conciliador.”

Raio-x da Colômbia

  • Nome oficial: República da Colômbia
    Forma de governo: República (Poder Executivo domina a estrutura de governo)
    Capital: Bogotá
    Divisão administrativa: 32 departamentos e 1 distrito capital
    População: 43.677,372
    Idioma: Espanhol
    Grupos etnicos: Mestiços 58%, brancos 20%, mulatos 14%, negros 4%, cafuzos 3% e indígenas 1%
    Religiões: Católicos Romanos 90% e outros 10% Fonte: CIA Factbook 2009

A popularidade do atual presidente colombiano, impedido pela Justiça de disputar seu terceiro mandato consecutivo, se deve ao combate a grupos paramilitares e, em especial, às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Com sua obra inconclusa, uma vez que a guerrilha não foi erradicada, martela o nome do ex-ocupante das pastas de Defesa e, logo antes, Fazenda e Comércio Exterior.

Santos tem repetido o nome de Uribe em seus discursos. Ampliou também as viagens a áreas rurais, onde o filósofo e matemático Mockus é considerado simpático, mas pouco confiável. Apesar de o oposicionista ter reduzido índices de criminalidade de Bogotá, onde foi prefeito, é o ex-ministro da Defesa quem, segundo os analistas, catalisou os votos preocupados com a segurança pública no país andino.

“Na Colômbia a associação entre aumento de segurança e Uribe é muito forte”, disse o professor Alcides Costa Vaz, do curso de Relações Internacionais da UnB (Universidade de Brasília). “Santos sabe que deverá muito ao presidente se vencer. Principalmente pela questão da segurança, mas também porque Uribe conseguiu expandir sua influência para a economia, após uma série de bons resultados”, diz.

Um cenário bem diferente daquele que, poucos meses atrás, previa amplo apoio a Mockus e ao esquerdista Sergio Fajardo no primeiro turno e uma rejeição alta a Santos. “O que conta é que as pessoas se sentem mais seguras com o que conhecem. À medida que a imagem de Santos se fundiu à de Uribe, não havia uma alternativa real para a maioria dos colombianos”, afirmou Shifter.

Segurança, mas com mais diplomacia

Embora a segurança interna seja a principal bandeira do candidato oficialista, os vizinhos já buscam saber sobre quem é o provável sucessor do conservador Uribe. E ele sinaliza que em algumas áreas pode ser menos belicoso com vizinhos polêmicos, como Equador e Venezuela.

“Santos pode ser mais diplomático com os vizinhos. Mas não deixará de lado a dependência dos Estados Unidos, que custa cerca de US$ 700 milhões por ano”, escreveu Julia Sweig, do Council on Foreign Relations, com sede em Nova York. “O que ele não fará é, sem a alta popularidade de Uribe, manter um discurso belicoso contra o venezuelano Hugo Chávez ou o equatoriano Rafael Correa. Vai conversar.”

Até a vitória de Sebastián Piñera na corrida presidencial chilena, Uribe era considerado uma ilha conservadora na América do Sul. Com as Farc mais debilitadas, “Santos terá de buscar uma agenda sul-americana”, segundo Sweig. Nessa questão, o papel de moderador exercido pelo Brasil poderá influenciar a relação do futuro presidente colombiano com o resto do continente.

Vaz, da UnB, diz que pouco deve mudar na relação entre Brasil e Colômbia no caso de vitória de Santos. “As crises da América Latina têm configurações próprias. Em alguns casos, pode aparecer o Brasil como mediador para a Colômbia. Em outros, não. Não dá para saber se a Colômbia buscaria apoio e engajamento do Brasil. Dá para estimar que se eleito ele tentará buscar mais união do que confronto, até para dizer que deu uma chance aos vizinhos polêmicos”, afirmou.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos